O novo DS 3, é? Mas o que é que significa, ao certo, “novo”?
É uma pergunta legítima. O nome, esse sim, é novidade: este é o modelo que antes conhecíamos como Citroën DS3. Agora que a DS passou a ser uma marca autónoma, a designação encolhe e fica apenas “3”.
O que mudou no DS 3
O nome mudou. E o carro, mudou em quê?
Recebe uma grelha própria da marca, com contornos cromados. O efeito é curioso: a frente parece trocar o ar carregado por uma expressão mais simpática. No interior, a actualização traz um ecrã táctil a cores de série em toda a gama.
Na prática, já não é preciso escolher uma versão topo para ter navegação: basta pagar £100 pela opção de “ecrã-espelho” e usar os mapas do telemóvel através do Apple CarPlay ou do MirrorLink para Android. A par disso, há um reforço geral de apresentação: desaparecem os tampões de roda, e surgem novas cores e acabamentos.
Motores e prestações
Não houve mesmo alterações mecânicas?
Houve uma evolução relevante: o três cilindros a gasolina passa a poder ser encomendado com 130bhp, além dos anteriores 110. Convém lembrar que, no período em que foi vendido como Citroën, este carro recebeu várias melhorias de motorização, tanto para desempenho como para consumos, acompanhadas por pequenos retoques estéticos.
E o DS3 Racing, fica como?
Daqui a poucas semanas chega um compacto desportivo. O DS 3 Performance debita 210bhp e conta com vias mais largas e suspensão mais rígida, num registo semelhante ao Racing. Além disso, inclui um diferencial autoblocante para aproveitar a potência como deve ser. Há ainda duas diferenças importantes: será um modelo permanente, não uma edição limitada, e vem com mais equipamento de luxo. Quanto à forma como se comporta em estrada, por agora não dá para tirar conclusões, porque ainda não o estão a produzir.
Então o que é que já se pode dizer?
Que o pequeno 1,2 litros de três cilindros com 130bhp sabe mesmo pôr um sorriso na cara. Tem um som agradável quando apetece ouvi-lo e mantém-se discreto quando não apetece. O atraso do turbo foi reduzido ao mínimo e há força a sério abaixo das 2.000rpm. É pena bater num limitador tão rígido às 6.000rpm - fica a sensação de que tinha vontade de esticar mais.
Os números são 0-100 km/h (0-62) em 8.9sec e apenas 105g/km de CO2. Está associado a uma caixa manual de seis velocidades, com um engrenar rápido, embora um pouco leve.
Chassis e sensação de condução
E no chassis, não mexeram?
Não. Ainda assim, sempre gostámos do DS3 e, com este motor leve, está mais ágil do que nunca. A direcção tem vida e a forma como contorna as curvas é facilmente doseável. A suspensão é, no essencial, confortável, embora por vezes se note algum bater e vibração audíveis.
Idade da plataforma e posição no mercado
Mas por trás do nome novo, isto já tem uns anos, não tem?
Tecnicamente, não é muito mais do que uma versão de três portas do Citroën C3. E o C3 vai ser substituído em breve, com uma plataforma totalmente nova. Na verdade, há elementos da base do DS 3 que recuam ao primeiro C3 e ao C2. Dá para traçar esta linhagem até 2002.
Está a pintar um cenário de carro velho.
Não era essa a intenção. O estilo, por dentro e por fora, envelheceu bem. As mais recentes opções de conectividade chegam para manter o habitáculo actualizado. Os motores são plenamente actuais e, no geral, é um carro divertido de conduzir.
No cômputo geral, não tem o mesmo refinamento de um Mini, mas os preços são mais competitivos e as opções ficam substancialmente mais baratas. Além disso, continua a vender bem. Sem o 3, a DS pareceria um desastre comercial; com ele, a marca consegue aguentar-se até à chegada de um novo crossover no próximo ano.
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