Paris está prestes a tornar-se a primeira grande capital europeia a banir as trotinetas elétricas. Depois de ter sido uma das cidades pioneiras, em 2018, na adoção desta solução de mobilidade individual, a capital francesa prepara agora a proibição, com entrada em vigor já a 1 de setembro.
Referendo em Paris sobre as trotinetas elétricas
A possibilidade já vinha a ser defendida pela presidente da Câmara Municipal, Anne Hidalgo, e acabou por receber validação este domingo junto dos parisienses. Os residentes foram chamados a pronunciar-se num referendo e 90% dos participantes escolheram proibir estes veículos.
Importa, ainda assim, contextualizar a participação: dos 1,3 milhões de inscritos elegíveis para votar, apenas 103 mil pessoas foram às urnas, o que corresponde a uma taxa de participação de 7,4%. Apesar da elevada abstenção, o resultado não diminui a vontade expressa por quem votou - pelo menos na leitura de Anne Hidalgo, que descreveu o desfecho como “uma vitória da democracia local”.
"Obrigado a mais de 100 000 parisienses que se expressaram: é uma bela vitória da democracia local. Mais uma vez, Paris soube inovar!
Os parisienses pronunciaram-se massivamente contra as trotinetas de autosserviço; vamos pôr fim a isso até 1 de setembro."
- Anne Hidalgo (@Anne_Hidalgo) 2 de abril de 2023
Proibição a partir de 1 de setembro e contratos com Lime, Dott e Tier
Ainda assim, este referendo tem caráter apenas consultivo, pelo que a decisão terá, formalmente, de ser aprovada pela Câmara Municipal de Paris. No entanto, tudo indica que será uma mera formalidade, uma vez que a própria presidente já anunciou (no Twitter) o fim desta modalidade de transporte a partir de 1 de setembro - exatamente um dia após o término dos contratos entre o município e as três empresas privadas que operam na cidade: Lime, Dott e Tier.
Atualmente, Paris conta com cerca de 15 000 trotinetas elétricas e, em média, realizam-se 400 000 viagens por mês com este tipo de veículos.
Trotinetas privadas a salvo
Esta medida não altera, em nada, a utilização de trotinetas elétricas privadas, tal como Anne Hidalgo já tinha esclarecido anteriormente. O alvo das críticas (e, na prática, da votação) sempre foi o modelo de aluguer em regime de autosserviço, que permite que as trotinetas sejam deixadas em qualquer local.
A somar a este problema, nos últimos meses têm-se acumulado acidentes e comportamentos de risco por parte de utilizadores deste tipo de veículo - razões mais do que suficientes para que, na votação deste domingo, muitos parisienses não tenham hesitado na sua escolha.
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