138 anos e uma vida cruzada com o JN
Centenas de meses, dezenas de milhares de dias: 138 anos são tempo a mais para caberem numa crónica com pouco mais de dois mil caracteres (com espaços, como nós fazemos as contas). E nem sequer haveria aqui espaço - nem eu teria o talento - para contar, ainda que só, os últimos 38 anos: aqueles que partilho, não tanto com uma “instituição” (palavra com cheiro a naftalina), mas com as pessoas que deram, dão e darão vida a este jornal.
As pessoas que fazem o jornal (e fazem o JN)
Cheguei a imaginar transformar esta crónica numa lista de 138 nomes. Depois percebi o quão curto isso ficaria; e que, se fosse escolher, o critério de ter gostado mais de trabalhar com uns do que com outros não seria justo. E, pior ainda, acabariam por ficar de fora alguns que já não estão cá - seja porque a vida tem um limite, seja porque decidiram seguir outra.
E, por fim, porque seria empobrecedor lembrar apenas jornalistas. O que teria sido a minha história partilhada com a do JN sem os gráficos, os motoristas, os contínuos, as secretárias, a equipa da publicidade, os recursos humanos, os revisores, os informáticos, a contabilidade, os administradores, os acionistas, o marketing e tudo o resto que, por aqui, se faz.
Para citar a Rita (perdoem-me os restantes, mas foi ela quem o escreveu há dias, na sua declaração de amor ao JN), este é um jornal que "tem várias pessoas dentro. Todos os dias". São nomes e histórias guardados em muitas gavetas da nossa memória coletiva - e não merecem ficar dependentes da recordação de uma única pessoa.
Velas sopradas, despedidas e chegadas
Já soprei muitas velas ao JN: velas reais e velas imaginadas, até porque nem sempre houve bolo. Assisti a instantes de tristeza, desespero e despedidas, mas vi ainda mais momentos de glória, de esperança e de chegadas. Já vi chorar e rir; eu próprio já chorei e ri. Acontece também noutros sítios, claro - mas no JN, disso tenho a certeza, porque este é o meu lugar, a vida sente-se com outra intensidade.
Para acabar, as palavras de António José Seguro
E como fechar, pensei eu. Talvez seja preguiça, falta de jeito ou vaidade, mas fico-me pelas palavras de António José Seguro, o presidente que defende o "chão comum" onde cabem todos, incluindo os que não sabem uma única palavra de português: "Do coração do Porto para todo o país, o JN tem sido a voz firme e livre do Norte, escrita ao ritmo das suas ruas, da sua coragem e da sua alma. Um jornal que continua a nascer todos os dias com a mesma força do Douro e a mesma paixão das suas gentes."
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