O verão traz praia, dias quentes e férias e, para muita gente, significa também longas viagens de carro. Em poucos dias, acaba-se por somar uma quilometragem que, em circunstâncias normais, só se faria ao longo de vários meses.
Como é natural, muitas horas ao volante, com o carro carregado e com temperaturas frequentemente (anormalmente) elevadas, acabam por «passar a fatura» à mecânica. E se a manutenção não estiver em dia, há um risco real de uma viagem agradável em família (ou com amigos) acabar… em cima do reboque.
Para reduzir ao máximo as surpresas desagradáveis, reunimos um conjunto de dicas - ou uma lista de verificação (checklist), se preferir - com tudo o que deve confirmar no carro antes de arrancar. O objetivo é simples: diminuir a probabilidade de ficar parado na berma com o capô aberto.
1. Revisão
Não há grande margem para dúvidas: se tem uma luz acesa no painel há algum tempo e está a preparar viagens de carro nas férias, faz sentido passar na oficina antes de partir e cumprir o plano de manutenção definido pela marca.
Se a data da revisão estiver próxima, o mais sensato é antecipá-la alguns dias (ou mesmo semanas). É a forma mais segura de validar se o carro está realmente pronto para viajar e, caso seja necessário substituir alguma peça, garante que há tempo suficiente antes do dia da partida.
2. Nível de óleo
Como sabe, o óleo é determinante para o bom funcionamento do motor - e por isso vale a pena ter em conta alguns pontos essenciais.
O nível tem de ficar dentro dos limites indicados pelo fabricante: nem abaixo, nem acima (até para evitar situações como casos de autocombustão). Assim, antes de se fazer à estrada, recomendamos que confirme o nível de óleo e que o reponha se for necessário.
Se o carro esteve muito tempo parado ou se a substituição do óleo está quase a vencer, não hesite: troque o óleo. Aqui, tal como noutras situações, o ganho não está em poupar.
3. Nível do líquido de refrigeração
Já que está com a «mão na massa» a verificar o óleo, aproveite para confirmar também o nível do líquido de refrigeração. Importa sublinhar: falamos de líquido de refrigeração e não de água, uma vez que a água é corrosiva e, por isso, não deve ser utilizada no circuito.
Tal como no óleo, também aqui é obrigatório respeitar os valores definidos pelo fabricante. Além disso, pode ser boa ideia substituir o líquido de refrigeração, já que, com o passar do tempo, tende a tornar-se uma solução eletrolítica devido ao contacto com metais, passando a atuar como agente corrosivo.
4. Travões e pneus
Antes das habituais viagens longas de verão, é indispensável verificar travões e pneus.
No caso dos travões, se notar algo fora do normal ao travar - como o carro a guinar para um dos lados, desequilíbrios - ou se ouvir a típica “chiadeira”, isso pode ser sinal de pastilhas a precisar de reforma.
Quanto aos pneus, comece pelo básico: confirme a pressão. Depois, avalie o desgaste e veja se ainda existe piso ou se já se aproximam mais de pneus slick.
Outro ponto importante é a idade do próprio pneu - este artigo explica onde a encontrar. Mesmo que o rasto pareça aceitável, a borracha de um pneu velho perde propriedades e pode até estar ressequida, aumentando o risco de menor aderência ou, no limite, de rebentamento.
5. Luzes
Se formos honestos, poucas coisas são tão desagradáveis numa viagem noturna como cruzarmo-nos com aqueles carros «zarolhos», em que só um dos faróis funciona.
Para não fazer parte dessa lista, verifique todas as luzes do carro antes de viajar. Idealmente, peça ajuda a alguém para ficar no exterior e confirmar se está tudo a funcionar; em alternativa, pode fazê-lo sozinho, estacionando perto de uma parede para observar o reflexo das luzes.
6. Limpa para-brisas
Aqui há dois pontos a confirmar. O primeiro é o estado das escovas: é raro, mas também chove no verão. E poucas coisas irritam tanto como escovas do limpa pára-brisas que sujam mais do que limpam - ou que oferecem uma “chiadeira” constante e arrepiante.
O segundo ponto é o nível do líquido do limpa pára-brisas. Depois de um dia em estradas de terra batida perto da praia, vai perceber como esse líquido faz falta - sobretudo se tiver de conduzir com um pôr do sol bem de frente.
7. Direção
Por fim, a última recomendação antes de uma viagem longa prende-se com a direção.
Esteja atento a vibrações no volante, especialmente a velocidades mais altas - pode ser sinal de uma roda desequilibrada -; e verifique também se, ao largar o volante numa reta plana e a velocidade constante, o carro «puxa» para um dos lados, o que normalmente indica direção desalinhada.
Se sentir algum destes sintomas, identifique a causa e resolva-a. Não é só uma questão de conforto ao conduzir: existem também implicações ao nível da segurança.
Com estas verificações em dia e o carro em ordem, pode seguir viagem bem mais tranquilo - até ao fim do mundo, se quiser (ou ao Algarve, vocês decidem).
Só falta desejar-lhe uma boa viagem e um ótimo verão ao volante.
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