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Mercedes-Benz EQE 500 4MATIC: primeiro ensaio em estrada

Mercedes-Benz EQE 500 cinza estacionado em showroom moderno com vidro e iluminação suave.

Hoje, a gama Mercedes-EQ recebe mais um elemento: o EQE. Em fotografias, nem sempre é fácil diferenciá-lo do EQS - sobretudo quando falta uma referência de escala -, já que o EQE recorre aos mesmos traços e à mesma plataforma que definem a linguagem visual desta família.

No exterior, apresenta o desenho em “um-arco”, com o habitáculo avançado, projeções de carroçaria reduzidas ao essencial, «grelha» frontal em preto e ombros traseiros bem musculados.

Ainda assim, a silhueta resulta mais harmoniosa do que no EQS, algo que parece estar diretamente ligado às dimensões mais compactas do EQE.

Por dentro, a distinção entre EQS e EQE torna-se, por vezes, ainda menos evidente. Este 500 estava equipado com o (opcional) já conhecido Hyperscreen, descrito como o ecrã digital “maior e mais inteligente” instalado num automóvel. Sob uma única superfície ligeiramente curvada - com aspeto de interface contínuo - reúne o quadro de instrumentos de 12,3”, o ecrã multimédia OLED de 17,7” e o ecrã do co-piloto de 12,3”.

De série (e como única opção no EQE 350+), existe uma configuração com ecrã «flutuante» de 12,9” para infoentretenimento e painel de instrumentos digital de 12,3”.

O nível de sofisticação vai ao ponto de permitir que o passageiro da frente veja conteúdos dinâmicos (como streaming de vídeo ou TV com o veículo em andamento). Para isso, entra em ação uma lógica de bloqueio inteligente, suportada por uma câmara que deteta se o condutor está a olhar para o ecrã do passageiro; se tal acontecer, o sistema escurece automaticamente esse ecrã do ponto de vista do condutor.

Já o head-up display (mais um extra…) tem 29” de diagonal e projeta uma imagem virtual a cores que parece flutuar sobre o capô, a 4,5 m à frente do carro.

Para que cada viagem não se transforme numa “inundação” de dados - por vezes repetidos em duplicado ou até triplicado -, é aconselhável que o utilizador dedique algum tempo a configurar mostradores, ecrãs e painéis. O objetivo é tornar a condução menos stressante, embora a Mercedes garanta que a informação essencial está sempre facilmente acessível.

Interior muito amplo, mala pequena

Como acontece com modelos concebidos desde o início como elétricos, o EQE parece «compacto» por fora e generoso por dentro. Na prática, o habitáculo é mais espaçoso do que o de um Classe E com motor de combustão, apesar de este ser apenas 1,1 cm mais curto. A diferença está na distância entre eixos: no Classe E é 18,1 cm inferior - no EQE são 313,2 cm entre eixos, menos 9 cm do que no EQS.

Em termos de medidas percebidas, o EQE ganha 2,7 cm de largura à frente e oferece mais 8 cm de espaço para as pernas atrás. Além disso, os bancos ficam 6,5 cm mais elevados, consequência da bateria montada no piso.

O ponto menos convincente é a bagageira: com 430 litros, fica bem abaixo do Classe E (540 litros) e também aquém de alternativas como o Tesla Model 3 (542 litros) ou o BMW i4 (470 litros), apesar de estes serem automóveis consideravelmente mais pequenos.

Mais manobrabilidade e melhor comportamento… opcionais

O eixo traseiro direcional surge igualmente na lista de opcionais, com duas versões: uma em que as rodas traseiras rodam 4,5º e outra em que rodam 10º.

Com a solução de 10º, o EQE torna-se claramente mais simples de manobrar. O diâmetro de viragem desce de 12,5 m (sem eixo traseiro direcional) para 11,6 m com 4,5º e para 10,7 m com 10º. Sente-se mesmo a traseira a “rodar” quase por conta própria, o que ajuda a explicar como o EQE consegue dar uma volta completa num espaço idêntico ao de um Mercedes-Benz Classe A.

A suspensão (multibraços nos dois eixos) pode ainda ser complementada com molas pneumáticas e amortecedores eletrónicos de variação contínua - outro extra… - capazes de ajustar a resposta individual de cada roda nas fases de compressão e expansão.

Um conjunto de sensores e algoritmos decide o comportamento dos amortecedores em função do piso, procurando garantir, por exemplo, que quando uma roda enfrenta uma irregularidade, o movimento não é transmitido na totalidade ao eixo e, por consequência, ao habitáculo e aos ocupantes.

3+1 níveis de regeneração

Tal como no EQS, existem três patamares de travagem regenerativa - D+, D e D- - selecionáveis através de patilhas no volante. Em alternativa, o condutor pode optar por deixar o sistema gerir automaticamente na posição DAuto.

Em ambiente urbano, foi possível tirar partido da recuperação de energia para a bateria, com três benefícios evidentes: mais autonomia, maior suavidade (porque a desaceleração é antecipada e acontece de forma mais progressiva) e menor necessidade de recorrer ao pedal do travão. Ainda assim, os engenheiros da Mercedes não conseguiram tornar a resposta desse pedal verdadeiramente progressiva (no primeiro terço do curso quase não se sente desaceleração).

Entre as soluções partilhadas com o EQS contam-se ainda o capô que apenas técnicos da marca alemã conseguem abrir, um filtro de ar específico no interior, puxadores de porta embutidos (ficando à face da carroçaria quando não são necessários) e portas com abertura e fecho elétricos.

Carregamentos limitados pela tensão

Em corrente contínua (DC), a potência máxima de carregamento é de 170 kW, permitindo ganhar até 250 km de autonomia em 15 minutos (cerca de 35,6 kWh) na bateria do EQE.

Ao contrário da Porsche ou da Hyundai e Kia, que avançaram para arquiteturas de 800 V, a Mercedes-Benz manteve-se nos 400 V. Para compensar, recorre a um sistema de gestão térmica que permite arrefecer ou aquecer as baterias com o carro em andamento, ajudando a chegar a um carregador rápido com a bateria na temperatura ideal e a aproveitar melhor a potência disponível.

Em corrente alternada (AC), é possível carregar a 11 kW (de série) ou 22 kW (opcional), com tempos de carga total de 8h25min ou 4h25min, respetivamente. A garantia da bateria é de 10 anos ou 250 000 km, consoante o que ocorrer primeiro.

Condições pouco favoráveis

Os primeiros quilómetros ao volante do EQE 500 4MATIC aconteceram em Frankfurt, num dia de chuva e até com neve - cenário pouco amigo da autonomia. O 500 4MATIC combina um motor dianteiro de 145 kW (197 cv) com um motor traseiro de 215 kW (292 cv), totalizando 300 kW (408 cv) de potência do sistema, um valor inferior à soma devido às limitações da bateria.

O percurso incluiu cidade, estradas nacionais com algumas curvas e autoestrada. E, embora a travagem tenha sido mais frequente (aproveitando o potencial de recuperação de energia de 186 kW) do que seria de esperar em asfalto seco, e as acelerações tenham sido menos intensas, o resultado final foi uma média de 23 kWh/100 km, com 70% de carga e uma autonomia indicada de 292 km.

Isto traduz-se numa distância total projetada entre 391 km e 417 km com a bateria a 100%, ainda assim bastante abaixo dos valores anunciados de 503 km a 590 km (ainda sujeitos a homologação final).

Rápido, confortável, estável

O EQE 500 é muito rápido (mesmo com perto de 2,5 toneladas), o que não surpreende num elétrico.

Apesar de não existirem números oficiais, sabe-se que atinge 210 km/h de velocidade máxima e que deverá cumprir o 0-100 km/h num tempo ligeiramente abaixo de cinco segundos. A tração integral ajuda a colocar no chão a entrega imediata dos 858 Nm de binário máximo, sem perdas excessivas de motricidade.

A direção revela-se rápida e direta (apenas 2,1 voltas de topo a topo), ficando mais pesada quando se passa dos modos Eco e Comfort para Sport.

Algo semelhante acontece com a suspensão, conforme o modo escolhido: Comfort oferece o melhor «isolamento ósseo» e, quando o piso se mostrava mais regular em zonas de maior sinuosidade, o modo Sport conseguiu controlar melhor o rolamento da carroçaria. Ainda assim, o conforto mantém-se - como seria de esperar - sempre num patamar muito elevado.

Em autoestrada, a velocidades de cruzeiro elevadas, foi possível perceber a eficácia das soluções de isolamento acústico adotadas pelos engenheiros da Mercedes-Benz. Isso é especialmente relevante num elétrico, já que não existe o ruído de um motor de combustão para “mascarar” sons de pneus e de aerodinâmica com diferentes origens.

Se o silêncio for, de facto, o seu tipo de som preferido, poderá fazer sentido considerar o “Pacote de Conforto Acústico”, que acrescenta vidros laterais laminados e mais material de absorção sonora.

Especificações técnicas

Campo Valor
Mercedes-Benz EQE 500 4MATIC
MOTOR ELÉTRICO
Motor 2 motores elétricos, um por eixo
Potência Motor 1: 145 kW (197 cv); Motor 2: 195 kW (292 cv); Máxima combinada: 300 kW (408 cv)
Binário Máximo Combinado: 858 Nm
BATERIA
Tipo Iões de lítio
Capacidade Total: N.D.; Útil: 90,6 kWh
TRANSMISSÃO
Tração Às 4 rodas
Caixa de velocidades Caixa redutora com uma relação (uma por motor)
CHASSIS
Suspensão FR: Independente de 4 braços; TR: Independente Multibraços
Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos ventilados
Direção/Diâmetro Viragem Assistência elétrica; 12,5 m (11,6 m e 10,7 m c/ eixo traseiro direcional a 4,5º e 10º, respetivamente)
N.º de voltas volante 2,1
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt. 4946 mm x 1961 mm x 1510 mm
Entre eixos 3120 mm
Bagageira 430 l
Massa 2450 kg (estimado)
Rodas N.D.
PRESTAÇÕES, CONSUMOS, EMISSÕES
Velocidade máxima 210 km/h
0-100 km/h 4,9s (estimado)
Consumo combinado 21,1-17,8 kWh/100 km (provisório)
Autonomia 503-590 km (provisório)
Emissões CO2 0 g/km
Carregamento
Potência de carga máxima DC 170 kW
Potência de carga máxima AC 11 kW (22 kW opcional)
Tempos de carga 0-100%, 11 kW (AC): 8h25min;
0-100%, 22 kW (AC): 4h25min;
0-80%, 170 kW (DC): 32min.

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