Isto não tem assim tanto ar de Coupé.
E não tem mesmo: no fundo, é o Hyundai i20 de três portas com um sufixo mais apelativo para o mercado. Ainda assim, não vale a pena ser picuinhas - o i20 “normal” é bastante competente, e esta variante ligeiramente mais esguia também é agradável à vista.
Além disso - tal como o irmão de cinco portas - passou a poder ser encomendado com um 1,0 litros turbo de três cilindros. Estes pequenos três cilindros a gasolina estão a tornar-se rapidamente a opção preferida nos utilitários, e (alerta de spoiler) aqui acontece exactamente o mesmo.
Quais são os números?
Há duas versões, ambas com 998 cm³. A mais “leve” debita 98 bhp e a mais potente chega aos 118 bhp, embora partilhem o mesmo binário: 172 Nm. As duas prometem um 0–100 km/h com um tempo a começar por dez e consumos oficiais fortes, entre 4,3 e 4,8 l/100 km (equivalente a 65,7–58,9 mpg).
A variante mais poderosa pede mais £500 e, graças à caixa manual de seis velocidades, ganha uma relação extra. Isso ajuda na serenidade em auto-estrada e, como também sobe de rotação com mais vontade, é a versão que recomendamos.
E ao volante, como é?
Estes motores também equipam o Kia Ceed e, aqui, mostram qualidades semelhantes. Em andamento de cruzeiro ficam discretos, quase a “desaparecer” no ruído de fundo, e entregam o melhor entre as 2.000 e as 4.000 rpm - precisamente a zona que se usa naturalmente, sem necessidade de estar a olhar para o conta-rotações.
E, para quem gosta de conduzir, este 1.0 não se importa nada de esticar bem para lá das 6.000 rpm. É aí que o timbre típico e cheio de personalidade do três cilindros se nota com mais clareza; mas se a ideia for apenas andar com calma, continua tudo civilizado e silencioso.
É rápido?
É suficientemente despachado para o que se pretende, mas não é um pequeno desportivo. Em subidas mais íngremes vai pedir uma redução e as ultrapassagens exigem algum planeamento. Dito isto, não é algo fora do comum no segmento, e o i20 torna-se muito fácil de conduzir com qualquer uma das versões do 1,0 litros.
E o resto do carro?
A Hyundai afina os seus modelos no Nürburgring - incluindo o Ioniq, pensado para fazer frente ao Prius. Seja qual for a ideia preconcebida que isso possa gerar, a verdade é que a direcção do i20 é bastante pronta e os níveis de aderência são generosos, o que dá razão a essa abordagem. Em pisos mesmo degradados, com lombas duras e regos mais fundos, pode ficar um pouco irrequieto, mas no conjunto é um carro bem composto.
Não tem o lado divertido de um Fiesta nem a vivacidade de um Mazda 2, mas também não irrita quando se quer andar acima do ritmo “normal”.
O i20 Coupe é mais rígido do que o cinco portas, e isso sente-se: há um toque extra de precisão. Ainda assim, como já ficou claro, não estamos perante um hot hatch. A nossa aposta é que isso ficará reservado para uma futura versão de performance N - e este chassis parece suficientemente tenso para servir de base.
Se o i20 de ralis da TG for um bom indicador, mais potência e mais atrevimento podem mesmo dar origem a um carro muito interessante.
Faz mesmo perto de 60 milhas por galão?
Talvez não. Nós conseguimos 37 mpg (cerca de 7,6 l/100 km). Mas também conduzimos, digamos, com bastante entusiasmo e, nessas condições, todos os rivais (incluindo o Fiesta Ecoboost) apresentam consumos muito semelhantes. Num uso mais quotidiano, algo mais perto de 50 mpg (cerca de 5,6 l/100 km) será perfeitamente atingível.
E já que falamos de custos: o 1.0 turbo passa directamente para o topo da gama a gasolina do i20 e custa mais £1,000 do que o 1.2 de 82 bhp. Como o i20 sempre foi visto como uma escolha orientada para o valor, a Hyundai espera, numa fase inicial, que apenas 20 por cento dos clientes optem pelo turbo. Ainda assim, preferíamos gastar mais algumas libras por mês neste motor do que num tom de pintura mais “chique” e num sistema de navegação.
A versão de 98 bhp começa um fio abaixo de £14,000, enquanto a de 118 bhp arranca nos £15,470. Todas incluem DAB, Bluetooth, sensores de estacionamento e ar condicionado.
Por esse dinheiro, há muitos utilitários
Há, sem dúvida. E o i20 não tem um único ponto absolutamente decisivo, nenhuma “funcionalidade matadora” que o torne uma escolha inevitável.
Mas, mesmo não sendo tão divertido como um Fiesta, tão requintado como um Polo ou tão estiloso como um DS3, também não fica assim tão longe das qualidades de cada um. E junta a isso uma garantia de cinco anos, bem generosa.
Para muita gente, isso vai ser difícil de ignorar.
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