Mais um SUV do Grupo VW? Que seca…
Certo na primeira parte, mas não desligues já. Este é o novíssimo Tiguan eHybrid - na prática, o sistema híbrido do Mk8 Golf GTE aplicado à versão recentemente renovada do SUV mais vendido da Volkswagen.
Ainda não estás pronto para dar o salto para o ID.4 100% eléctrico? Então este híbrido plug-in eHybrid pode ser exactamente a solução de transição que faz sentido.
Primeiras impressões e números do Volkswagen Tiguan eHybrid
Então e os números, quais são?
A combinação do já conhecido 1,4 litros a gasolina turbo com um motor eléctrico de 85 kW resulta numa potência total de 242 bhp e 295 lb ft de binário (cerca de 400 Nm), ficando apenas atrás do Tiguan R de 316 bhp na hierarquia de potência da gama.
Toda essa força é enviada apenas para as rodas dianteiras, e permite ao eHybrid cumprir 0-62 mph em 7,5 segundos (equivalente a 0-100 km/h).
A bateria tem 13 kWh e dá uma autonomia em modo eléctrico de cerca de 31 miles (aprox. 50 km), a velocidades até 81 mph (aprox. 130 km/h).
Isto hoje em dia não é tudo muito “normal”? O que é que tem de especial?
Desde que exista carga suficiente na bateria, o eHybrid arranca automaticamente em E-MODE (100% eléctrico), porque a Volkswagen acredita que o trajecto diário médio consegue ser feito só com energia eléctrica. Depois há o botão GTE, que junta os dois motores para obter o máximo “boost”, mas o modo que acaba por ser mais curioso (sim, fomos por aí) é o Hybrid tradicional.
Tecnologia híbrida plug-in e gestão de energia em viagem
Nesse modo, se não estiveres a usar a navegação do carro - ou se estiveres com o Waze via Apple CarPlay - podes escolher manualmente que percentagem de bateria queres guardar para o fim do percurso. Por exemplo: se os teus últimos 10 miles (cerca de 16 km) forem dentro da cidade depois de um troço longo em auto-estrada, podes preferir manter 40 per cent da carga em reserva.
Ainda mais esperto é quando defines o destino no sistema de navegação da Volkswagen: o Tiguan passa a gerir automaticamente o tempo de utilização em EV e em ICE ao longo da viagem. O “cérebro” do carro avalia o tipo de estradas por onde vais passar e até a topografia, para gastar electricidade onde faz mais sentido e, ao mesmo tempo, maximizar a autonomia. Bem pensado.
Parece muito bem no papel. Na prática resulta?
Resulta mesmo. A Volkswagen ainda não avança com valores oficiais - isso só deverá acontecer quando o eHybrid for colocado à venda no próximo ano -, mas num teste recente com um percurso do género cidade – estradas secundárias – auto-estrada – cidade, conseguimos fazer bem mais de 50 mpg (cerca de 5,6 l/100 km), mesmo com alguma condução mais animada pelo meio. E há também aquela satisfação de atravessar a cidade no fim de uma viagem longa e simples a emitir zero emissões.
Nesta versão, o Tiguan é verdadeiramente descansado de conduzir. O isolamento face ao ruído de rolamento está bem conseguido, a transição entre eléctrico e combustão é tão suave como se encontra no mundo dos PHEV, e a caixa DSG de seis velocidades faz as passagens sem grande dramatismo.
E, apesar do peso extra do conjunto de baterias - 135 kg -, não se sente excessivamente rígido, ao contrário de alguns concorrentes. Em Comfort e em modo Normal, existe algum adornar de carroçaria em curva, mas também há margem para lidar com pisos mais irregulares.
Interior, equipamento e compromissos de espaço
E por dentro, como é?
Em breve traremos um ensaio completo ao Tiguan renovado, mas há já algumas evoluções claras face à geração anterior - e a mais evidente é o ecrã táctil central, que salta imediatamente à vista.
O excelente digital cockpit de 10 polegadas é de série em todos os eHybrid. Ainda assim, ao contrário do Golf GTE (de onde vem parte da tecnologia), o eHybrid pode ser escolhido com vários níveis de equipamento: a versão base (sem nome), a ligeiramente mais cuidada Life, ou então as variantes de topo Elegance e R-Line. Infelizmente, todas elas trazem comandos de climatização sensíveis ao toque. Buuuu.
Há mais pontos fracos?
Como seria de esperar, o eHybrid não é exactamente a coisa mais envolvente de conduzir - mas o seu lado prático também paga a factura do sistema híbrido. Ups. Com a bateria sob o banco traseiro, o depósito de combustível tem de recuar e a bagageira baixa para 476 litros, ou seja, menos 139 litros do que nos Tiguan com motor ICE. Para um SUV familiar, é uma redução significativa. Ainda assim, atrás continua a sentir-se bastante espaço.
Também convém fazer bem as contas a um híbrido plug-in, sobretudo porque o eHybrid deverá trazer um acréscimo de preço associado à electrificação. Pelo menos, uma coisa é difícil de lhe apontar: não dá para dizer que é aborrecido.
7/10
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