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Honda Jazz: o Nanamera da avó

Carro Honda vermelho a circular numa rua movimentada de uma cidade com prédios antigos ao fundo.

O que é isto, afinal?

É, no fundo, o carro novo da tua avó - o Nanamera. Sim, estamos a falar do novo Honda Jazz, com preços entre £13,495 e £17,425.

Um Honda Jazz com linhas mais ousadas: ficou “na moda”?

Não por aí além. A Honda sabe bem quem compra os seus carros: a idade média de quem compra um Honda é 56 anos; no caso de quem escolhe um Jazz, sobe para 61. Portanto, nunca será o automóvel mais “cool” da cidade.

Ainda assim, o Jazz sempre teve uma carta forte: é um utilitário muito, muito inteligente. Aproveita o espaço como poucos, é fiável, seguro e fácil de conduzir. Coisas simples - e decisivas - que tornam a vida ao volante melhor, todos os dias. É também por isso que, desde que surgiu em 2001, já foram vendidos 5.5 milhões de Jazz em todo o mundo.

Espaço e versatilidade: mais do mesmo, mas maior

Se há algo que aumentou, foi o espaço. Esta terceira geração do Jazz cresceu: o comprimento total sobe 95mm e a Honda conseguiu enfiar mais 3cm entre eixos. Pode não parecer muito, mas num carro que já fazia pouco caso de qualquer crossover “multifuncional” no que toca a espaço e flexibilidade interior, o novo Jazz fica ainda mais amplo e prático.

Desses milímetros extra, 45mm foram para o balanço dianteiro, ajudando-o a cumprir os testes de colisão mais recentes. E a segurança é reforçada com um novo conjunto de sistemas, como cruise control adaptativo e travagem anti-colisão.

Os truques práticos continuam

A Honda reconhece que as pessoas gostavam tanto do Jazz anterior (e que ele continuou a vender muito bem, mesmo já em idade de reforma…) que não havia necessidade de uma revolução. Por isso, a nova geração mantém várias soluções engenhosas.

Um exemplo básico, mas eficaz: o depósito de combustível fica ao centro, por baixo do banco do condutor. Resultado: não, não vais sentado super baixo - e, sejamos honestos, ninguém compra um Jazz a pensar nisso.

Ao deslocar o depósito para a frente, sobra espaço sob os bancos traseiros para uma mala muito funda. Com 354 litros, a bagageira do Jazz aproxima-se mais, em dimensão, da de um VW Golf do que da de um Polo. É enorme, embora o piso amovível (um pouco frágil) não aguente grande carga.

E seja porque as articulações já rangem como num velho roadster britânico, seja por simples preguiça, o Jazz facilita tudo lá dentro. Os bancos dobram-se com facilidade para ficar planos (olá, bagageira de 884 litros) ou podes levantar as bases dos bancos traseiros para cima, ao estilo de cadeiras de cinema, criando espaço para enfiar objetos volumosos como bicicletas. Ou um vaso com uma planta.

Qualidade interior e tecnologia: mais requinte, com alguns irritantes

Não, o habitáculo não é um Audi A3, mas este Jazz transmite uma sensação mais cuidada. A Honda apostou numa abordagem mais “tátil”: foi buscar ao Civic o ecrã multimédia tátil de 7.0 polegadas (17,8 cm) - ou de 5.0 polegadas (12,7 cm) nas versões de entrada - e juntou-lhe comandos de climatização sensíveis ao toque (substituídos por botões/rodas agradavelmente robustos nos Jazz mais básicos).

O resultado é um interior limpo e minimalista, mas os problemas habituais mantêm-se: reflexos do sol a atrapalhar e dedadas a tapar o que estás a tentar selecionar. E depois há outro detalhe: tudo apita. Tudo. Parece que vais a conduzir um micro-ondas de luxo.

Motor e condução: competente, não entusiasmante

No lançamento, existe apenas um motor: um 1.3-litre a gasolina, quatro cilindros, com 100bhp (74 kW) e 90lb ft (122 Nm). É curioso ver que, num mundo em que até o Civic Type R já se rendeu ao turbo, este pequeno utilitário continua atmosférico - mas é leve e tem fama de ser um trabalhador fiável.

Não esperes grandes arranques sem subir bem de rotação (e, mesmo assim, é tão dócil que nem assusta um arroz-doce), mas a meio acelerador o zumbido do motor também nunca desaparece por completo.

Não há uma caixa automática convencional: apenas uma CVT elástica. A manual de seis velocidades tem um tato agradável, mas isto não é, claramente, um carro de condutor. É muito simples de usar - comandos leves, tolerante a mãos pesadas - e não gosta de ser forçado. O que é exatamente o que se pede, e explica porque a CVT “a dronar” é menos irritante aqui do que em alguns Lexus ditos “desportivos”, por exemplo.

Ainda assim, se vais exigir acelerações mais fortes (vias de aceleração, dias de pista, assaltos a bancos), a caixa manual reage com muito mais prontidão.

A direção é surpreendentemente rápida e com um peso razoável, mas os travões beneficiavam de ser um pouco menos bruscos no primeiro toque.

Conforto de rolamento e utilização diária

Aqui não há grandes motivos para queixa. O Jazz abana um pouco em piso mais degradado, talvez por causa do seu reduzido peso em vazio: 1066kg. Tirando isso, a suspensão está bem afinada e os bancos são confortáveis.

Então é um bom carro?

O Jazz cumpre a sua missão com distinção. Até sabe bem ver um automóvel que quase não participa no ruído de relações-públicas que rodeia cada novo crossover, sempre a prometer uma condução divertida, um visual jovem e um estilo de vida ao ar livre.

O Jazz não vai entusiasmar-te, melhorar a tua pele ou transformar-te num melhor praticante de windsurf. Mas é honesto, útil e, acima de tudo, passa ao lado dessas fantasias. É uma ferramenta - um eletrodoméstico, até. E é precisamente o tipo de carro a que os seus compradores continuam a voltar…

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