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Teste ao Lotus Exige 260: o especial de pista definitivo

Carro desportivo branco Lotus em pista de corrida com pneus pretos ao fundo e céu azul parcialmente nublado.

Este teste foi publicado pela primeira vez na Edição 191 da revista Top Gear (2009).

Habitáculo minimalista do Lotus Exige 260

Esvazie os bolsos. Rapar as sobrancelhas. Corte relações com os amigos. Seja o que for que consiga fazer para libertar mais um ou dois milímetros de espaço antes de se enfiar num Exige 260, faça-o. Vai precisar: este carro volta a definir o que é viajar leve. Não há porta-objetos, não há nichos, e bagageira então nem pensar: apenas dois buracos mais ou menos com forma humana escavados na fibra de carbono, três pedais e um volante minúsculo.

Ainda assim, quando já só lhe restarem as cuecas e tiver feito as contorções dignas de ioga necessárias para chegar ao banco do condutor, percebe que compensa. O 260 - o Exige mais extremo de sempre, um especial de track-day que já é especial de track-day - é, pura e simplesmente, uma máquina monumental que parece ler pensamentos. Em andamento rápido, lá em cima, perto das 9,000rpm, a forma como o Exige reage tem uma linearidade quase desconcertante, gozando com toda a ideia de “comportamento” ainda mais do que um Exige de origem. Olha, aponta e já lá está. Depressa. É uma sensação, na verdade, um bocado arrepiante.

Potência extra, carbono e dieta radical

Sim, há mais potência vinda do 1.8-litre sobrealimentado de origem Toyota (mais 39bhp do que os 218bhp do Exige S). A tomada de ar montada no tejadilho é esculpida em fibra de carbono, tal como o próprio tejadilho, a asa traseira, o splitter dianteiro, as embaladeiras e até os bancos tipo baquet, estreitos. Tudo o que não ajude a andar mais depressa foi eliminado: não existe rádio, não há isolamento acústico, não há fecho centralizado, não há ar condicionado. Ah, e também não há airbag.

A Lotus aligeirou as jantes com uma maquinagem que retira, no conjunto, 10kg, contribuindo para uma redução total de 38kg. O resultado é um peso em ordem de marcha abaixo de 900kg e um 0-60mph (0-97 km/h) em quatro segundos certinhos. E sim, sente-se ainda mais rápido do que isso.

Como se conduz o Exige 260: sempre no ataque

O 260 exige condução a sério. Esqueça a piedade mecânica e mantenha o motor acima das 6,000rpm, onde o compressor começa a soprar com força e a empurrar o Exige para o horizonte com uma vontade quase desvairada. E nem pense em travar com o pé esquerdo a menos que (a) seja muito, muito bom ou (b) tenha curiosidade em saber como é que um volante deixa uma marca na testa. Os travões melhorados são brutais.

Vida real e preço: não é um carro “para tudo”

Este não é um segundo ou terceiro carro - ou, a bem da verdade, nem sequer um quarto, quinto ou sexto. Pelo preço, pode parecer que concorre com, por exemplo, o Cayman, mas no Porsche até se conseguia viver, e até ponderar uma viagem de média distância. No Exige, nem por isso: vai levá-lo diretamente para a pista pelo caminho mais curto possível.

Mas, nessa pista, este Exige destrói o seu Cayman. E, nas mãos certas, faz picado do seu F430, do seu Gallardo e de qualquer outra exotice caríssima que possa ter na garagem. Vale o prémio de 10 mil a mais face ao Exige normal? Claro que não. Isso interessa? Nem por sombras.

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