Uau! Mais um mini “crossover”…
Sim, ainda agora passaram uns três ou quatro minutos desde a última vez que leu sobre um carro deste género. Mas suspenda o cinismo por instantes: a Renault insiste que o Captur foi dos pioneiros. Quando apareceu, ali no início dos anos 2010, recordam-nos que a lista de escolhas era curta - basicamente este e o Nissan Juke. O facto de a Aliança Renault-Nissan tornar os dois parentes por baixo da carroçaria é, claro, um pormenor “sem importância”…
Bem, hoje já não existem só duas hipóteses.
Exacto. Se está mesmo decidido a ter um compacto com ar mais “levantado”, a oferta é tão variada e confusa quanto o painel de ingredientes numa Subway. Este Captur de segunda geração que aqui está é como pedir uma BMT carregada de carne, mas saltar o queijo para sossegar um cantinho da consciência. Porque, sim: caros habitantes da internet, trata-se de um híbrido.
Mas já não havia um?
De forma algo baralhadora, a Renault lançou primeiro um Captur híbrido plug-in e, só depois, este Captur híbrido que… não liga à tomada. E isso elimina uma das partes mais auto-satisfeitas de ter um SUV a gasolina e electricidade: gabar-se de quantos quilómetros consegue “deslizar” em silêncio num carro que não parece feito para isso.
Ok.
Em contrapartida, poupa-lhe um bom dinheiro - e, se não consegue carregar em casa, também lhe reduz a chatice. Este Captur Hybrid usa os mesmos componentes E-Tech (mecânicos e eléctricos) do PHEV e perde apenas um nadinha de potência, ao mesmo tempo que apresenta números “verdes” bem mais realistas. Falamos de 114 g/km de CO2 e 56,5 milhas por galão (mpg), o que dá cerca de 5,0 l/100 km. Em teoria, fica mais ou menos com um terço da “economia” do plug-in, mas na vida real é muito mais provável aproximar-se destes valores do que num teste de laboratório.
Diz-me os números que interessam.
Um motor a gasolina 1,6 litros atmosférico (lembram-se destes?) junta-se a dois motores eléctricos e a uma pequena bateria de 1,2 kWh para debitar 142 cv. Chega para empurrar os seus 1 472 kg dos 0 aos 100 km/h em 10,6 s e levá-lo até aos 171 km/h de velocidade máxima.
O que tem mais sumo, no entanto, é a caixa de seis velocidades sem embraiagem, com tecnologia que a Renault diz ter descido do seu trabalho na Fórmula 1. Sim, pode pôr uma libra no frasco do cliché da “referência vaga à F1”; ainda assim, como se pode ler com bem mais detalhe noutro sítio, a solução é deliciosamente nerd.
Libra paga. E como é que se porta longe de Eau Rouge ou da Rascasse?
É tudo muito descontraído - como se espera de um pequeno SUV automático. O Captur filtra bem as irregularidades, comporta-se de forma organizada em curva e limita-se a cumprir serviço sem o sacudir pelo colarinho - nem o convidar a fazer o mesmo com ele. E isso ajuda a ter a melhor hipótese possível de chegar a consumos equivalentes a mais de 50 mpg.
O sistema começa em modo eléctrico, faz marcha-atrás também só em eléctrico (não existe uma engrenagem mecânica para recuar) e consegue baixar as rotações do motor numa circulação estável ou quando vai a passo de caracol no trânsito. Por isso, apesar de não ter aqueles “30 milhas” de commuting sem emissões como argumento de capa, no dia a dia vai passar bastante tempo a rolar com uma serenidade apreciável. E rapidamente deixa de pensar nas trocas de modos: conduz-se como o automático sensato que é.
Quando, por outro lado, acelera com vontade para entrar numa via rápida ou fazer uma ultrapassagem, o motor faz-se ouvir - e bem. Um quatro cilindros atmosférico sem pretensões desportivas é quase uma espécie em extinção, e a voz de um Captur Hybrid a esforçar-se explica parte do motivo. No fundo, funciona como um lembrete adicional para aliviar e levar o ritmo com mais calma. Conduzido com desinteresse, é tão competente como qualquer outro pequeno SUV que me ocorra. Sendo justo, Ford Puma e Mini Countryman são dos poucos que, hoje, me despertariam verdadeiro interesse ao volante…
E o resto do conjunto?
Por fora, está com muito bom aspecto - sobretudo no nível R.S. Line, mais agressivo - embora colar “Renault Sport” nas embaladeiras (visível quando abre as portas) pareça um exagero. Agora que a divisão mais “rápida” da Renault foi absorvida pela Alpine, fica a pergunta sobre o futuro de um nome que durante tanto tempo viveu em Clio e Mégane marcantes. Se a herança acabar reduzida a apontamentos assertivos em pequenos SUV híbridos, é um pouco triste. As jantes de 18" que a versão traz chamam-se, ainda por cima, Le Castellet - e sim, é lá que actualmente se disputa o Grande Prémio de França. Mais uma libra para o frasco.
Por dentro, o ambiente é muito conseguido - especialmente com o ecrã maior de 9,3" das versões R.S. A fila traseira desliza para a frente e para trás e o infotainment, com um desenho suficientemente ousado, consegue distinguir-se do batalhão de SUVs do Grupo VW que enfrentam este Captur.
É caro?
Os preços do Captur E-Tech Hybrid começam nas 24 500 £, o que corresponde a mais 600 £ do que um Captur a gasolina de potência semelhante com turbo e caixa automática convencional - ou a mais 1 800 £ se estiver disposto a trocar de mudanças manualmente no TCe 140 de base.
Vendo o tema ao contrário, este Hybrid “normal” fica mais de 5 000 £ abaixo do plug-in. No saldo final, é uma proposta bastante interessante. E, tendo em conta que o Captur é o modelo mais vendido da Renault no Reino Unido, pode ser uma forma útil de reduzir um pouco as emissões enquanto continuamos a comprar crossovers com motor de combustão, em vez de passarmos directamente para eléctricos puros.
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