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Veículos elétricos em fim de vida em Portugal: o destino das baterias nos centros de abate

Carro elétrico branco moderno estacionado em sala com carregadores de veículos elétricos.

Portugal é muitas vezes citado como um dos países europeus que melhor acompanha a adoção de veículos elétricos. Ainda assim, mantém-se uma dúvida teimosa: o que sucede quando estes automóveis chegam ao fim da «vida»? E, sobretudo, que destino têm as baterias?

A forma como as baterias são tratadas, a capacidade de resposta dos centros de abate, o valor residual dos veículos e a hipótese de uma segunda vida - tudo isto irá determinar, em larga medida, se a transição energética no setor automóvel é, de facto, sustentável ou se estamos apenas a empurrar o problema para mais tarde.

Por enquanto, os dados continuam a ser muito reduzidos, mas já se montam soluções. No ECAR Show 2026, Vítor Pereira, Presidente da ANCAV - Associação Nacional dos Centros de Abate de Veículos-, e Miguel Dias juntaram-se para conversar sobre o que já está em curso e sobre o que pode estar para vir, em mais uma edição do Auto Talks.

Uma gota no oceano

Ao longo de 2025, foram abatidas em Portugal cerca de 115 mil viaturas. Deste universo, só 460 eram eletrificadas - menos de meio ponto percentual do total. Para quem antecipava um cenário problemático nos centros de abate, a realidade, por agora, está longe disso: a pressão é praticamente nula. A razão é simples: oiça o episódio na totalidade para ficar a perceber porquê.

Mesmo assim, a trajetória é clara. Entre 2023 e 2025, o número de veículos eletrificados que entrou nos centros de abate aumentou em mais de 100%.

O verdadeiro problema

Existe, no entanto, um fator capaz de virar este quadro mais depressa do que se imaginava: a obsolescência tecnológica.

Num motor de combustão, o envelhecimento tende a seguir um padrão previsível. Há desgaste, há manutenção, e a expectativa de vida é, em grande parte, conhecida. Num veículo elétrico, a lógica muda. Pode manter-se operacional do ponto de vista mecânico durante décadas, mas ficar tecnologicamente ultrapassado muito antes disso.

A evolução das baterias, das plataformas de software, dos sistemas de assistência à condução e até da própria infraestrutura de carregamento pode fazer com que um elétrico atual se transforme, num horizonte de dez a quinze anos, num veículo difícil de manter, de reparar ou, simplesmente, de justificar do ponto de vista económico.

Além disso, surge a questão das baterias em si. Nos últimos anos, o destino das baterias dos carros elétricos em fim de vida tem sido uma incógnita que alimenta tanto o ceticismo face à eletrificação como a preocupação ambiental. Hoje, esse panorama começa a ficar mais definido, ainda que passo a passo.

O futuro

Vítor Pereira deixa uma ideia sem rodeios: os centros de abate em Portugal estão a ajustar-se e têm meios para responder ao que aí vem. Estão a ser criados e reforçados a formação dos operadores, os protocolos de segurança para trabalhar com baterias de alta tensão e os circuitos de encaminhamento dos vários componentes. O que ainda não existe, por agora, é volume.

Encontro marcado no próximo Auto Talks

Razões não faltam, por isso, para ver/ouvir a edição mais recente do Auto Talks, o novo formato editorial da Razão Automóvel, disponível nas plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.


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