Um dos veteranos do segmento B, o SEAT Ibiza - agora na quinta geração - recebeu uma atualização de «meia-idade».
O objetivo é claro: manter o utilitário espanhol competitivo num segmento repleto de propostas fortes (com vários modelos entre os mais vendidos) e, ao mesmo tempo, responder à «ameaça» dos B-SUV, mais versáteis e cada vez mais desejados.
Para perceber o que mudou no Ibiza revisto, testámos o 1.0 TSI na versão mais potente, com 110 cv, associado à caixa DSG e ao nível de equipamento mais desportivo, o FR.
Mudou, mas pouco
As aparências podem enganar e, num primeiro olhar, há quem nem dê por qualquer atualização no SEAT Ibiza.
Há, sim, novas jantes, uma nova assinatura cursiva que identifica o modelo na bagageira e, a partir de agora, os faróis LED passam a ser de série em toda a gama. Ainda assim, esperava um salto maior na diferenciação face ao modelo anterior.
Por dentro, tudo novo
No habitáculo acontece precisamente o contrário do exterior: quase tudo foi revisto. Desde logo, o ecrã central foi reposicionado para o topo do tabliê - uma solução mais ergonómica - e ganhou um grafismo mais atual.
Também o volante é novo, tal como as saídas de ventilação. Nesta versão, estas últimas têm o rebordo iluminado: resulta bem em termos visuais, mas à noite, sobretudo em estradas mal iluminadas, pode provocar reflexos indesejados nas janelas laterais.
Há ainda materiais novos, mais agradáveis ao toque. Porém, a sensação é de que a montagem piorou em alguns pontos face às versões pré-reestilização. A «culpa» parece estar nalguns ruídos parasita vindos do plástico que envolve as saídas de ventilação.
Apesar disso, o Ibiza continua a destacar-se como um dos modelos mais robustos do segmento, agora com um ambiente a bordo claramente mais jovem do que até aqui.
Mantém-se, no essencial, fiel a si próprio. Ao recorrer à plataforma MQB-A0, continua a ser um dos mais espaçosos do segmento, posicionando-se como uma alternativa interessante para uma família jovem.
Neste capítulo, os rivais mais diretos acabam por ser os seus «primos» alemão e checo, que assentam na mesma base.
E ao volante, está tudo igual?
Numa palavra: sim. E, neste caso, isso é uma boa notícia.
Em termos dinâmicos, o SEAT Ibiza mantém-se entre os mais capazes do segmento e continua a ser dos mais divertidos de conduzir, ficando muito perto de referências como o Ford Fiesta e o Toyota Yaris.
A direção continua precisa e rápida, mas o que mais aprecio é o equilíbrio no peso - nem demasiado leve, nem excessivamente pesada. Já o amortecimento segue pelo «mesmo caminho», oferecendo um compromisso feliz entre conforto e eficácia dinâmica, ao mesmo tempo que controla com competência os movimentos da carroçaria.
No motor 1.0 TSI, com 110 cv e 200 Nm, não se pode esperar que transforme o Ibiza num «foguete», mas há força suficiente para tirar partido das qualidades do chassis.
Em autoestrada, a estabilidade do Ibiza continua a merecer elogios. Além disso, este propulsor revelou-se capaz de manter boas velocidades de cruzeiro e ainda nos «presenteia» com consumos muito competitivos, na ordem dos 5,8 l/100 km.
No campo da eficiência, o 1.0 TSI mantém-se como uma das escolhas mais apelativas entre as motorizações não eletrificadas, sendo superado apenas por propostas híbridas como o Mazda2 Hybrid ou o Honda Jazz.
É o carro certo para si?
O SEAT Ibiza já era um dos utilitários mais completos do segmento e esta renovação acabou por reforçar os seus principais trunfos.
É certo que a SEAT podia ter ido mais longe na diferenciação estética - tal como a Volkswagen fez com o Polo, por exemplo -, mas aquilo que faltou em ousadia por fora sobrou no interior. E é lá dentro que o Ibiza passa a estar, pelo menos visualmente, mais alinhado com as propostas mais recentes do segmento.
Além disso, a marca espanhola reforçou a componente tecnológica (um tema particularmente relevante hoje), oferecendo ao Ibiza a tecnologia Full Link sem fios - compatível com Apple CarPlay e Android Auto -, um sistema de infoentretenimento com comandos por voz e novos sistemas de assistência à condução, que permitem condução semiautónoma (nível 2).
Os argumentos já conhecidos do SEAT Ibiza continuam tão fortes como antes: uma habitabilidade entre as melhores do segmento, um comportamento dinâmico de referência e, neste caso específico, um conjunto motor/caixa capaz de conciliar muito bem consumos e prestações.
Com tudo isto em conta, este utilitário pode mesmo ambicionar «voos mais altos», surgindo como uma alternativa mais acessível aos pequenos familiares do segmento acima.
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