Há dias em que a falta de evolução não se deve ao plano de treino, mas a um pormenor que quase ninguém leva a sério.
Quem treina com regularidade reconhece o cenário: cumpre o programa à risca, sua, faz sacrifícios e, mesmo assim, a forma física parece ficar no mesmo sítio, a massa muscular quase não aumenta e os tempos não melhoram. É fácil culpar o treino, a alimentação ou a força de vontade. Só que, muitas vezes, o verdadeiro travão está noutro lado: numa regeneração gravemente subestimada.
Porque é que a cultura do desporto costuma rotular o descanso como fraqueza
A frase "no pain, no gain" ficou colada à cabeça de amadores e profissionais. Se não houver sofrimento, pensa-se que o esforço não foi suficiente. Este modo de pensar leva muita gente a acreditar que apenas sessões diárias, quanto mais duras melhor, geram progresso real.
O corpo humano não funciona assim. Stress contínuo, sem tempo para recuperar a sério, empurra-nos para um estado que treinadores e médicos conhecem bem: os ganhos estagnam, o risco de lesão aumenta e a motivação começa a cair. E na época fria, quando os músculos demoram mais a aquecer, o excesso de ambição cobra ainda mais caro.
"A regeneração parece pouco impressionante - mas é ela que cria a base para qualquer sensação de sucesso no desporto."
O que acontece de facto no corpo durante a recuperação
Muita gente assume que os músculos crescem enquanto se levantam pesos ou se fazem sprints. Parece lógico, mas não é assim. O treino, na prática, serve para lançar o estímulo. Nesse processo surgem microdanos nas fibras musculares, as chamadas microrroturas.
A parte decisiva começa depois, quando o treino já terminou. O organismo repara esses danos, reforça as estruturas e adapta-se à carga. Os especialistas chamam-lhe supercompensação: o corpo não só regressa ao nível inicial, como volta melhor - mais forte, com mais resistência e maior capacidade de tolerar esforço.
Se não houver descanso suficiente, esse efeito não aparece. Em vez de um ganho, surge uma perda: inflamações não diminuem como deviam, os músculos ficam permanentemente com sensação de "ressaca", e as hormonas responsáveis pela construção e adaptação saem do ritmo.
As consequências pouco faladas de fazer poucas pausas
Quem passa semanas e meses a dormir pouco e sem verdadeiros dias de descanso paga um preço elevado. Primeiro instala-se uma fadiga crónica. O treino que antes era fácil, de repente, torna-se um sofrimento.
Além disso, o equilíbrio hormonal tende a piorar: o factor de stress cortisol mantém-se elevado por muito tempo, enquanto a testosterona e a hormona do crescimento - os verdadeiros "ajudantes" do desenvolvimento - descem. O resultado:
- A massa muscular tende a diminuir em vez de aumentar
- A gordura corporal torna-se mais difícil de reduzir
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