Ah, uma Transit. Então isto não já foi testado?
Foi, sim. Aliás, temos um ensaio completo à carrinha mais vendida no Reino Unido - mas esta Transit em particular distingue-se por dois pontos fundamentais.
Porque é que este Transit é diferente
Antes de mais, o modelo em mãos não é a Transit “grande” tradicional: é uma Transit Custom, precisamente o tamanho de Transit que mais vende. Fica acima das pequenas Transit Courier e Transit Connect, mas abaixo da Transit clássica e da nova Transit de 2,0 toneladas. Sim, há mesmo uma família Transit bastante extensa.
E tal como acontece com as necessidades profissionais, também há Custom para vários formatos: pode ser configurada com distância entre eixos curta ou longa, e com teto standard ou elevado.
A segunda diferença é a solução mecânica. Num momento em que têm surgido muitas carrinhas 100% elétricas, a Ford optou por uma abordagem intermédia: em vez de ir diretamente para o elétrico puro, aposta aqui num híbrido plug-in como “ponte” para convencer empresas e estafetas a aderirem à eletrificação.
Ford Transit Custom PHEV: mecânica, autonomia e utilidade
E o que é que a move, afinal? Em vez do habitual diesel 2,0 litros, a Custom PHEV recorre a um motor elétrico de 92,9 kW que traciona sempre as rodas dianteiras. Já o motor a gasolina 1,0 EcoBoost da Ford, associado a uma caixa automática de uma só relação, entra em cena como extensor de autonomia, mantendo a bateria carregada de forma constante.
A bateria é uma unidade de iões de lítio com 13,6 kWh, instalada por baixo da zona de carga (já lá vamos). Totalmente carregada, permite uma autonomia 100% elétrica e de emissões locais zero de 35 milhas (cerca de 56 km). Numa tomada doméstica (ficha de três pinos), a carga completa demora 4,3 horas; com um carregador rápido Tipo 2, baixa para 2,7 horas. A Ford aponta ainda para 310 milhas (aprox. 500 km) combinando depósito cheio e bateria.
E continua a servir para levar carga? Sem dramas. Ao colocar as baterias de forma estratégica sob o piso, a Ford não só baixou o centro de gravidade do PHEV como manteve uma carga útil máxima de 1.130 kg - o suficiente para muitas entregas (sim, incluindo as de e-commerce) e para uma boa dose de material de construção.
Por enquanto, o PHEV só está disponível com distância entre eixos curta e teto baixo. Ainda assim, oferece 6 m³ de volume de carga - exatamente o mesmo que a versão diesel equivalente. Ponto a favor.
Na estrada, tecnologia, habitáculo e preço
E ao volante, como se porta? A Transit “normal” já é surpreendentemente competente na condução, e esta Custom mantém uma sensação bastante próxima de um automóvel (e isso é elogio). A direção tem um peso bem calibrado, a suspensão filtra as irregularidades com eficácia e, em estrada sinuosa, a carrinha mantém-se segura e previsível.
Onde há margem para afinação é na travagem regenerativa. Em modo D, o pedal de travão transmite pouca sensibilidade; já o modo L, semelhante a condução com um só pedal, é demasiado pronto a abrandar assim que se levanta o pé do acelerador, o que pode tornar a condução algo aos solavancos.
Também o motor de combustão podia ser mais polido. Quando a autonomia em modo elétrico se esgota, o pequeno três cilindros tem de trabalhar muito sob aceleração ou em subidas, e isso nota-se bem no ruído. Além disso, 124 bhp é um valor curto para um veículo deste porte; mesmo com o apoio do motor elétrico a arrancar bem nos semáforos, a Custom PHEV fica limitada a 75 mph (cerca de 121 km/h).
Há tecnologia “a sério”? Há, e os modos de condução merecem destaque. O EV Automático faz a gestão típica de híbrido, coordenando motor, bateria e tração; o EV Mais Tarde guarda a autonomia elétrica para usar quando fizer mais sentido; e o EV Agora utiliza de imediato a energia elétrica disponível. É uma forma muito eficaz de garantir circulação sem emissões locais em vilas e cidades.
A Ford acrescenta ainda um sistema inteligente de geocercas (geofencing) que muda automaticamente para modo elétrico quando se entra numa zona de baixas emissões. Prático - quase parece magia.
E o interior? Está num bom nível. Nas versões base, o infotainment resume-se a um ecrã TFT não tátil de 4,2 polegadas. Já as versões Trend e a Limited (topo) recebem um ecrã tátil de oito polegadas, com Apple CarPlay e Android Auto de série.
A posição de condução é elevada, como se espera, e os materiais são maioritariamente resistentes e fáceis de limpar. Em contrapartida, o volante tem uma sensação agradável ao toque e há imenso espaço para arrumação.
O Pacote Visibilidade opcional (£660) parece justificar-se: inclui câmara de estacionamento traseira, assistente de manutenção na faixa e espelhos rebatíveis.
A questão decisiva: quanto custa? Aqui é onde o PHEV pode perder muitos interessados. Pode ficar isento de taxa de congestionamento e os custos de utilização deverão ser inferiores aos de um diesel, mas uma Transit Custom “normal”, básica, começa nas £23,090 antes de IVA. A PHEV arranca nuns expressivos £46,765 e a Limited que conduzimos, com alguns opcionais e £780 de pintura metalizada, chegou às £55,491. Dói.
Ainda assim, a proposta de fazer pequenos percursos sem emissões locais, mantendo a capacidade de cumprir distâncias longas em autoestrada, pode encaixar bem em muitas empresas. E a melhoria de imagem, bem como a redução do impacto ambiental, também serão argumentos fortes.
7/10
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