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Peugeot 308 SW: primeiro contacto em Portugal

Peugeot 308 SW PHEV verde estacionado em interior com janelas grandes e luz natural.

A nova Peugeot 308 SW chega esta semana ao mercado português com um objetivo claro e ambicioso: assumir a liderança do seu segmento.

A tarefa está longe de ser simples. Além de competir no segmento C - um dos mais disputados -, enfrenta rivais com argumentos bem conhecidos. Ainda assim, tal como já tínhamos observado no novo 308 berlina, que entretanto testámos, a receita aplicada na 308 SW aponta-a como uma forte candidata a referência na classe.

Para perceber até que ponto isso se confirma, a Razão Automóvel marcou presença na apresentação nacional da 308 SW, num percurso entre Lisboa e Óbidos que incluiu de tudo um pouco: trânsito citadino, autoestrada e estradas secundárias mais irregulares e cheias de curvas.

A primeira híbrida plug-in

Neste itinerário conduzi a Peugeot 308 SW Hybrid de 180 cv, no nível de equipamento Allure Pack - uma configuração que poderá não ser a primeira escolha do cliente particular, mas que tende a interessar especialmente ao público empresarial.

A explicação é simples: pela primeira vez, a gama 308 passa a oferecer versões híbridas plug-in. Para além da de 180 cv que experimentei, existe também uma variante de 225 cv. Estas motorizações beneficiam de vantagens fiscais relevantes quando adquiridas por empresas, vantagens que não se aplicam aos particulares.

E tendo em conta que, na anterior 308 SW, cerca de 80% das vendas foram para empresas, a combinação carrinha + híbrida plug-in parece feita para resultar.

Confortável e refinada

Os primeiros quilómetros deixam uma impressão globalmente muito positiva. É fácil encontrar uma posição de condução correta, apesar de a nova 308 SW manter o i-Cockpit - agora numa evolução mais recente.

É verdade que continua a haver quem não se entenda com este conceito, mas no meu caso - porque costumo conduzir com o volante numa posição mais baixa - a solução funciona bem e não tapa a leitura do painel de instrumentos.

O volante, com topo e base achatados, oferece boa pega e depressa nos habituamos ao seu diâmetro, embora a dimensão se aproxime mais da de um pequeno desportivo do que daquilo que se espera, à partida, de uma carrinha familiar.

Em andamento, a Peugeot 308 SW destaca-se pelo conforto, ao absorver com eficácia as imperfeições do piso, e por um nível de refinamento elevado. Ainda assim, há margem para afinações, sobretudo em autoestrada, onde os retrovisores geram algum ruído aerodinâmico.

Em estradas mais degradadas ficou também evidente a boa robustez do conjunto: o habitáculo mantém-se sólido, sem ruídos parasitas. Outro ponto a favor vai para os materiais do interior de inspiração vanguardista, com grande parte a apresentar um toque e um aspeto muito agradáveis.

Rápida q.b. e curva muito bem

Apesar de acusar 1734 kg na balança - praticamente mais 260 kg do que a 1.5 BlueHDI com caixa automática -, a 308 SW Hybrid de 180 cv não desilude nem nas prestações nem no comportamento.

Neste primeiro contacto não foi possível explorar o modo elétrico (anuncia até 60 km de autonomia) nem apurar consumos, mas em modo híbrido mostrou-se sempre pronta a responder ao acelerador e, em autoestrada, sustenta sem esforço velocidades de cruzeiro elevadas.

A articulação entre os dois motores - o 1.6 PureTech a gasolina de 150 cv e o elétrico de 110 cv - é tão bem integrada que, muitas vezes, parece existir apenas uma unidade motriz, ajudada pela competente caixa automática de oito velocidades.

Nas secções mais sinuosas e com piso pior, a 308 SW revelou particular eficácia. Consegue preservar níveis elevados de conforto e, ao mesmo tempo, apresentar bom controlo dos movimentos da carroçaria e precisão do eixo dianteiro - uma Ford Focus Station Wagon ou uma SEAT Leon SportsTourer continuam a ser mais incisivas, mas a 308 SW cumpre muito bem.

Pessoalmente, preferi a direção no modo Sport, onde o volante ganha algum peso adicional, o que melhora a coerência entre o ritmo imposto, o esforço aplicado na direção e a resposta do eixo dianteiro.

308 SW, a estradista

Com uma condução mais tranquila e a tirar partido das qualidades de «carro da família» da nova Peugeot 308 SW, fica a promessa de viagens longas feitas com elevado conforto, bom isolamento face ao exterior e uma estabilidade muito competente em autoestrada.

No nível Allure Pack, o equipamento já é bastante completo e inclui elementos particularmente úteis em utilização familiar, como controlo de velocidade de cruzeiro adaptativo, saídas de ventilação traseiras, duas entradas USB-C para os passageiros do banco de trás e Apple CarPlay e Android Auto sem fios.

O espaço a bordo também convence. A 308 SW tem mais 55 mm de distância entre eixos do que o 308 carro, o que se sente nas dimensões interiores: há espaço suficiente para as pernas, embora existam concorrentes que conseguem oferecer ainda mais.

Já os 27 cm adicionais de comprimento face ao carro têm impacto direto na bagageira: os 608 l colocam-na entre as melhores do segmento. No entanto, este número aplica-se apenas às versões térmicas - 1.2 PureTech e 1.5 BlueHDI. Na Hybrid que conduzi, a capacidade baixa para uns ainda muito generosos 548 l, devido à bateria de 12,4 kWh instalada sob o piso da bagageira.

Hybrid mais indicado para empresas

Este primeiro contacto em Portugal com a nova Peugeot 308 SW torna fácil reconhecer que estamos perante uma das propostas mais sólidas e completas do mercado, com argumentos fortes que vão da tecnologia ao conforto em viagem.

Com a nova geração, fica também resolvida uma lacuna importante: a estreia das motorizações híbridas plug-in, cada vez mais determinantes para um bom desempenho comercial junto das empresas.

A 308 SW Hybrid de 180 cv Allure Pack que conduzi tem um preço de 42 250 euros, mas as empresas beneficiam de enquadramento fiscal favorável e podem ainda deduzir o IVA. Além disso, o TCO (Custo Total de Propriedade) fica abaixo do da 308 SW 1.5 BlueHDI; segundo o exemplo apresentado pela Peugeot (48 meses/60 000 km), isso traduz-se numa poupança de 18% por mês.

Para particulares, existem alternativas mais económicas a gasolina e a gasóleo, com preços a partir dos 27 mil euros para a 1.2 PureTech de 110 cv. Ainda assim, a nossa recomendação recai sobre o 1.2 PureTech de 130 cv, que custa mais 800 euros e adequa-se melhor ao papel de carro de família. Consultem todos os preços na ligação abaixo:

Nota: as imagens não correspondem ao modelo testado.


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