Origem e posicionamento
Uau, isto demorou.
Sem dúvida. A Maserati mostrou pela primeira vez o protótipo de crossover Kubang em 2003. Não dá para dizer que a marca tenha sido apressada. Naquele tempo, a ideia de uma insígnia de luxo e desportiva lançar um crossover musculado soava bastante fora do comum. Hoje, é praticamente obrigatório.
Valeu a espera?
Parece que sim - e o tempo não foi desperdiçado. De início, esse automóvel estava pensado para receber um V8 do Quattroporte da época. Mais tarde, com a fusão no Grupo Chrysler, ponderou-se recorrer a componentes Jeep. Só que, no fim, o Levante ficou “tudo Maserati”. E com bom resultado: é rápido, muito confortável e tem personalidade.
Em que lugar fica no mercado?
Tem de ser forte, porque concorrência não lhe falta: sobretudo Porsche Cayenne e BMW X5; talvez o BMW X6, embora ofereça menos espaço, e ainda o Mercedes-Benz GLE Coupé. E, dentro de semanas, terá mais um rival. O Jaguar F-Pace é o mais próximo em dimensão, potência e filosofia.
Engenharia e mecânica do Maserati Levante
O que quer dizer “tudo Maserati”?
A base - plataforma, chassis e grupo motopropulsor - nasce de um Ghibli 4x4 a gasóleo. Ainda assim, os braços da suspensão foram retrabalhados para proporcionar o curso extra que um veículo vocacionado para sair do asfalto precisa. Além disso, recorre a molas pneumáticas de altura variável e amortecedores adaptativos.
O resultado é versátil: pode baixar a carroçaria para condução rápida, reduzindo o centro de gravidade e o arrasto aerodinâmico; ou subir para evitar que o fundo toque no piso quando o terreno piora. Também ajuda a lidar com as grandes variações de carga que se pedem a um SUV. A estrutura foi reforçada e transmite uma sensação de robustez.
Na maioria dos mercados existe um V6 a gasolina biturbo de 430 bhp, construído pela Ferrari, com um escape notoriamente entusiasmante. Mas o Reino Unido recebe apenas um V6 a gasóleo de 275 bhp.
Que desilusão. Queremos o gasolina “maluco”.
Provavelmente durante os primeiros 10 minutos. Depois, o V6 a gasóleo convence: é dos diesel com melhor sonoridade que se ouvem e tem binário suficiente para, na prática, andar muito perto do ritmo do gasolina - faz 0–100 km/h em 6,9 segundos.
Conduzi com um amigo, alternando entre o gasolina e o gasóleo em caravana apertada. Fizemos meia manhã a andar depressa e, no fim, o Levante a gasolina estava praticamente a respirar por um canudo, enquanto o diesel mal tinha descido abaixo de meio depósito. O diesel, além disso, funciona muito bem com a caixa automática de oito velocidades de série.
Condução, conforto e interior
E a parte “desportiva” de um veículo utilitário desportivo?
Não é apenas rápido em linha recta. Mesmo em pista revela um controlo surpreendente, com amortecimento consistente e comportamento neutro, a resistir à inclinação da carroçaria e à tendência para alargar a trajectória (subviragem). A direcção evolui de forma progressiva e a estabilidade a velocidades muito elevadas de autoestrada impressiona. Não consegue esconder totalmente a massa, mas a altura sente-se menos do que seria de esperar.
Então é desconfortável, pouco adequado ao uso real de quem compra um SUV?
Na verdade, não. Com a afinação normal do chassis, a suspensão mantém uma flexibilidade suportável - até mais do que a de muitas berlinas ditas “desportivas”. O ruído do vento chega bem filtrado, apesar de as portas não terem moldura, o que também deixa entrar mais luz e paisagem para o habitáculo. Os bancos grandes e macios contribuem para uma sensação de bem-estar.
E o interior Maserati: exagerado ao ponto de ser vulgar ou simplesmente elegante?
Diríamos elegante. E bem montado, com materiais agradáveis e ricos. E, num excesso de associação “à italiana”, existe até uma edição Zegna com seda verdadeira nos revestimentos dos bancos e no forro do tejadilho.
Design, preço e disponibilidade
Mas não tenho a certeza quanto ao exterior…
Sinceramente, em estrada parece melhor do que parecia no stand do salão de Genebra. As proporções não são tão dominadoras como as de alguns rivais. Apesar da enorme grelha cromada, não tem um ar agressivo.
Quanto custa e quando chega?
Os preços começam um pouco abaixo das £55 000 e o equipamento é generoso. As entregas no Reino Unido arrancam no final do outono.
Fotografia: Richard Pardon
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário