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O horário do exercício pode reduzir mais o risco cardíaco

Homem a correr num estádio ao ar livre, a olhar para o relógio no pulso.

Um novo estudo concluiu que o exercício reduz de forma mais acentuada os marcadores de risco cardíaco quando o horário dos treinos coincide com o relógio biológico natural de cada pessoa.

Esta conclusão faz com que a hora do treino deixe de ser apenas uma questão de conveniência e passe a poder ser uma ferramenta para quem já enfrenta risco cardiovascular.

Saúde cardíaca e horário do exercício

Em sete hospitais públicos de Lahore, adultos com sinais precoces de alerta para risco cardíaco seguiram o mesmo plano de caminhada, em horários biologicamente alinhados ou desalinhados.

Ao comparar os resultados, Arsalan Tariq, da University of Lahore (UOL), mostrou que a concordância entre o horário e o ritmo biológico favoreceu melhorias mais expressivas na tensão arterial, no sono e nos marcadores metabólicos.

Os dois grupos registaram progressos após 12 semanas, mas o grupo com horários alinhados obteve benefícios maiores com o mesmo exercício supervisionado.

Esta diferença coloca uma questão simples na prevenção: não importa apenas se as pessoas se movimentam, mas também quando o organismo está mais preparado para o fazer.

Avaliar o horário do exercício

Os participantes tinham entre 40 e 60 anos, eram sedentários e apresentavam pelo menos um fator de risco para futura doença cardíaca.

Os investigadores classificaram cada pessoa através do Questionário de Matutinidade-Vespertinidade, uma avaliação que identifica a preferência por manhã ou noite, e monitorizaram os ritmos de temperatura durante 48 horas.

Em seguida, atribuíram aleatoriamente sessões de exercício que correspondiam a essa preferência ou que entravam em conflito com ela, em períodos matinais ou noturnos.

Foi pedido a todos que realizassem cinco sessões semanais de caminhada rápida supervisionada, com 40 minutos cada, ao longo de 12 semanas.

Alterações trazidas pelos treinos alinhados

No final das 12 semanas, 134 pessoas completaram todo o programa, incluindo madrugadores e pessoas de hábitos noturnos.

Quem treinou no seu horário natural apresentou reduções maiores da tensão arterial do que quem se exercitou na hora “errada”.

Também verificaram alterações mais favoráveis no colesterol e no açúcar no sangue, ambos relacionados com a saúde cardíaca. O exercício regular continuou a beneficiar todos, mas a adequação do horário proporcionou uma vantagem adicional.

Porque é importante a tensão arterial

A tensão arterial é relevante porque até pequenas reduções podem diminuir, a longo prazo, a sobrecarga sobre o coração e os vasos sanguíneos.

Investigações anteriores indicam que baixar o valor superior em cerca de 10 pontos pode reduzir o risco de problemas cardíacos graves.

Entre os participantes que já tinham tensão arterial elevada, o grupo com horários alinhados melhorou quase o dobro. Essa redução superior poderá representar uma mudança importante para pessoas que já seguem uma trajetória de risco.

O sono acompanhou o padrão

O sono melhorou a par da saúde cardíaca, reforçando a hipótese de que o horário teve um papel real.

As pessoas que ajustaram os treinos ao relógio biológico relataram um sono muito melhor do que as que não o fizeram.

Um sono mais consistente pode atenuar os sinais de stress, pois rotinas mais profundas ajudam as hormonas e a tensão arterial a estabilizarem durante a noite.

Ainda assim, o ensaio avaliou o sono por questionário, pelo que estudos futuros deverão recorrer a dispositivos domésticos ou a registos laboratoriais.

Os relógios biológicos são individuais

O cronótipo de uma pessoa, ou seja, a sua tendência natural para funcionar melhor de manhã ou à noite, reflete os períodos em que a atenção, as hormonas e a energia habitualmente atingem o máximo.

O exercício envia sinais temporais aos músculos, ao tecido adiposo e aos vasos sanguíneos, ajudando estes tecidos a coordenar a utilização de combustível.

Quando os treinos acompanham esse padrão, o organismo poderá gerir o açúcar e a tensão dos vasos sem contrariar o seu ritmo diário habitual.

As sessões desalinhadas também foram benéficas, mas podem ter exigido que o corpo se adaptasse numa hora menos favorável.

Os tipos matutinos beneficiaram mais

Os participantes de perfil matutino pareceram obter benefícios globais maiores, embora os tipos noturnos também tenham melhorado quando os horários coincidiam com as suas rotinas naturais.

Uma possível explicação é que as rotinas na meia-idade tendem a privilegiar horários mais cedo, desde o trabalho até às consultas clínicas.

As pessoas de perfil noturno podem sentir maior pressão social para treinar antes de o corpo estar preparado. O resultado apoia a personalização, mas não demonstra que o exercício matinal seja o melhor para todos.

As limitações moderam a promessa

Várias limitações impedem que estes resultados sejam convertidos numa regra geral para todas as pessoas que fazem exercício.

Os voluntários provinham de hospitais públicos de uma única cidade paquistanesa, e a equipa excluiu pessoas com cronótipos intermédios.

Os avaliadores dos resultados conheciam o horário de exercício, algo que, por vezes, pode influenciar as medições, os comportamentos ou as expectativas.

O estudo revelou alterações de curto prazo, sem determinar se as rotinas alinhadas evitam ataques cardíacos anos mais tarde.

Uma prescrição prática

Por enquanto, o estudo sugere um primeiro passo simples antes de definir um plano de exercício.

Tariq e os seus colegas designaram esta ideia por crono-exercício, isto é, programar os treinos de acordo com o relógio biológico, mantendo-a associada à prevenção e não ao tratamento.

“Integrar o princípio do ‘crono-exercício’, programando os treinos de acordo com o relógio biológico interno de cada indivíduo, poderá oferecer uma abordagem inovadora e impactante para melhorar os resultados na saúde cardiovascular e metabólica preventiva”, escreveram Tariq e os seus colegas.

A conveniência continua a ser importante, pois as orientações dos Estados Unidos recomendam pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada, e qualquer plano falha quando as pessoas não conseguem mantê-lo.

O que se segue

O horário personalizado passa agora a juntar-se à duração, à intensidade e à regularidade como um aspeto prático que pode influenciar a melhoria do risco cardíaco.

Ensaios maiores e mais diversos deverão avaliar trabalhadores noturnos, cronótipos mistos e rotinas sem supervisão antes de as clínicas adotarem o alinhamento com o relógio biológico como recomendação habitual.

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