Em 2022, ano em que o Opel Corsa assinala o seu 40.º aniversário, vale a pena recordar o Corsa Eco 3 - um exercício que prova que a «busca» por automóveis mais eficientes e económicos é quase tão antiga quanto o próprio automóvel.
Apresentada em 1993, a segunda geração do Corsa continua a ser a mais bem-sucedida de sempre, com quatro milhões de unidades comercializadas. Uma fatia importante desse êxito ficou a dever-se às versões com motores Diesel da Isuzu, ainda hoje lembradas pela frugalidade e pela robustez.
Ainda assim, em Rüsselsheim, a equipa de engenharia da Opel estava convencida de que havia margem para ir mais longe na eficiência e na economia de combustível - e foi daí que nasceu o impulso para desenvolver o Corsa Eco 3.
Convém notar que este trabalho não começou do nada. A Opel vinha, há anos, a perseguir o mesmo objectivo: reduzir os consumos dos seus automóveis.
Em 1991, mostrou o Eco 2, um protótipo derivado do então recém-chegado Astra F, capaz de gastar até menos 27% de combustível do que um motor a gasolina equivalente, fixando-se nos 5,0 l/100 km.
Dois anos depois, em 1993, revelou o primeiro Corsa Eco 3, ainda assente na primeira geração do Corsa (A), mas com uma meta mais arrojada: 4,0 l/100 km. Esse valor foi, de facto, atingido, graças a uma redução de 22% face aos 5,1 l/100 km do Corsa 1.5 TD que lhe serviu de base.
O caminho culminaria em 1995, no Salão de Frankfurt, com a apresentação do Corsa Eco 3 já construído sobre a segunda geração do utilitário alemão. Este era o mais ambicioso de todos: o alvo passava a ser chegar aos 3,0 l/100 km.
Na época, esta era uma fasquia que começou a ganhar tração e que vários construtores procuravam explorar. E este Corsa Eco 3 acabaria por a concretizar em grande medida.
Mas como é que o fez?
Primeiro, era preciso «cortar o vento»
Algumas das soluções para baixar consumos são velhas conhecidas do sector automóvel. Uma delas passa por reduzir a resistência aerodinâmica: quanto menos energia for necessária para vencer o ar, menor tende a ser o gasto de combustível.
O ponto de partida, porém, não facilitava. O Corsa B tinha um coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,37 - um valor pouco «famoso», e até pior do que o da maioria dos SUV actuais -, o que tornava o objectivo de «cortar o vento» de forma mais eficaz um verdadeiro desafio.
Apesar disso, a Opel conseguiu cumprir a meta. O Corsa Eco 3 anunciava um Cx de apenas 0,295, um resultado excelente para a época e, sobretudo, para um pequeno utilitário - só viria a ser superado pelo Audi A2, em 1999.
Para lá chegar, este protótipo recebeu um capô com formas mais arredondadas, um spoiler traseiro específico, saias laterais e até um apêndice aerodinâmico adicional à frente do eixo traseiro, pensado para manter o fluxo de ar mais contínuo.
No final, a resistência aerodinâmica ficava 20% melhor do que nos modelos de série e, em simultâneo, o Corsa Eco 3 ganhava uma imagem mais desportiva e apelativa.
Dieta rigorosa
O outro «ingrediente» decisivo para baixar consumos era reduzir a massa. Era obrigatório eliminar todos os «quilos extra», e a Opel não poupou esforços (nem soluções) para o conseguir.
Nas portas, no capô, no portão da bagageira e nos para-choques, o aço foi substituído por fibra de carbono. Só esta troca permitiu poupar 80 kg face ao Corsa de produção. Já a passagem do vidro dos faróis e das janelas para policarbonato tirou mais 17 kg ao valor final.
As rodas eram em magnésio (-9 kg) - e o invólucro da caixa de velocidades recorria ao mesmo material -, enquanto o alumínio foi utilizado em abundância no sistema de travagem e na suspensão. Até a direcção assistida ficou de fora.
Feitas as contas, o Opel Corsa Eco 3 marcava na balança apenas 720 kg, o que significava menos 225 kg e confirmava o sucesso desta dieta exigente.
Diesel, é claro
Se hoje a electrificação parcial do motor de combustão é um dos caminhos para cortar consumos e emissões, nos anos 90 a resposta passava, muitas vezes, pelos motores Diesel - a forma mais directa de percorrer mais quilómetros com menos combustível.
No Opel Corsa Eco 3, a motorização escolhida foi um 1.7 l turbo Diesel com injecção directa e 16 válvulas - uma arquitectura multiválvulas pouco comum na altura, ainda mais em Diesel -, debitando 63 cv e 140 Nm de binário logo às 2000 rpm.
Em conjunto com um sistema start & stop - que já por cá andavam desde 1982, mas que só democratizaram-se neste século -, este motor prometia consumos recorde e… cumpria.
Enquanto o Opel Corsa B 1.5 TD anunciava médias de 5,5 l/100 km, o Corsa Eco 3 conseguia baixar esse número em mais de dois litros, divulgando médias tão reduzidas como 3,4 l/100 km.
Na verdade, vários colegas de então tiveram oportunidade de conduzir este protótipo 100% funcional e verificaram que, com uma condução mais regrada e a velocidade estabilizada, era possível ficar abaixo dos três litros, atingindo 2,8 l/100 km. Já em cidade, os consumos situavam-se nos 4,0 l.
Comparando com os Corsa B «normais», a redução no consumo de combustível foi de 38%.
Podia ser o «rei» do consumos, mas não o dos semáforos. Mesmo com a massa reduzida, os 63 cv do 1.7 TD davam ao Corsa Eco 3 um 0 aos 100 km/h de 15 segundos, e a velocidade máxima ficava-se pelos 150 km/h.
Impacto nos consumos por solução
Nesta lista podemos verificar como cada solução contribuiu para reduzir os consumos no Corsa Eco 3:
- Adoção da injeção direta no 1.7 TD permitiu passar dos 5,5 l/100 km para os 4,6 l/100 km;
- 4,4 l/100 km com as melhorias aerodinâmicas;
- 4,0 l/100 km com redução de peso;
- 3,7 l/100 km com comportamento melhorado;
- 3,5 l/100 km com nova relação final de transmissão;
- 3,4 l/100 km com sistema start & stop.
Apesar de ser tecnicamente viável avançar para a produção do Opel Corsa Eco 3, o projecto nunca passou do estatuto de protótipo. O motivo? O preço final ao consumidor seria demasiado elevado, em grande parte devido aos materiais exóticos usados para cortar massa, como a fibra de carbono e o magnésio.
Se o Corsa Eco 3 tivesse chegado aos concessionários, custaria o mesmo que um Mercedes-Benz Classe C da mesma época e, verdade seja dita, quem pagaria tanto dinheiro por um humilde Opel Corsa?
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário