O que é?
Curiosidade: o Boxster está à venda há mais ou menos tanto tempo quanto o membro mais novo da equipa do TG.com tem de vida. E, ao longo destes 25 anos, a Porsche já vendeu mais de 43.000 unidades só no Reino Unido. Não admira que os classificados estejam cheios de propostas tentadoras a preços baixos.
Ainda assim, desconfiamos que esta variante específica do Boxster da geração 982 nunca venha a ser “barata de cair para o lado”. Chama-se 25 Years e, como o nome indica, é uma edição especial limitada criada para assinalar um quarto de século do habitualmente excelente roadster de entrada de gama da Porsche.
Quantos é que a Porsche vai produzir?
1.250 carros para todo o mundo. O nosso carro de ensaio é o número 50. No Reino Unido, o preço começa nos pesados £73.820, o que significa que o Boxster Spyder, mais focado, custa apenas mais £1.020.
A base é um Boxster GTS 4.0 - o Boxster “para o dia a dia”. Pode ser encomendado com caixa manual de seis velocidades ou PDK de sete, e há escolha entre pintura preta, branca ou prateada, com capota em tecido vermelha ou preta e interior em pele vermelha ou preta.
O que é que se recebe pelo dinheiro?
Por mais £6.570 face a um Boxster GTS 4.0 normal, a Porsche garante que o 25 Years inclui cerca de £10.000 em equipamento extra, como os faróis LED ‘PDLS Plus’, bancos desportivos eléctricos com 14 vias de regulação, volante aquecido e um interior em pele com acabamento liso.
Depois entram os elementos específicos que não existem no Boxster “normal” - sobretudo as belíssimas jantes pintadas a dourado e a profusão de emblemas ‘Boxster 25’ (neste carro não vai encontrar um único emblema ‘718’). Pena continuar a ser preciso pagar à parte por itens que, num carro de £70k, deveriam ser de série - controlo de velocidade de cruzeiro (£228), por exemplo, e espelhos retrovisores com recolha eléctrica (£210). À moda da Porsche.
Há alterações mecânicas?
Não. Em motor, caixa, chassis e suspensão, o 25 Years é essencialmente um Boxster GTS 4.0. O que significa que é absolutamente sublime em quase tudo e ligeiramente irritante num ponto: o escalonamento.
A caixa manual de seis relações é brilhante e o mesmo se aplica ao seis cilindros atmosférico, de que sentimos tanta falta quando, por um período, o Boxster ficou reduzido a quatro cilindros. Esticar as rotações quase até às 8.000rpm, engatar a mudança seguinte e repetir o processo é entusiasmante - e o som é mesmo extraordinário -, mas as relações são tão longas que raramente há oportunidade para isso. A não ser que viva na Alemanha.
A segunda vai até às 85mph, o que é simplesmente absurdo. A Porsche diz que é a mudança de ‘overtaking’, mas é difícil não suspeitar de um factor de emissões e/ou de um esforço para garantir que o Boxster não fica mais rápido do que um 911. Um escalonamento mais curto mudaria completamente este carro.
Então a caixa estraga a experiência toda?
Não, claro que não. Sim, irrita só ser possível chegar legalmente ao limitador de rotações em primeira, mas o Boxster está longe de ser o único a sofrer do mesmo “problema”. E, no resto, é um produto tão bem executado e tão bem construído, com um conjunto motor/caixa e um chassis de primeira, que há muito pouco a apontar.
A forma como vira, trava, agarra e anda é difícil de criticar. Os comandos têm o peso certo e uma precisão fluida, com aquele toque caro. Também é confortável, e com a capota recolhida não há turbulência em excesso. O interior já denuncia uma geração anterior, mas mantém-se sólido e bem montado, e poucos roadsters conseguem ser tão práticos. Duas bagageiras!
Compraria um Boxster 25 Years?
Eu não consigo: já está esgotado. Mas, se estivesse no mercado e tivesse hipótese, comprava - porque custa pouco mais do que um Boxster GTS normal, acabaria por gastar essa diferença em opcionais de qualquer maneira e, quando chegar a altura de vender, provavelmente recupera mais dinheiro. E, além disso, acho que tem um visual impecável.
Se fosse para um carro de fim de semana, o Spyder seria uma tentação; para uso diário, é no GTS que está o melhor compromisso.
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