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Estados Unidos ameaçam “reconsiderar” presença na Bósnia e Herzegovina após impasse sobre Alto Representante

Grupo de políticos em reunião a analisar mapa, com bandeiras dos EUA, UE e Bósnia ao fundo.

Disputa pelo cargo de Alto Representante na Bósnia e Herzegovina

Os Estados Unidos ameaçaram “reconsiderar” a sua presença na Bósnia e Herzegovina depois de não ter havido entendimento com dirigentes europeus quanto à escolha de um novo Alto Representante, responsável por acompanhar o cumprimento dos acordos de paz no país balcânico.

A tensão crescente entre Washington e várias capitais europeias em torno do rumo da Bósnia e Herzegovina tornou-se evidente por causa desta disputa por um cargo administrativo central, levando os EUA a admitirem rever a forma como participam nas missões de paz no território.

Conselho de Implementação da Paz e candidatos em confronto

Na reunião do Conselho de Implementação da Paz (CIP) - o grupo multinacional encarregado de supervisionar a execução do Acordo de Paz de Dayton de 1995, que pôs termo à guerra na Bósnia - realizada esta semana em Sarajevo, os EUA defenderam o diplomata italiano Antonio Zanardi Landi. Já o Reino Unido, a França, a Alemanha e a maioria dos países europeus alinharam com o enviado francês para os Balcãs Ocidentais, René Troccaz.

Estados Unidos ameaçam “reconsiderar” o papel na presença internacional

A embaixada norte-americana em Sarajevo divulgou a ameaça depois de vários países europeus terem recusado apoiar o candidato preferido de Washington para o posto de Alto Representante para a Bósnia e Herzegovina.

"Os Estados Unidos tomam nota da incapacidade europeia de chegar a um consenso em torno de um candidato europeu e lamentam que essas divisões tenham impedido o CIP de cumprir a sua tarefa de eleger um novo Alto Representante. A indecisão europeia e a abdicação do CIP do seu próprio dever para com a Bósnia e Herzegovina estão a forçar os Estados Unidos a reconsiderar o seu papel na atual presença internacional na Bósnia e Herzegovina", escreveu a embaixada dos EUA em Sarajevo, numa publicação no X.

Próxima tentativa de consenso no CIP

Apesar de já não manterem uma presença militar relevante no país dos Balcãs - onde existe uma pequena força de manutenção da paz da União Europeia - os Estados Unidos continuam a ter influência através do CIP e de canais bilaterais. Está previsto que o Conselho volte a procurar um consenso sobre o cargo de Alto Representante no final do mês.

Posição do Governo Trump sobre os poderes do Alto Representante

O Governo Trump também se pronunciou a favor de reduzir a capacidade do Alto Representante para impor os princípios da Convenção de Dayton, acordo que encerrou uma guerra que custou 100 mil vidas, mas que fez pouco para ultrapassar a divisão étnica na Bósnia.

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