O Toyota Corolla Cross H2 Concept antecipa como poderá ser, no futuro, um automóvel familiar com motor de combustão interna a utilizar hidrogénio como combustível. E, tirando a decoração própria deste exemplar, aquilo que salta à vista é um Corolla Cross muito semelhante aos restantes.
Até aqui, a marca japonesa já tinha apresentado dois projetos com esta abordagem: um Corolla de competição - com o qual tem participado ao longo do último ano na Super Taikyu Series - e ainda um protótipo do GR Yaris equipado com motor de combustão alimentado a hidrogénio.
O traço comum entre todos - incluindo o Corolla Cross H2 Concept, mostrado durante as 24 Horas de Fuji, prova da Super Taikyu Series realizada nos dias 3 e 5 de junho - é a utilização do G16E-GTS, o três cilindros turbo 1,6 l do GR Yaris, aqui adaptado para funcionar com hidrogénio.
Fuji Speedway, em modo “Suison”♪
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- 【Em funcionamento normal】Centro de Informação do Hidrogénio Tokyo Suisomiru (@suisomiru) 4 de junho de 2022
O que distingue o Corolla Cross H2 Concept dos outros dois é que a sua vertente prática não foi posta de lado. Quer o Corolla de competição, quer o GR Yaris tiveram de abdicar dos lugares traseiros para conseguirem acomodar os grandes depósitos de hidrogénio de que necessitam.
Por se tratar de um SUV mais volumoso, o Corolla Cross H2 consegue “arrumar” os dois depósitos de hidrogénio - com a mesma tecnologia aplicada no Mirai, um veículo elétrico com pilha de combustível a hidrogénio - por baixo do piso do habitáculo. Assim, mantém a configuração de cinco lugares existente nos restantes Corolla Cross.
A apresentação deste protótipo é particularmente relevante, porque reforça a intenção da Toyota de levar a tecnologia de combustão a hidrogénio para o mercado e não a limitar apenas ao contexto da competição.
Em declarações à Automotive News, Koji Saito, diretor do programa de competição para motores de combustão a hidrogénio, afirmou que a Toyota está, neste momento, a 40% do caminho para arrancar com a comercialização desta tecnologia, “já fazendo parte do ciclo de desenvolvimento dos produtos destinados à produção em massa”.
Saito referiu ainda que os programas de competição e de desenvolvimento para utilização comercial avançam em paralelo, mas com uma forte partilha dos conhecimentos obtidos. “O objetivo é o de comercializar (a tecnologia de combustão de hidrogénio) e estamos a fazer progressos sólidos nessa direção”.
Evolução palpável
Foi há cerca de um ano que se tornou conhecido o programa da Toyota para usar hidrogénio como combustível em motores de combustão interna e, à margem das 24 Horas de Fuji 2022, a marca deu conta da evolução registada desde então.
Em termos gerais, o Corolla n.º 32 de competição viu a sua autonomia aumentar cerca de 20% em apenas um ano. Ao mesmo tempo, a potência e o binário do seu três cilindros turbo 1.6 subiram, também aproximadamente, respetivamente entre 20% e 30%.
Já no que toca à operação em pista, o tempo perdido em cada abastecimento foi encurtado: passou de quase cinco minutos para um minuto e meio.
Hidrogénio líquido em vez de gasoso
As novidades não se ficam por aqui. A Toyota revelou, pela primeira vez, que também está a apostar na via do hidrogénio líquido em vez do gasoso - uma escolha que poderá reduzir de forma significativa o problema do volume ocupado pelos depósitos.
Até agora, o hidrogénio líquido era algo que víamos sobretudo em foguetes espaciais, mas a Toyota espera colocar ainda este ano um Corolla H2 a competir com hidrogénio no estado líquido.
As vantagens são evidentes: o hidrogénio líquido apresenta uma densidade energética superior à do hidrogénio gasoso e pode, em teoria, duplicar a autonomia do Corolla de competição, aproximando-a bastante da de um automóvel equivalente a gasolina.
Antes das 24 Horas de Fuji realizou-se uma conferência de imprensa, com a presença de Akio Toyoda, presidente da Toyota, onde foram apresentados os progressos do último ano e os novos desenvolvimentos (com dobragem em inglês).
Neutralidade carbónica
Vários construtores japoneses estão a promover tecnologias alternativas para atingir a neutralidade carbónica, procurando não ficar dependentes apenas da tecnologia elétrica. E estão a testá-las no palco mais exigente possível: os circuitos de competição.
Além do trabalho da Toyota com hidrogénio em motores de combustão interna - como no Corolla Cross H2 Concept agora mostrado -, a marca japonesa e a Subaru estão a competir com um GR86 e um BRZ alimentados por combustíveis neutros em carbono.
A Mazda, por seu lado, está a competir com um Mazda2 equipado com motor Diesel, que utiliza biodiesel de nova geração como combustível.
Fonte: Automotive News
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