O Zafira VXR: desportivo ou MPV?
Há duas formas de encarar o Zafira VXR. Se o tentarmos avaliar como um carro desportivo, percebemos rapidamente que não o é. Sim, anda depressa, mas de resto não impressiona: está longe de oferecer o mesmo prazer ao volante que um Astra VXR. Já quando o olhamos como um MPV, a história muda - e torna-se verdadeiramente divertido.
MPV significa veículo multiusos: se em alguns percursos vai carregado de miúdos e noutros segue sozinho, é precisamente para isso que este conceito existe.
Em estrada: direcção, suspensão e limites
Na base, os ingredientes estão lá. Sentado num enorme banco Recaro, segura um volante espesso ligado a uma cremalheira directa, o que permite apontar para as curvas com uma agressividade surpreendente e encontrar uma aderência dianteira que parece incompatível com a silhueta quadrada do conjunto. A suspensão também tem curso suficiente, por isso lida bem com estradas secundárias degradadas, e em auto-estrada o conforto é perfeitamente aceitável.
O centro de gravidade elevado, porém, cobra a sua factura em curvas mais apertadas. Para manter tudo sob controlo, foi preciso montar barras estabilizadoras gigantes, o que faz com que a roda interior esteja constantemente a tentar patinar com o binário do turbo. A electrónica de tracção acaba por travar essa roda tantas vezes que, numa secção sinuosa e com inclinação, cheguei a sentir fadiga dos travões. Pode ser um cenário pouco comum, mas cada curva mais vincada expõe a falta de tacto e de finesse desta criatura estranha, que tenta contrariar as leis da desportividade. Resulta, mas não flui.
E, claro, a posição de condução é demasiado elevada para parecer desportiva - tão alta e direita que me fez lembrar a última vez que conduzi uma ceifeira-debulhadora - e a alavanca das mudanças montada no tablier usa uma articulação complicada, pelo que a passagem pelas seis velocidades se faz num trajecto algo pegajoso. Ainda assim, o ponto de vista elevado dá vantagem de visibilidade. O melhor é apostar em estradas abertas e em ultrapassagens: aí é uma festa, tanto graças aos 236 lb ft (320 Nm) de binário como à potência.
A vertente prática do MPV e o aviso para quem vai sempre a sete
Voltando ao lado MPV: o interior de um Zafira é tão engenhoso que ultrapassa a mera praticidade e entra quase em território de gadget - aquele canto do cérebro em que se quer ter um, não porque se precise mesmo de todas as funções, mas porque dá gozo imaginar situações em que talvez venham a ser úteis.
Fica, no entanto, uma nota de cautela. Se vai quase sempre com os sete lugares ocupados, este não é o Zafira ideal. Mais vale escolher um diesel. Afinal, se conduzir o VXR como os 237 bhp e os pneus 225/40 R18 o convidam a conduzir, todos a bordo - mas sobretudo os pobres infelizes presos na terceira fila, sem vista para a frente e com pouca ventilação - vão sentir enjoos a uma escala catastrófica, e o espaço para os pés acabará inundado de vómito.
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