Há mais de três décadas que os telemóveis chegaram a Portugal e, desde essa altura, passaram de novidade a presença constante no dia a dia - e a evolução foi enorme.
Essa transformação não se ficou pelos equipamentos: à volta deles nasceu um mundo inteiro de acessórios, para todos os gostos e para praticamente todas as carteiras.
Telemóvel ao volante: por que continuamos a arriscar?
Com isto em mente, custa-me perceber como é que ainda há tantas pessoas a usar o telemóvel enquanto conduzem.
Consigo aceitar que existam chamadas que, por um motivo ou outro, pareçam mesmo ter de ser atendidas durante a condução e que alguém queira aproveitar esse tempo ao volante para tratar de assuntos pendentes.
Mas até que ponto é que estamos dispostos a ir sabendo que podemos colocar a nossa vida e a de outros em risco?
Alternativas simples e baratas (Bluetooth e alta-voz)
Estamos em 2023. A maioria dos automóveis já vem com Bluetooth integrado. E, quando isso não acontece, o próprio telemóvel permite fazer chamadas em alta-voz, recorrendo ao seu altifalante.
E se a questão for a privacidade? Nesse caso, um auricular Bluetooth fica por menos de cinco euros. Não é o acessório mais elegante? Não precisa de ser. Aqui, o que está em causa é segurança - e ninguém tem de andar com o auricular no ouvido o dia inteiro; basta usá-lo quando estiver ao telefone.
O que realmente não é «bonito»
O que não é «bonito» é o desfecho de um acidente causado por alguém que seguia a olhar para o ecrã do telefone e nem deu conta, por exemplo, de que o carro à frente travou.
Pode acontecer ficar tudo pelos danos materiais, mas vale mesmo a pena correr o risco de magoar outra pessoa - além de si - ou de provocar algo ainda pior?
Os dados não deixam dúvidas
Para quem ainda não tem noção do perigo, ficam dois pontos importantes divulgados pela ANSR, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, no âmbito da campanha “Ao volante, o telemóvel pode esperar”.
A verdade é que este assunto não me ficou atravessado por acaso: os números apresentados pela GNR mostram, de forma óbvia, que isto continua a ser um problema nas estradas portuguesas.
Entre 28 de julho e 24 de agosto, a GNR autuou mais de mil pessoas “por uso indevido do telemóvel no exercício da condução”. Em média, são mais de 250 por semana.
E atenção: estes valores dizem respeito apenas a quem foi multado; é impossível saber quantos mais continuam «agarrados» ao telemóvel enquanto conduzem.
Então porquê insistir? Seja urgente ou não, acredito que quase toda a gente vai compreender se ligar mais tarde e disser “desculpa, estava a conduzir”. E quanto a tirar fotografias? A resposta tem de ser um “Não”, a menos que siga outra pessoa consigo no carro.
Seja como for, a mensagem é clara: não use o telemóvel ao volante. É simples, a sério que é.
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