Um “100th Anniversary Edition”? A Mazda faz carros há assim tanto tempo?
Atenção: não exactamente. O Jujiro Matsuda assumiu, em 1920, a empresa que viria a tornar-se a Mazda - só que, nessa altura, o negócio chamava-se Toyo Kogyo e estava mais virado para aplicações industriais de cortiça. Aguente-nos só mais um pouco…
Matsuda, que começou a vida profissional como aprendiz de ferreiro, terá depois orientado a empresa para o fabrico de maquinaria. Esse caminho acabou por desembocar na produção de veículos de três rodas, uma espécie de “tuk-tuk”, como o Mazda-Go de 1931, até que o primeiro automóvel de produção da marca - o Mazda R360 - chegou em 1960. Não estava à espera de uma aula de história hoje, pois não? Ainda assim, vale a pena ir espreitar o R360 no Google (depois de ler esta análise, claro): é um micro-coupé de duas portas e quatro lugares, muito giro, com um motor traseiro de dois cilindros, 360 cc e 16bhp.
Então, o que é que isso tem a ver com este Mazda CX-30 100th Anniversary Edition?
Agora sim, voltemos ao presente. Para o mercado do Reino Unido, a Mazda aplicou o pacote de 100.º Aniversário ao MX-5, ao Mazda3 de cinco portas e ao CX-30 (o SUV baseado no 3).
Nos três, a receita é semelhante: pintura exterior Snowflake White e um interior em pele bordeaux, muito bem conseguido, além de logótipos “100th Anniversary” nas jantes, nos encostos de cabeça e nos tapetes. Esta combinação de cores diz-se inspirada nas versões mais requintadas do antigo R360, e o emblema mistura o actual símbolo da Mazda, por cima do logótipo redondo original da Toyo Kogyo. Um detalhe com piada.
Especificação única, edição limitada e equipamento de série
Sim: só existe uma configuração possível. Apenas 100 exemplares do CX-30 100th Anniversary Edition vão chegar “às nossas praias” - cinco pontos na Internet a quem adivinhar o motivo - e todos serão exactamente iguais ao que está nas imagens.
Mesmo assim, o CX-30 já é, por si, um modelo com bom aspecto. Este branco muito vivo talvez não seja a forma mais favorável de o apresentar, sobretudo por causa do contraste forte com os arcos e pára-choques em plástico preto, mas continua a parecer bem mais moderno do que rivais como o Skoda Karoq, o Toyota C-HR e até o Volkswagen T-Roc.
Por dentro, então, é um regalo. O habitáculo do CX-30 “normal” já impressiona e é muito parecido com o do 3 em que assenta. O sistema de infoentretenimento é nítido e opera-se através da roda/selector central; os comandos da climatização estão separados desse sistema; e os bancos em pele são confortáveis e oferecem bom apoio. Nesta edição, a combinação de pele bordeaux/creme é simplesmente vencedora.
E, tendo em conta o preço de £31,695, a lista de tecnologia de série é generosa: iluminação LED, sistema de som Bose surround com 12 altifalantes, alertas de tráfego cruzado dianteiro e um sistema de apoio à condução em viagem e em trânsito capaz de assumir travagem, aceleração e direcção.
O que traz debaixo do capot?
Aqui está o ponto interessante: o motor Skyactiv-X, uma solução muito inteligente da Mazda. Na prática, é um 2.0 litros a gasolina, atmosférico, de quatro cilindros, que promete o binário em baixos e a eficiência de um diesel, sem perder a personalidade de um gasolina que gosta de rodar alto.
Para isso, recorre a um sistema chamado “Spark Controlled Compression Ignition”, que permite alternar, quando necessário, entre ignição por vela e ignição por compressão. Bem pensado.
O resultado é que não há necessidade de sobrealimentação, e a Mazda anuncia 178bhp (cerca de 131 kW) e 165lb ft de binário (cerca de 224 Nm), enviados às rodas dianteiras através de uma caixa manual de seis velocidades com um engrenar deliciosamente mecânico. No ensaio, também registámos 40.6mpg (aprox. 7,0 L/100 km), apesar de a marca indicar 47.9mpg no ciclo WLTP (aprox. 5,9 L/100 km). Para um 2.0 litros, são valores bastante bons - e ainda assim dá um 0-62mph de 8.5 seconds (0-100 km/h em 8.5 seconds).
Por vezes, o som lembra ligeiramente um diesel, mas há sempre resposta disponível, e o sistema mild-hybrid adicional ajuda no stop/start. Quanto ao resto da experiência de condução: a suspensão do CX-30 pode parecer um pouco firme para alguns, porém a direcção precisa e os travões bem afinados fazem dele um dos SUV compactos mais agradáveis de conduzir.
Vale o dinheiro?
Se já tinha o CX-30 debaixo de olho (ou se está simplesmente a procurar um SUV compacto que conduza muito bem), esta Edição 100.º Aniversário merece consideração. Sim, tem um lado de jogada de marketing e custa pouco mais de £3,000 face a um GT Sport Tech no topo da gama, mas este interior tem mesmo um aspecto e um toque de segmento acima.
A cor exterior pode não convencer toda a gente, mas comprar um dos 100 significa entrar num clube bastante exclusivo - e quem é que não quer isso?
7/10
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