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Renault Scénic Vision: protótipo híbrido elétrico e hidrogénio em detalhe

Carro elétrico Renault Scenic Vision PHEV branco num showroom moderno com carregadores elétricos ao fundo.

A Renault revelou o Scénic Vision, um concept car que - como o próprio nome deixa antever… - antecipa a forma como a marca imagina o futuro do Scénic e, de forma mais ampla, a sua próxima etapa.

Além de apontar uma nova direção estética, propõe um habitáculo cheio de ideias pouco convencionais e aposta numa solução mecânica híbrida fora do padrão: é um elétrico com bateria, mas incorpora também uma pilha de combustível a hidrogénio.

Estivemos em Paris para ver este protótipo ao vivo e mostramos tudo em vídeo, da linguagem exterior ao interior, que reúne soluções que parecem saídas de um filme de ficção científica.

Elétrico a bateria ou elétrico com pilha de combustível? Porque não os dois?

Numa fase em que se discute se o caminho passa pelos elétricos a bateria ou pelos elétricos com pilha de combustível (a hidrogénio, como o Toyota Mirai, por exemplo), a Renault decidiu combinar as duas abordagens num só automóvel.

Na prática, temos um elétrico «normal», com motor alimentado por uma bateria recarregável como em qualquer VE, mas ao qual se junta uma pilha de combustível e um depósito de hidrogénio que funciona como extensor de autonomia.

A vantagem desta arquitetura é dupla: permite ir mais longe sem exigir baterias enormes (e pesadas) e possibilita reabastecer hidrogénio em cerca de cinco minutos - um tempo muito próximo do que se leva a encher um depósito de gasolina ou gasóleo num automóvel com motor de combustão interna.

Claro que tudo isto depende de existir uma rede de abastecimento disponível «ali ao lado», algo que, por enquanto, ainda está longe de ser uma realidade.

Como funciona?

Para dar vida ao Scénic Vision, os engenheiros da Renault usaram o motor elétrico do Mégane E-Tech Electric, com 160 kW (218 cv), e o conjunto de baterias mais pequeno, de 40 kWh, instalado por baixo do piso do habitáculo.

Só com esta parte do sistema, o protótipo já consegue operar como um elétrico 100% convencional, tal como o Mégane E-Tech Electric que já conduzimos.

Basta ligá-lo a um carregador exterior e fica pronto a circular como um elétrico a bateria - ou seja, um veículo elétrico a bateria.

A grande novidade surge com a integração de uma pilha de combustível com 16 kW de potência, colocada atrás dos bancos traseiros, alimentada por um depósito de hidrogénio com 2,5 kg de capacidade montado à frente, sob o capô.

Com isto, o protótipo passa a ser tecnicamente um híbrido: o motor elétrico pode funcionar apenas com a energia armazenada na bateria (carregada numa tomada doméstica, num carregador de parede ou num posto de carregamento), como num elétrico habitual.

Mas também pode ser alimentado exclusivamente pela eletricidade produzida na pilha de combustível, através da reação eletroquímica entre oxigénio e hidrogénio. Segundo a Renault, esta combinação permite apontar para uma autonomia máxima de até 800 km.

É uma solução pensada sobretudo para deslocações longas, somando quilómetros extra graças à pilha de combustível sem obrigar a instalar uma bateria gigantesca.

Ao chegar ao destino, e tal como num elétrico 100% a bateria, é possível voltar a carregar a bateria numa tomada ou num posto.

E como a pilha de combustível consegue gerar 16 kW, uma hora com este Scénic Vision a carregar “internamente” poderá traduzir-se num «ganho» de cerca de 100 km de autonomia.

Solução com futuro?

Em teoria, esta proposta é muito apelativa: mantém as virtudes de um elétrico e acrescenta a possibilidade de estender a autonomia em várias centenas de quilómetros, com reabastecimentos rápidos (hidrogénio) que ajudam a elevar ainda mais a autonomia total. Para quem faz viagens longas com frequência, isso pode ser determinante.

Ainda assim, durante a apresentação do protótipo, os próprios responsáveis da Renault reconheceram que o foco não foi a viabilidade económica desta solução híbrida, mas sim usar o concept como laboratório para amadurecer a tecnologia.

Mesmo assim, a marca já assumiu que acredita que este tipo de abordagem poderá tornar-se viável em automóveis de passageiros já na próxima década.

Imagem expressiva e sustentável

A sustentabilidade é o tema central do Renault Scénic Vision, e isso percebe-se de imediato no exterior: 70% dos componentes utilizados foram produzidos a partir de materiais reciclados, contribuindo para que este protótipo apresente uma pegada carbónica 75% inferior à de um Mégane E-Tech Electric.

A tinta preta da carroçaria, por exemplo, recorre a um pigmento desenvolvido a partir de carbono capturado em cidades com níveis de poluição mais elevados. As peças exteriores em fibra de carbono usam carbono reciclado, anteriormente aplicado na indústria aeronáutica. E o para-brisas é fabricado integralmente com vidro reciclado.

A mesma lógica estende-se ao interior, mas já lá vamos. Antes, importa olhar para a silhueta deste protótipo, que rompe totalmente com a carroçaria do Renault Scénic que conhecíamos até agora - um monovolume.

O Scénic Vision adota claramente uma configuração de dois volumes e entra com mais convicção no território dos utilitários de estilo SUV. Utiliza a plataforma CMF-EV do Mégane elétrico, mas apresenta-se mais comprido, mais alto e mais largo - e isso permite-lhe reclamar mais espaço a bordo.

Interior veio do futuro

A sensação de futurismo começa ainda antes de entrar, com a abertura das portas: as traseiras abrem em sentido invertido.

No pilar B, a Renault instalou uma câmara de reconhecimento facial que analisa e identifica o condutor. Assim que a pessoa é “verificada”, o automóvel destranca e começa de imediato a ajustar o volante e a posição do banco para a receber.

Depois, basta pressionar o logótipo da Renault na base do pilar B para a porta do condutor abrir automaticamente. Para abrir também a porta traseira, repete-se o mesmo procedimento.

Com as portas abertas, revela-se um habitáculo totalmente diferente, dominado por tecnologia, soluções invulgares e materiais reciclados e recicláveis.

O destaque vai, naturalmente, para o volante (em forma de manche de avião), que integra um leitor de sinais vitais; para o enorme ecrã que percorre toda a largura do interior; e para os vários pequenos ecrãs táteis que permitem comandar praticamente tudo.

Estes ecrãs mais pequenos podem incluir miniaplicações programáveis e deslocam-se na direção de quem os está a utilizar, numa solução simples, interessante e muito intuitiva.

Também é particularmente útil o modo “transparente” do ecrã curvo dianteiro. Como as suas dimensões generosas retiram alguma visibilidade para a frente, o painel pode «mudar» e exibir, em tempo real, a imagem captada pela câmara frontal, criando quase a sensação de que o automóvel não tem capô.

Quando o vamos ver na estrada?

Em 2024, embora não necessariamente nesta forma. Quanto ao desenho muito expressivo, deverá inspirar os próximos modelos de produção da marca francesa e, com exceção das portas de abertura suicida, de alguns LED exteriores e das câmaras laterais a fazer de espelhos retrovisores, não deverá sofrer alterações profundas até à chegada do próximo Scénic.

E já que falamos nisso, convém sublinhar: o Scénic de produção, ao contrário deste protótipo híbrido, chega daqui a dois anos apenas com motorizações 100% elétricas a bateria.

No interior, muitas das soluções inovadoras mostradas aqui parecem ser, claramente, o que está mais distante de passar para a produção em série.

Por outro lado, a parte tecnológica que transforma este protótipo num híbrido elétrico/hidrogénio é executável; falta perceber como evoluirá a rede de abastecimento de hidrogénio e se os custos tornarão - ou não - esta alternativa viável.


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