Uma família R cada vez maior
A Volkswagen tem uma nova política de R-para-tudo que nós desconhecíamos?
Ao que parece, sim. Antes, a história era simples: existia o Golf R, em versão hatchback e carrinha. Só que, mais recentemente, a VW foi juntando o Touareg R, o T-Roc R e este - o Tiguan R - ao clã. E ainda falta chegar o Arteon R, bem como o Arteon Shooting Brake R, ambos com um ar absolutamente soberbo.
Volkswagen Tiguan R: motor e prestações
Nesta atualização de topo do Tiguan, a mecânica é partilhada com o Arteon de linhas mais elegantes. Por baixo do capot está a mais recente evolução Evo4 do conhecido 2.0 turbo de quatro cilindros, aquele que hoje aparece na maioria dos Volkswagen Group mais rápidos. Aqui debita 316bhp e 310lb ft de binário, permitindo um 0-62mph em 4.9 segundos e uma velocidade máxima de 155mph.
Então, é rápido?
Sim - e nota-se. Em linha reta, o Tiguan R sente-se mesmo despachado, sobretudo quando a caixa DSG de sete velocidades está no modo Desporto, no seu registo mais atento.
Tração integral e comportamento em curva
Para as curvas, a Volkswagen instalou um sistema de tração integral completamente novo. Sai de cena o antigo esquema Haldex e entra um diferencial com vectorização de binário, capaz de repartir a força entre as rodas traseiras esquerda e direita e, ao mesmo tempo, entre o eixo dianteiro e o traseiro.
O Tiguan lê o ângulo de direção, a posição do acelerador, a taxa de guinada e a velocidade instantânea (além do modo de condução selecionado) para decidir quanta potência deve seguir para cada roda traseira - com a possibilidade de 100 por cento da potência enviada para trás ir toda para um dos lados.
Então, é bom de conduzir?
Já sabemos o que está a pensar. Um SUV alto e rápido nunca vai ser a coisa mais envolvente do mundo, por isso não espere a dose de diversão de um Golf R ao volante. Ainda assim, a vectorização de binário faz efeito: a entrada em curva é incisiva e o subviragem mantém-se muito contida.
A direção é progressiva: continua leve na cidade e ganha um peso agradável quando se aumenta o ritmo. O R também foi rebaixado 10mm face ao Tiguan “normal” e, com o controlo dinâmico de chassis de série e um subchassis adicional em alumínio para reforçar a rigidez, o rolamento da carroçaria fica bem controlado.
Importa referir que esta rigidez extra permitiu à VW evitar uma afinação de suspensão “parte-costas”. Dito isto, por agora só conduzimos o R em asfalto alemão liso - resta perceber como se comporta com as jantes ‘Estoril’ de 21 polegadas quando começar a ser vendido no Reino Unido no primeiro trimestre de 2021.
Modos de condução e som
Além dos modos de estrada Conforto, Desporto, Corrida e Individual, existem também Todo-o-terreno e Todo-o-terreno Individual, para ajudar os proprietários a justificarem a escolha do Tiguan R em vez do Golf R. Claro que ninguém vai levar isto para lá de um caminho agrícola de gravilha.
Não há modo “Normal” à vista, mas, como referiu o responsável da divisão R, Jost Capito, quando o T-Roc foi lançado: “isto é um R, o modo Desporto é o normal”.
Esse escape é um Akrapovič?
Certo. Muito bem visto. Todos os Tiguan R têm um escape com quatro saídas, mas este Akrapovič será um extra opcional, tal como acontece no T-Roc. Tem válvula e pode soar bastante bem - embora a Volkswagen também insista em injectar uma boa dose de som artificial para dentro do habitáculo.
No modo Desporto, o ruído gerado pelos altifalantes já é exagerado; se o colocar em Corrida, a coisa torna-se simplesmente ridícula. Dá para desligar no modo Individual, mas há um detalhe irritante: o atalho para a diversão (o nosso nome para o botão R no volante) leva-o diretamente para o modo Corrida e, com ele, de volta ao zumbido absurdo. Argh.
Interior e ergonomia
Há mais alguma coisa que queira dizer?
Há, sim: o interior. Os bancos são excelentemente envolventes e o revestimento é óptimo, mas há detalhes em demasia que tornam tudo menos intuitivo do que era.
Como seria de esperar, todos os Tiguan R recebem o novo volante desportivo de série. É ótimo de pegar - mesmo no ponto - mas por que motivo decidiram equipá-lo com aqueles botões/painéis tácteis? São, na prática, inúteis. O mesmo vale para o novo painel tátil da climatização.
É positivo que a VW não tenha escondido estes comandos dentro do ecrã de infoentretenimento de 9.2 polegadas, mas o painel fica demasiado baixo e não existe qualquer feedback ao “carregar” nos supostos botões. Resultado: tem de tirar os olhos da estrada durante tempo demais só para confirmar que não está, por engano, a iniciar a próxima Idade do Gelo.
Enfim, queixa feita. Não devia surpreender ninguém que o Tiguan R seja muito competente e muito rápido, e é fácil imaginar que venda bem, até porque há poucos rivais com tamanho semelhante e números de desempenho comparáveis (os preços serão confirmados no próximo ano). Ainda assim, falta-lhe aquele sentido de ocasião que se espera de um modelo R - o que, mais uma vez, não espanta num SUV rápido “como os outros”.
No sistema de pontuação da TG, fica a um ponto do seu “irmão mais novo”, o T-Roc R, e isso deve-se apenas aos auto-golos no interior.
Pontuação: 6/10
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