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Volkswagen quer brilhar em Pikes Peak: do Golf BiMotor ao novo desafio

Carro desportivo eléctrico branco com detalhes azuis exposto em ambiente moderno, com imagem de montanhas ao fundo.

Há poucos dias, a Volkswagen divulgou a primeira imagem do automóvel com que quer alinhar na próxima Pikes Peak International Hill Climb. Só pelo aspeto, dá imediatamente a sensação de ser um carro muito veloz.

O projecto, desenvolvido em parceria com a Volkswagen Motorsport, está a avançar na sede em Wolfsburg, com o objectivo de atacar a lendária “corrida até às nuvens”.

A meta passa por bater o recorde “verde”, isto é, fazer a subida em menos de 8min57,118s, marca alcançada por Rhys Millen ao volante do seu eO PP100, também 100% eléctrico, no ano passado.

Talvez nem fosses nascido quando a Volkswagen se estreou em Pikes Peak: era 1985. Nesse mesmo ano, a marca apareceu na montanha com um Volkswagen Golf MK2.

Mas, como é fácil imaginar, não se tratava de um Golf comum - era um Golf BiMotor. Dois motores, um por eixo. Já passaram quase três décadas desde então…

Como surgiu o Golf bimotor?

Em 1983, um ano fantástico até porque foi aquele em que nasci, a Volkswagen decidiu instalar dois motores num Scirocco para tentar competir no Grupo B de rali. Além de contribuir para uma melhor distribuição de peso, os dois 1.8 atmosféricos, com 180 cv cada, somavam 360 cv de potência total. A ambição era aproximar-se do carro de referência da época, o Audi Quattro.

O Grupo B teve tanto de extraordinário como de trágico: a potência excessiva levou a acidentes recorrentes - por vezes fatais - que acabariam por ditar o seu fim em 1986. Com isso, a Volkswagen acabava por colocar na gaveta o projecto do Scirocco bimotor.

Ainda assim, a ideia era demasiado avançada para a época para ser deixada morrer. Por isso, em 1985, a marca aproveitou o conhecimento e a experiência adquiridos com o Scirocco e aplicou-os ao Golf. Objectivo: criar um carro com capacidade para conquistar Pikes Peak. Com apenas uma subida - se corresse bem - era possível obter o mesmo impacto mediático de uma época completa nos ralis.

Foi assim que, ainda nesse ano, o Golf BiMotor ficou pronto para enfrentar a mítica subida. Exibia guarda-lamas mais largos, uma traseira com sub-chassis tubular e dois motores preparados pela Oettinger, agora com 195 cv cada. No total, eram 390 cv e a promessa de chegar aos 100 km/h em apenas 4,3 segundos. Porém, os motores atmosféricos não tinham o “pulmão” necessário para lidar com o ar rarefeito acima dos 4000 metros de altitude.

Insistência da marca

Em 1986, a marca alemã voltou com uma versão revista. Os motores atmosféricos deram lugar a unidades sobrealimentadas, mais adequadas às grandes altitudes: dois 1.3 turbo provenientes do Polo, com 250 cv cada. Ainda assim, terminou num 4º lugar, sem conseguir acompanhar o Audi Sport Quattro S1, que venceu a prova.

Sem baixar os braços, em 1987 a Volkswagen regressou com a iteração mais radical do Golf BiMotor. De Golf, tinha pouco: era essencialmente uma silhueta assente num chassis tubular. Os motores estavam agora longitudinalmente montados, e passaram a ser dois blocos 1.8, com 16v de quatro cilindros turbo, cada um com 326 cv, totalizando 652 cv. O carro foi alargado e recebeu jantes e pneus de maiores dimensões. No conjunto - e mesmo com dois motores - o peso ficava-se por apenas 1020 kg.

Diz-se que, desta vez, o VW Golf BiMotor de 1987 chegou a liderar os treinos para a subida de Pikes Peak, mas acabou por ter problemas antes de atingir o topo, abandonando a prova.

O Volkswagen Golf BiMotor continua a existir e está no museu da marca, em Wolfsburg - mas, desta vez, a Volkswagen leva outro protagonista para Pikes Peak.

O que é Pikes Peak ?

A Pikes Peak International Hill Climb é um dos eventos de corridas mais conhecidos, realizado todos os anos. As suas origens recuam até 1916, quando a primeira prova foi organizada nas Montanhas Rochosas, perto de Colorado Springs.

Objetivo?

Cumprir os cerca de 20 kms da subida íngreme, com aproximadamente 156 curvas, até ao ponto mais elevado, a 4300 metros de altitude. Participar em Pikes Peak é encarado como uma montra de capacidade tecnológica e uma oportunidade para desenvolver sistemas sem as limitações de um regulamento.

Recorde absoluto

Sébastien Loeb mantém o recorde absoluto desde 2013, depois de completar a subida em 8min13,878s, ao volante de um Peugeot 208 T16 Pikes Peak.

Mas, se a Volkswagen não tem um grande historial em Pikes Peak, a “irmã” Audi já conta outra história. Na década de 80, a Audi venceu cinco das dez edições disputadas nesses anos. Em 1987, Walter Röhrl, ao volante de um Audi Sport Quattro E2 com um cinco cilindros 2.1 l turbo e, segundo consta, quase 1000 cv, registou o tempo de 10min47,850s.

Será desta que a Volkswagen consegue momentos de glória em Pikes Peak ?


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