No segundo dia aberto ao público do Paris Air Show 2025, o sábado, 21 de junho, traz uma tarde intensa de demonstrações em voo. O programa junta, no mesmo guião, meios militares de última geração, propostas eléctricas e clássicos de guerra - tudo numa sequência pensada ao pormenor.
Um horário de voo cheio para a tarde de sábado
As exibições públicas de 21 de junho concentram-se entre o fim da manhã e o início da tarde, transformando poucas horas num espectáculo aéreo praticamente ininterrupto. De grandes cargueiros a largar pára-quedistas a máquinas acrobáticas leves que desenham fumo no céu, cada demonstração tem um papel claro na narrativa da aviação: passado, presente e futuro.
A janela de voo decorre das 11:45 às 14:51, com quase nenhum intervalo entre demonstrações.
Horário oficial das demonstrações
Este é o programa previsto para as demonstrações aéreas de sábado, 21 de junho de 2025, no Paris Air Show 2025 (hora local):
- 11:45 – 11:52: Airbus A400M – largada de pára-quedistas
- 12:01 – 12:08: Airbus A400M – segunda largada
- 12:12 – 12:23: Extra 330 EVAAE
- 12:24 – 12:31: Pipistrel Velis Electro
- 12:32 – 12:38: JMB Aviation VL3 Turbine
- 12:48 – 12:56: Mudry CAP‑10
- 12:57 – 13:06: Airbus EC665 Tigre
- 13:07 – 13:15: Beechcraft Bonanza
- 13:16 – 13:22: North American OV‑10 Bronco
- 13:26 – 13:32: Dassault Falcon 6X
- 13:33 – 13:44: Demonstração a solo do Dassault Rafale
- 13:45 – 13:52: ATR 72‑600
- 13:53 – 14:00: Airbus A350‑1000
- 14:01 – 14:11: Potez Fouga CM170
- 14:12 – 14:24: North American T‑28C Trojan
- 14:25 – 14:31: Dassault MD 311 Flamant
- 14:32 – 14:42: Eurofighter Typhoon
- 14:43 – 14:51: North American P‑51 Mustang
A selecção alterna de propósito entre aeronaves históricas, aviação civil e caças de primeira linha, para manter o ritmo variado e o público sempre atento.
De cargueiros a voo quase silencioso: primeiros destaques
Airbus A400M: força e rigor
A abertura do programa cabe ao Airbus A400M, o transporte militar europeu que parece, em todos os aspectos, um verdadeiro “animal de trabalho” do ar. As duas passagens estão dedicadas a largadas de pára-quedistas, evidenciando a capacidade do avião para colocar tropas e equipamento directamente numa zona de operação.
Em Le Bourget, não se trata apenas de uma passagem rápida. O A400M aproxima-se a baixa velocidade, com a rampa traseira aberta, enquanto os pára-quedistas avançam para o vento numa sequência bem alinhada. Depois, a tripulação volta a posicionar-se para uma segunda corrida, mostrando a rapidez com que a aeronave consegue reconfigurar-se para repetir a largada.
Extra 330 EVAAE: acrobacia de lâmina
Assim que o grande transporte liberta o espaço aéreo, entra em cena o Extra 330. Este acrobático, extremamente ágil e pilotado por elementos de elite da Força Aérea e Espacial francesa, troca a potência bruta por precisão e elegância. Contem com “snap rolls”, passagens em “knife‑edge” e loopings apertadíssimos que impressionam pela proximidade e rapidez.
No contexto do salão, o Extra cumpre dois objectivos: entreter e servir de montra de recrutamento. A rotina sublinha o nível de sensibilidade aos comandos e de controlo fino exigido a um piloto de caça moderno, mesmo que aqui se trate de uma máquina desportiva com motor a pistão.
Inovação eléctrica e ultraleve
As duas actuações seguintes apontam para um futuro com menos emissões.
- Pipistrel Velis Electro – Um biplace totalmente eléctrico cujo grande trunfo é o silêncio quase total. Sem o “estrondo” de um motor convencional, o público consegue ouvir o assobio do ar a circular - uma sensação rara num grande salão aeronáutico.
- JMB Aviation VL3 Turbine – Um ultraleve de linhas muito limpas, equipado com motor de turbina, combinando a compacidade típica da classe com resposta imediata e boa performance de subida.
Em conjunto, estes modelos ilustram como fabricantes mais pequenos estão a testar soluções de propulsão - de baterias a turbinas compactas - na procura de um voo mais limpo e mais eficiente.
Património acrobático e poder de fogo de asas rotativas
Mudry CAP‑10: o ginasta clássico
Depois de uma breve pausa, o CAP‑10 relembra que a acrobacia não é uma moda recente. Este treinador francês, construído com uma combinação de madeira e metal, afinou durante décadas a percepção de forças G e a recuperação de atitudes invulgares em milhares de alunos, muito antes de estes passarem para reactores.
A demonstração é menos agressiva do que a do Extra 330, mas extremamente pedagógica: sequências suaves e contínuas mostram, com clareza, fundamentos como loopings, rolagens e entradas em perda, tudo com uma fluidez elegante.
Airbus EC665 Tigre: ameaça a baixa altitude
O ritmo muda de forma evidente quando surge o helicóptero de ataque Tigre, a baixa altura. Dois motores, canhão na barbeta e pequenas asas para armamento criam uma silhueta inconfundível. Aqui, a apresentação assemelha-se mais a um cenário de combate simulado do que a um simples sobrevoo.
Curvas apertadas, deslocamentos laterais rápidos e subidas bruscas simulam como o Tigre voaria colado ao terreno e se reposicionaria numa missão real.
Para quem assiste, fica claro como estes helicópteros sobrevivem graças à agilidade, e não à velocidade pura: “escondem-se” atrás de cobertura imaginária e apontam a torre de sensores para a “ameaça”.
Clássicos da aviação geral e jactos executivos
Beechcraft Bonanza e OV‑10 Bronco: do voo privado à contra-insurgência
O Beechcraft Bonanza, em produção contínua desde a década de 1940, traz um tipo de voo mais familiar, típico de aeródromo de clube. Linhas limpas, trem retráctil e uma cabine confortável fizeram dele uma referência para proprietários privados - e essa herança continua a falar aos fãs de aviação geral.
Logo a seguir, o North American OV‑10 Bronco apresenta um contraste total. Criado para reconhecimento armado e apoio aéreo aproximado, este bimotor de dupla deriva foi pensado para operar em pistas rudimentares e patrulhar baixo e devagar sobre zonas de conflito. Em Paris, a performance em curto campo e as curvas apertadas continuam a impressionar, mesmo muitas décadas após o primeiro voo.
Dassault Falcon 6X e ATR 72‑600: negócios e ligações regionais em destaque
Antes de os caças dominarem a tarde, há espaço para ver, no ar, um pouco do que é viajar com conforto premium e do que é o transporte do dia-a-dia.
- Dassault Falcon 6X – Jacto executivo de longo curso, com cabine ampla e uma asa de desenho sofisticado, concebido para transportar executivos e delegações governamentais entre continentes com poucas escalas.
- ATR 72‑600 – Turboélice regional muito utilizado em rotas curtas. Na demonstração, sobressaem perfis de descolagem discretos em ruído, subida eficiente e distâncias curtas de aterragem - aspectos críticos para aeroportos secundários.
Vê-los a voar, e não apenas parados em exposição estática, dá aos visitantes uma noção concreta de gradientes de subida, pegada sonora e comportamento na aproximação.
Caças de primeira linha e “bandeiras” de fuselagem larga
Dassault Rafale e Eurofighter Typhoon: rivais europeus no mesmo céu
A demonstração a solo do Rafale é um dos momentos mais aguardados do dia. O caça multifunções francês executa um programa desenhado para evidenciar agilidade: mudanças bruscas de atitude, curvas muito fechadas sob elevada carga G e passagens lentas com o nariz alto, revelando a sofisticação dos seus sistemas de controlo de voo.
A actuação do Rafale a solo mostra como os caças modernos combinam impulso e estabilidade assistida por computador para se manterem controláveis em ângulos extremos.
Mais tarde, o Eurofighter Typhoon assume o protagonismo, representando uma filosofia diferente de superioridade aérea na Europa. A rotina dá ênfase a subidas em espiral, acelerações rápidas e mudanças de direcção que reforçam o seu papel de interceptor de alta energia.
Ver ambos na mesma tarde permite uma comparação rara, quase lado a lado, das aeronaves de combate de maior destaque da Europa - para muitos visitantes que normalmente as conhecem apenas pelas notícias.
Airbus A350‑1000: um gigante de longo curso num circuito apertado
A passagem do A350‑1000 é pensada directamente para entusiastas e decisores das companhias aéreas. Em operações normais, este modelo passa horas em cruzeiro, longe do olhar do público. Em Le Bourget, a tripulação “condensa” as capacidades em minutos: descolagem com ângulo marcado, subida com redução de ruído, curvas surpreendentemente ágeis para uma fuselagem larga e uma aproximação cuidadosamente coreografada.
A demonstração volta a reforçar os argumentos de venda: menor consumo, estrutura avançada em compósitos e uma cabine muito silenciosa - ainda que este último ponto, naturalmente, não seja algo que se consiga comprovar da linha do público.
História viva: treinadores, aeronaves de ligação e clássicos de guerra
Do Fouga Magister ao T‑28 Trojan e ao MD 311 Flamant
O Fouga CM170 Magister aparece com a sua cauda em V e fuselagem esguia, lembrando a era inicial do treino a jacto na Europa. O som característico e o rasto de fumo evocam décadas de formação de pilotos e de exibições acrobáticas em forças aéreas europeias.
O North American T‑28C Trojan acrescenta um tom mais musculado. Nascido como treinador naval, introduziu gerações de pilotos da Marinha dos EUA ao manuseamento de aeronaves a pistão potentes e, mais tarde, também cumpriu missões de ataque ligeiro. O roncar do motor radial é inconfundível sobre os arredores de Paris.
A fechar este bloco, o Dassault MD 311 Flamant completa o tema histórico de treino e ligação. Este bimotor do pós‑guerra foi usado em navegação e treino multimotor, além de transporte ligeiro. No salão, funciona quase como um museu voador, mostrando as linhas e o “andar” típico da aviação dos anos 1950.
P‑51 Mustang: um final emotivo
A última demonstração da tarde pertence ao P‑51 Mustang, provavelmente o caça a pistão mais famoso da Segunda Guerra Mundial. Assim que o motor Merlin ganha rotação na descolagem, o ambiente junto à vedação muda: as conversas baixam, as câmaras sobem e muitos visitantes mais velhos acompanham em silêncio concentrado.
A passagem final do Mustang liga todo o programa às suas origens: da inovação em tempo de guerra aos caças de alta tecnologia que hoje patrulham os céus europeus.
Passagens baixas, rolagens em barril suaves e uma subida em curva exibem mais a elegância do avião do que a sua ferocidade em combate, mas a mensagem é inequívoca. O salão recorre a este veterano para homenagear tripulações que voaram em circunstâncias muito mais duras do que uma tarde de verão soalheira nos arredores de Paris.
Como o programa se encaixa
Uma linha temporal tecnológica numa única pista
| Era | Aeronave representativa | Função |
|---|---|---|
| Segunda Guerra Mundial | P‑51 Mustang | Caça de escolta de longo alcance |
| Primeira era do jacto e pós‑guerra | Fouga CM170, T‑28 Trojan, MD 311 Flamant | Treino e ligação |
| Guerra Fria e conflitos de baixa intensidade | OV‑10 Bronco | Reconhecimento armado e apoio aéreo aproximado |
| Aviação civil moderna | ATR 72‑600, Falcon 6X, A350‑1000 | Transporte regional, executivo e de longo curso |
| Militar contemporâneo | A400M, Tigre, Rafale, Typhoon | Transporte, helicóptero de ataque, caças multifunções |
| Conceitos emergentes | Velis Electro, VL3 Turbine | Aeronaves ligeiras eléctricas e com turbina |
Ao coser estas épocas numa só tarde, os organizadores transformam o programa de voo numa linha temporal visual. Torna-se fácil perceber a evolução do desenho aerodinâmico, dos materiais e da propulsão - desde comandos com cobertura em tecido até sistemas electrónicos de controlo por fios.
Perspectivas práticas para visitantes e estreantes
Compreender termos comuns num salão aeronáutico
Para quem não está habituado ao vocabulário da aviação, há expressões que se ouvem constantemente em Le Bourget:
- Exposição estática: aeronaves estacionadas no solo para observação de perto. O horário de sábado refere-se apenas às demonstrações em voo.
- Aeronave histórica: avião militar antigo, frequentemente restaurado por entusiastas ou museus, que voa sobretudo em eventos patrimoniais e ocasiões públicas.
- Forças G: a carga adicional sentida em curvas ou “pull‑ups”. Pilotos acrobáticos em aviões como o Extra 330 enfrentam com frequência forças várias vezes superiores ao próprio peso.
Conhecer estes termos ajuda a interpretar o que se vê: uma “curva de alta G” do Typhoon, por exemplo, não é só uma viragem apertada - é também uma manobra fisicamente exigente para o piloto.
Planear a visita e ajustar expectativas
Para quem vai a Le Bourget num dia público particularmente concorrido, o voo quase contínuo significa que há sempre algo no ar, mas também que as pausas são curtas. A protecção auditiva faz diferença, sobretudo para crianças, porque o Rafale, o Typhoon e o Mustang podem ser ruidosos mesmo à distância.
Outra estratégia útil é escolher um tema. Há quem siga sobretudo os caças modernos; outros preferem os aparelhos históricos ou a tecnologia de baixo carbono. Nesse sentido, o programa de sábado, 21 de junho, tem variedade suficiente para todos: caças de ponta, treinadores eléctricos, “trabalhadores” regionais robustos e finais emotivos com aeronaves históricas - tudo a partilhar o mesmo troço de alcatrão a norte de Paris.
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