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Dodge Charger regressa à Europa com versões elétricas e a combustão

Carro desportivo azul Dodge Charger R/T exposto numa sala de showroom com janelas grandes.

Retirada oficialmente do mercado europeu desde 2011 - numa fase em que a oferta incluía modelos como o Caliber, o Nitro ou o Journey - a Dodge está a preparar o regresso ao «velho continente» e fá-lo com aquele que é, provavelmente, o seu automóvel mais fiel ao imaginário americano: o Dodge Charger.

O modelo foi anunciado como o primeiro desportivo americano 100% elétrico, mas a verdade é que o Dodge Charger também mantém opções com motor de combustão, em parte para responder a um contexto que será abordado mais adiante.

E, apesar de o mercado europeu estar fortemente orientado para a eletrificação, o Charger não deverá chegar à Europa apenas em versões alimentadas por eletrões.

Gama prevista para a Europa: Sixpack e Daytona do Dodge Charger

Mesmo sem confirmação das especificações finais para a Europa, a Dodge já assegurou que o Charger será oferecido nas configurações Sixpack (motor de seis cilindros em linha) e Daytona (elétrico). Com base nos dados do modelo nos EUA, já é possível antecipar o que estas versões poderão significar em desempenho.

Desempenho e autonomia nas especificações dos EUA

De acordo com a ficha do mercado norte-americano, o Charger R/T recorre ao motor Hurricane de seis cilindros em linha, com 3,0 litros e biturbo. Entrega 426 cv e 634 Nm de binário, valores que permitem cumprir a aceleração dos 0 aos 96 km/h (0 às 60 mph) em 4,6s.

No nível imediatamente acima surge o Charger Scat Pack, que utiliza o mesmo bloco, mas sobe para 558 cv e 719 Nm. Aqui, o arranque dos 0 aos 96 km/h é feito em 3,9s.

Já o Charger Daytona Scat Pack aposta numa solução totalmente elétrica. A bateria de 100,5 kWh alimenta um sistema de tração integral com dois motores elétricos, para um total de 679 cv e 849 Nm. O resultado anunciado é uma aceleração dos 0 aos 96 km/h em 3,3s e uma autonomia de até 430 km, de acordo com o ciclo norte-americano.

Declaração da Dodge para o mercado europeu

Sobre esta estratégia, o responsável da Dodge na Europa, Fabio Catone, afirmou: “Trazer o Charger de volta à Europa é um momento significativo para a marca. Significa reintroduzir junto dos clientes um nome icónico da indústria automóvel americana, valorizado pelo seu carácter e autenticidade”.

Europa como salvação?

A chegada do Dodge Charger à Europa acontece numa fase em que as vendas do desportivo americano continuam muito aquém do que eram as do anterior Challenger e do anterior Charger nos Estados Unidos (o novo Charger passou a substituir ambos).

Se antes a Dodge conseguia vender com facilidade, em cada trimestre, cerca de 20 000 unidades do Charger e Challenger, hoje o cenário mudou de forma evidente.

No primeiro trimestre de 2026, a Dodge comercializou apenas 240 unidades do Charger Daytona elétrico nos EUA, o que representa uma queda de 88% face às (já reduzidas) 1947 unidades registadas no mesmo período de 2025.

As variantes com o motor de seis cilindros chegaram mais tarde, com a expectativa de ajudarem a «salvar» as vendas, mas ainda não o conseguiram. Essas versões estrearam-se com somente 1672 unidades vendidas no primeiro trimestre de 2026.

Ainda assim, aguardam-se desenvolvimentos relevantes, possivelmente ainda este ano, com destaque para um potencial regresso do muito desejado motor Hellcat V8 ao desportivo - algo que a Ram já fez, de forma marcante, na carrinha.

Neste contexto, a Europa aparece, de forma algo inesperada, como mais uma possível «tábua de salvação» para aumentar o escoamento. No entanto, entre a falta de procura por desportivos elétricos e o apetite pelas versões a gasolina, resta perceber se esta aposta fará, de facto, sentido.

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