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Samvel Karapetian denuncia quase 100 detenções da oposição da Arménia nas eleições parlamentares

Homem escoltado por dois polícias em frente a um edifício com urnas de votação visíveis no interior.

Detenções denunciadas por Samvel Karapetian no dia de voto

O dirigente da oposição da Arménia, Samvel Karapetian, afirmou este domingo que, nos últimos dias, foi detida quase uma centena de apoiantes seus, numa altura em que foi votar nas eleições parlamentares.

"As detenções estão a acontecer mesmo agora entre os nossos partidários. E ontem e hoje. Cerca de 100 foram detidos", declarou aos jornalistas, em declarações citadas pela agência de notícias espanhola EFE.

Karapetian, que teve autorização para sair do regime de prisão domiciliária a fim de exercer o voto, salientou que o essencial é garantir "um Governo legítimo que possa decidir o futuro do país com independência", sem interferências externas.

Política externa: diplomacia equilibrada

No plano externo, Karapetian defendeu uma via diplomática equilibrada, na qual o país do Cáucaso mantenha boas relações com a Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia (UE).

Forças políticas e sondagens das legislativas

Empresário russo-arménio, Karapetian está detido há quase um ano por, alegadamente, ter apelado ao derrube das autoridades. Tal como outros nomes da oposição - entre os quais o ex-presidente Robert Kocharian -, tem sido alvo de acusações de proximidade a Moscovo.

O seu partido, Arménia Forte, cujos deputados foram acusados de tentar manipular as eleições através do pagamento de subornos em troca de votos, reúne uma intenção de voto entre 10% e 16%.

Já o Contrato Cívico do primeiro-ministro Nikol Pashinian lidera as sondagens com mais de 30% das intenções de voto, ainda que não seja garantido que consiga renovar a maioria parlamentar.

Rússia, UE e tensões recentes

Depois de votar, Pashinian admitiu hoje que a Arménia ainda não está preparada para avançar com um pedido de estatuto de país candidato à UE. Por esse motivo, afastou, por agora, a possibilidade de saída da União Económica Eurasiática, liderada pela Rússia.

A Rússia, que nas últimas semanas aplicou sanções a produtos arménios devido à aproximação de Erevan à UE, avisou que a perseguição à oposição política lançava dúvidas sobre a legitimidade da votação de hoje.

A Arménia e a Rússia têm séculos de história partilhada e são aliadas a nível formal.

Ainda assim, Erevan tem intensificado as críticas a Moscovo desde que perdeu, em 2023, o enclave de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão, apesar de estar no terreno uma força russa de interposição.

A Arménia chegou mesmo a suspender a participação num pacto de segurança regional liderado pela Rússia.

Desde então, tem reforçado a aproximação à UE e aos Estados Unidos.

Em 2025, a Arménia aprovou uma lei que assume oficialmente a intenção de se candidatar à UE.

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