O T-Roc revelou um lado mais descontraído da Volkswagen, mas sem abdicar da racionalidade típica da marca alemã - e isso continua a ser um dos seus pontos fortes.
O T-Roc apareceu em 2017 para preencher uma lacuna que a Volkswagen ainda não tinha ocupado como queria: um SUV compacto com uma imagem mais emocional do que a do Tiguan e, ao mesmo tempo, uma alternativa ao Golf para quem se deixou conquistar pelo formato SUV.
A receita resultou de imediato e, com o tempo, acabaria por ultrapassar o Golf como o Volkswagen mais vendido na Europa. Para Portugal, esse êxito teve um peso especial: o Volkswagen T-Roc foi e continua a ser fabricado em exclusivo (com exceção do Cabrio) na Autoeuropa, em Palmela, e foi decisivo para levar a produção automóvel nacional a níveis nunca vistos.
Mesmo com a segunda geração já à venda, as razões que fizeram do primeiro T-Roc um sucesso continuam a contar - sobretudo no mercado de usados. Como é habitual na maioria dos Volkswagen, o grande argumento é o equilíbrio: boa imagem, um motor pequeno mas capaz, consumos contidos, espaço adequado para uma família e custos de utilização relativamente controlados.
O T-Roc foi vendido com várias motorizações, a gasolina e a gasóleo, mas neste guia de compra focamo-nos no 1.0 TSI, por ser o mais procurado em Portugal e também aquele que, para muitos perfis, faz mais sentido.
No Pisca Pisca, há unidades a começar perto dos 15 000 euros nos exemplares mais antigos, enquanto as versões já após a reestilização de 2022 passam com facilidade os 23 000 euros.
O Volkswagen T-Roc português que envelheceu bem
Mesmo hoje, o T-Roc mantém um aspeto atual. A Volkswagen encontrou um compromisso interessante entre uma presença visual robusta e linhas relativamente simples, evitando os exageros vistos nalguns SUV compactos mais recentes - exageros esses que tendem a envelhecer pior.
As primeiras unidades tinham um desenho mais discreto, mas a reestilização de 2022 trouxe para-choques revistos, uma assinatura luminosa atualizada e um ar mais refinado. Foi o suficiente para o manter com um visual fresco.
Foi também nessa atualização que a Volkswagen tratou de uma das críticas mais repetidas desde o lançamento: o habitáculo. Os modelos produzidos entre 2017 e 2021 abusavam de plásticos duros no tabliê e nas portas. O desenho era moderno e a montagem passava uma sensação de solidez, mas faltava a perceção de qualidade que muitos associavam - e continuam a associar - automaticamente à Volkswagen. Para um carro que nunca foi barato, o interior parecia demasiado “poupado”.
Com a renovação de 2022 surgiram materiais mais agradáveis ao toque, melhor isolamento e um ambiente claramente mais cuidado. É uma diferença evidente assim que se entra no carro.
O infoentretenimento também foi evoluindo com o passar dos anos. Nos primeiros T-Roc, a interface era simples, rápida e intuitiva, com Apple CarPlay e Android Auto por cabo USB nas versões com App-Connect. Não era o sistema mais sofisticado do segmento, mas era fácil de usar e, em muitos casos, menos confuso do que o de alguns rivais.
Depois, em 2022, chegaram ecrãs novos, grafismos mais modernos e, em certas versões, compatibilidade sem fios com Apple CarPlay e Android Auto. O conjunto ficou mais apelativo à vista, embora os comandos táteis tenham retirado alguma da simplicidade que existia antes.
Num usado, vale a pena testar tudo: ligação Bluetooth, rapidez do sistema, sensores de estacionamento, câmara traseira e painel digital. A eletrónica não costuma dar problemas graves, mas há relatos de pequenos bloqueios ou reinícios do sistema multimédia.
Motor pequeno, grande responsabilidade
O 1.0 TSI foi a escolha mais comum e é, por si só, um dos motivos para olhar para este SUV. Este três cilindros turbo do Grupo Volkswagen está mais do que validado no mercado: oferece boa resposta em baixas rotações, trabalha de forma suave e consegue deslocar o T-Roc com mais facilidade do que os números fazem pensar.
Consoante o ano, pode ter entre 110 cv e 116 cv. O T-Roc 1.0 TSI nunca é um carro particularmente rápido, mas chega perfeitamente para o uso diário normal. Em cidade sente-se ágil, em estrada nacional responde com competência e, em autoestrada, mantém velocidades elevadas sem parecer que está no limite.
As limitações ficam mais evidentes quando o carro vai carregado. Ultrapassagens mais longas, subidas ou viagens com quatro adultos e bagagem obrigam a usar mais a caixa manual - a única disponível com esta motorização.
Ainda assim, no conjunto, convence. Em consumo real, com base em dados do Spritmonitor, a média anda nos 6,4 l/100 km, com a maioria dos registos de utilizadores reais entre 5,8 l/100 km e 6,9 l/100 km.
Quais os problemas mais comuns?
De forma geral, a fiabilidade do pequeno 1.0 é bastante boa. Em testes de satisfação e fiabilidade, o T-Roc tem conseguido resultados muito fortes, sobretudo nas versões a gasolina.
Ainda assim, antes de comprar, há aspetos a confirmar. Um dos pontos mais mencionados são pequenas fugas de líquido de refrigeração associadas à bomba de água, especialmente em carros com mais quilómetros. Normalmente não é uma avaria dramática, mas convém procurar sinais de perdas e estar atento a cheiro a anticongelante.
Há também relatos de consumo de óleo acima do esperado em algumas unidades TSI. Não significa, por si, um problema sério, mas é essencial confirmar o histórico de manutenção e controlar o nível de óleo entre revisões.
Outro tema relativamente frequente envolve o travão de mão elétrico. Nalguns carros pode demorar a libertar automaticamente ou apresentar pequenas falhas relacionadas com sensores ou software.
Existem ainda queixas de ruídos nos travões traseiros a frio e de infiltrações de água em algumas unidades produzidas entre 2017 e 2019. Vale a pena inspecionar a zona da mala, junto ao pneu suplente, e verificar se há sinais de humidade no tejadilho ou perto das portas.
Quanto custa manter
A manutenção do Volkswagen T-Roc 1.0 TSI tende a ser relativamente controlada para o segmento e para a imagem do modelo.
A troca da bomba de água numa oficina oficial pode ultrapassar os 500 euros, mas em oficinas independentes o custo baixa de forma significativa. O mesmo costuma aplicar-se a travões, revisões e pequenos incidentes elétricos.
Quando existem infiltrações, a solução passa muitas vezes por limpeza de drenos ou substituição de vedantes, sem valores particularmente elevados. Já as atualizações de software do travão de mão elétrico costumam ser simples e rápidas.
É importante confirmar se todas as campanhas de recolha (recall) da Volkswagen foram realizadas. O T-Roc teve várias ações técnicas ao longo da sua carreira, mas nenhuma especialmente preocupante. Consulte o relatório da Motor CV para acompanhar as campanhas ocorridas:
Quanto tem de pagar
O mercado não facilita a vida a quem procura um T-Roc a preço baixo. Em novo, já custava mais do que a média e, em usado, a tendência mantém-se. A procura é elevada, o modelo tem boa imagem e a Volkswagen costuma segurar bem o valor no mercado de segunda mão.
Acaba por custar mais do que muitos rivais, mas compensa com manutenção descomplicada e uma rede de assistência alargada.
No Pisca Pisca, os exemplares de 2018 e 2019 com o 1.0 TSI surgem normalmente entre os 15 000 e os 19 000 euros, variando com quilometragem, origem e equipamento. As unidades até 2021 já podem tocar nos 22 000 euros, enquanto os T-Roc após a reestilização se situam entre os 20 000 euros e os 28 000 euros.
Nossa escolha
Se o orçamento o permitir, a opção mais acertada é um Volkswagen T-Roc 1.0 TSI já após a reestilização, de 2022 em diante. Não por ser um carro totalmente diferente, mas porque a Volkswagen resolveu precisamente os pontos mais criticados: qualidade interior, tecnologia e apresentação global.
Dentro da gama, a versão Style continua a ser a mais equilibrada. Traz equipamento suficiente para estar à altura do posicionamento do T-Roc. Já as versões de entrada podem parecer demasiado simples para o valor pedido no mercado de usados.
Quem quiser alternativas deve considerar modelos como o Hyundai Kauai, que costuma oferecer mais equipamento pelo mesmo dinheiro, ou o Nissan Qashqai, para quem dá prioridade a mais espaço.
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