O provérbio popular lembra que um homem pode trocar de casa, de carro ou de emprego, mas nunca de clube. A Dacia pegou nessa ideia e transportou-a para o universo automóvel: quer demonstrar que um elétrico de entrada de gama pode mudar praticamente tudo… exceto o nome.
O muito falado “Twingo da Dacia”, que se prepara para mexer com o segmento dos citadinos elétricos acessíveis, deverá afinal receber - e conservar - o emblema Spring, em vez de Evader, como apontavam alguns rumores.
Esta confirmação surge numa altura em que a nova geração do citadino elétrico da marca romena se aproxima da estreia oficial, apontada para outubro, no Salão de Paris. Apesar de, nos bastidores, ser referido como “New Spring”, essa designação serve apenas para distinguir a evolução face ao modelo atual.
Na prática, tudo indica que o nome na carroçaria continuará a ser simplesmente Spring. A Dacia explica que a escolha passa por aproveitar a notoriedade de uma designação que, na Europa, se tornou praticamente sinónimo de mobilidade elétrica acessível.
Um Spring próximo do Twingo
Do ponto de vista técnico, este novo Spring estará muito alinhado com o novo Renault Twingo elétrico. Irá partilhar a mesma base e a filosofia de desenvolvimento, numa estratégia de contenção e racionalização de custos que o Grupo Renault tem intensificado.
Ainda assim, a Dacia não pretende apresentar uma cópia integral. O estilo deverá seguir a linguagem mais recente da marca, com inspiração nos seus SUV: superfícies mais vincadas, arestas mais definidas e linhas menos arredondadas, reforçando uma imagem mais robusta e prática.
Mesmo assim, as imagens de protótipos apanhados em testes de estrada apontam para proporções muito próximas das do Twingo, com tejadilho curvo, pilares traseiros inclinados e dimensões ligeiramente superiores às do Spring atualmente à venda.
Convém também notar que este novo modelo não irá substituir de imediato o Spring que já está no mercado. Durante algum tempo, os dois deverão coexistir. Em declarações à Autocar, o responsável de produto da Dacia, Patrice Lévy-Bencheton, afirmou: “ainda são bastante diferentes”.
O que já se sabe?
Para já, a Dacia continua discreta sobre os detalhes do seu futuro elétrico acessível, um modelo que deverá disputar o mesmo espaço de mercado do projeto E-Car da Stellantis.
Ainda assim, sabe-se que o novo Spring deixará de ser fabricado na China e passará a sair de uma linha de produção na Europa, lado a lado com o Renault Twingo.
No plano técnico, tudo aponta para a adoção de grande parte da solução do seu “primo” francês, incluindo uma bateria na ordem dos 27,5 kWh, que deverá permitir uma autonomia superior a 250 km em utilização combinada.
Mas o argumento decisivo continua a ser o preço. A Dacia já assumiu que o novo Spring deverá arrancar na ordem dos 18 mil euros, ficando abaixo do Twingo e reforçando o estatuto de um dos elétricos mais acessíveis do mercado europeu.
A segunda geração do Spring deverá ser revelado nos próximos meses, com estreia pública prevista para o Salão Automóvel de Paris, em setembro. A chegada aos concessionários deverá acontecer ainda antes do final deste ano.
Uma ofensiva elétrica que vai além do Spring
O Spring será apenas o ponto de partida. Ao longo dos próximos quatro anos, a Dacia quer acelerar a transição para a mobilidade elétrica, com a introdução de mais três modelos totalmente elétricos.
Um deles será o Sandero elétrico. Com base na plataforma CMF-B do Grupo Renault, a próxima geração do «rei das vendas» na Europa deverá incluir variantes a gasolina, híbridas e 100% elétricas, assumindo-se como uma proposta multienergia.
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