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Estudo revela tendência para virar no sentido anti-horário ao caminhar

Grupo de cinco jovens a caminhar num espaço aberto, observados por pessoa com jaleco e tablet.

Estar a deambular num espaço sem um destino definido - a explorar um parque, por exemplo, ou a passear por um recinto de festival de música - parece uma atividade completamente aleatória.

Ainda assim, fica a dúvida: ao caminhar sem rumo, será que viramos mais vezes à esquerda ou à direita?

Foi precisamente isso que uma equipa internacional de investigadores decidiu investigar, depois de um estudo anterior sobre distanciamento social durante a pandemia de COVID ter apontado, de forma inesperada, que o nosso movimento pode não ser tão aleatório quanto imaginamos.

O que os investigadores procuraram medir

Desta vez, a análise focou-se, de forma direta, nas viragens feitas durante a deslocação, comparando diferentes faixas etárias, contextos culturais e tipos de espaços.

O padrão encontrado foi nítido e alinhado com os resultados surpreendentes do trabalho anterior: existe uma preferência marcada por virar no sentido anti-horário, isto é, para a esquerda.

Confirmada essa tendência, surgiu imediatamente outra questão: o que explica esta preferência?

"This was completely unexpected as, at least instinctively, when people walk around randomly, you imagine people turn as their needs suit them with little sign of an overall preference," afirma o engenheiro Claudio Feliciani, que estava sediado na Universidade de Tóquio durante o estudo.

"But there was a definite, measurable tendency for people to turn counterclockwise over clockwise, all things being equal."

Esta inclinação para o sentido anti-horário já tinha sido observada noutros contextos - por exemplo, nas chamadas circle pits em concertos de heavy metal.

Testes em Espanha e no Japão: espaços abertos, fechados e movimento individual

Para este estudo, os investigadores quiseram afastar a influência de fatores que pudessem enviesar o comportamento, como as ações de outras pessoas ou a própria forma como um grupo fica confinado num determinado local.

Assim, realizaram experiências em Espanha e no Japão (com normas sociais e culturais distintas), tanto em espaços abertos como em espaços fechados, e abrangendo várias idades (jovens).

Além disso, também avaliaram o movimento individual.

Numa das experiências, 209 pessoas foram convidadas a caminhar sozinhas e livremente dentro de um recinto hexagonal formado por cadeiras e mesas, eliminando a possibilidade de serem influenciadas por uma multidão.

Em todos estes testes, manteve-se uma tendência modesta, mas estatisticamente significativa, para virar no sentido anti-horário.

A inclinação não se alterou em função da mão ou do pé dominante, nem do sexo.

A única variável que introduziu uma pequena diferença foi a idade: os participantes mais novos mostraram uma tendência mais forte para o movimento no sentido anti-horário, embora o estudo não tenha incluído ninguém com mais do que cerca de 30 e poucos anos.

O que pode estar por trás da preferência por virar à esquerda (anti-horário)

Quanto às causas, ainda não existe uma explicação definitiva - mas o estudo permite excluir várias hipóteses. Seja qual for a origem, parece tratar-se de algo biológico, e estudos futuros poderão aprofundar esta análise.

"It likely does not come from the eyes, because we tried to patch people's left or the right eyes and the bias was still there," diz Feliciani.

"And some people asked us if it might be large-scale phenomena like the Coriolis force or Earth's magnetic field, but this seems unlikely given what we have managed to point to so far."

À primeira vista, uma simples tendência para virar mais à esquerda do que à direita pode não parecer um avanço científico particularmente dramático. Ainda assim, as implicações podem estender-se a muitos domínios - do desenho de edifícios ao planeamento de emergências.

Implicações para aeroportos, museus e rotas de evacuação

Isto porque espaços como aeroportos, museus, estações de comboio, centros comerciais e zonas exteriores de estádios podem ser influenciados por preferências subtis de deslocação, sobretudo quando se formam grandes multidões.

Com estes resultados, por exemplo, as rotas de evacuação podem ser concebidas de forma mais eficiente.

"There are some interesting parallels to certain sports," acrescenta Feliciani.

"Some running and driving competitions are always, but inexplicably, taken on courses that run counterclockwise. But that's an investigation for another time."

Próximos passos: idade avançada, mobilidade e realidade virtual

Entre as etapas seguintes, está avaliar se esta tendência se mantém em idades mais avançadas, ou em pessoas com diferenças de mobilidade. Os investigadores também sugerem que experiências em realidade virtual podem ser úteis para a testar, ao permitirem um controlo mais rigoroso dos estímulos sensoriais.

A equipa quer ainda perceber se existe uma preferência pelo sentido horário ou anti-horário noutros animais, embora, até agora, apenas alguns estudos tenham identificado algo semelhante - como a investigação com formigas a explorar ninhos desconhecidos.

"Our results may appear as a minor insignificant discovery, but in nature, most phenomena related to locomotion show that animals mostly walk without directional preference," afirma Feliciani.

"The strong bias found in people hints to some asymmetry at the biomechanical level."

A investigação foi publicada na Nature Communications.

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