Saltar para o conteúdo

Será este o novo Seat Ibiza?

Carro cinzento Seat ibiza a circular numa estrada urbana com muro cinzento ao fundo ao pôr-do-sol.

Isto é um Ibiza novo?

À primeira vista, podia passar pelo mesmo Ibiza apresentado em 2008. Ainda assim, a revisão que a Seat fez ao seu modelo mais reconhecido merece conversa - mesmo que grande parte das mudanças não se veja por fora e esteja, sobretudo, “debaixo da pele”.

Atualização do Seat Ibiza: motores, versões e posicionamento

O quê, por exemplo?

A principal novidade está nos motores. Perto do topo da gama, a versão FR passa a contar com um 1.4 turbo de 148bhp - muito na linha do que acontece com o Polo Blue GT [ligação]. Já o Cupra, o compacto desportivo que chega mais tarde este ano, deverá quase de certeza recorrer a uma variação do 1.8 de 190bhp do Polo GTI.

Sendo um utilitário, contudo, é a base da gama que pesa mais na decisão. E, tal como vários rivais, o Ibiza viu os anteriores 1.2 e 1.4 serem substituídos por pequenos 1.0 de três cilindros, compactos mas com boa resposta.

Há três níveis de afinação para o 1.0: existe uma versão de 74bhp no Ibiza mais acessível, mas o que realmente interessa são duas variantes turbo, com 94bhp ou 108bhp. Das duas, a de 94bhp é a única disponível com caixa manual no Reino Unido e, além disso, anuncia 68mpg e emissões de CO2 de 94g/km isentas de imposto, pelo que se posiciona de imediato como a opção mais sensata. O preço começa nas £13,245.

E é bom?

Pelos números - e pelo que se espera de um tricilíndrico turbo moderno - sim. Quando se puxa por ele, mantém aquele pulsar algo áspero e pouco filtrado típico de muitos concorrentes. Ainda assim, em auto-estrada, mostra-se surpreendentemente silencioso e bem refinado.

Em rotações mais baixas pode revelar alguma indecisão e, ao cruzar algumas das lombas mais agressivas de Barcelona, foi preciso reduzir para primeira, o que deixa a ideia de que, em trânsito lento, poderá haver alguma troca frequente entre as duas mudanças mais curtas.

A partir de cerca de 1500rpm, porém, a entrega de potência torna-se linear e progressiva. À medida que a velocidade sobe, é difícil notar que existe turbo, porque não há aquele “empurrão” brusco e pouco elegante. É muito provável que este motor passe a aparecer com mais frequência em Seat, VW e Audi - e isso não tem nada de mau.

Condução e comportamento: o que muda ao volante

Como é que o Ibiza se comporta?

Tão bem quanto precisa - e não muito mais do que isso. Houve ajustes, como a adopção de direcção assistida sensível à velocidade e uma revisão da suspensão, mas continua a ser um carro que não chega ao nível de diversão de um Ford Fiesta ou de um Mazda 2.

Em contrapartida, é simples e descomplicado: a direcção é leve, as dimensões são compactas e fáceis de posicionar, e o conforto de rolamento é mais tolerante do que no modelo que substitui e do que em vários rivais mais focados no prazer de condução. Não é raro ver Ibizas com placas vermelhas de aprendizagem aplicadas em vários painéis da carroçaria - e há um motivo para isso. Esta actualização não belisca a sua ideia-base de ser fácil de conduzir.

Conectividade, “apps” e equipamentos disponíveis

Tem “killer apps”?

Com excepção dos mais básicos ‘S’, praticamente todos recebem um sistema multimédia com ecrã táctil a cores. Quando se opta pela configuração ‘Full Link’, passam a existir Android Auto, MirrorLink e Apple CarPlay, permitindo que os principais smartphones se liguem de forma rápida e intuitiva, com aplicações apresentadas de forma mais amiga da condução.

A utilidade de ter o feed do Facebook lido pelas colunas do carro parece-nos reduzida (será que isto nos denuncia a idade?), mas fazer streaming de música sem complicações e ver a interface do Google Maps do telemóvel num ecrã grande - com as funções reforçadas pelo GPS do próprio carro - tem, sem dúvida, o seu apelo.

Isto transforma o Seat num vencedor?

O interior do Ibiza continua a ser simples e funcional, mas este sistema destaca-se no centro do tablier. Não vai converter entusiastas, porém pode agradar a quem procura um carro fácil de conduzir, com boa relação qualidade/preço e que não complique a ligação ao telemóvel. Se escolher a edição especial ‘Connect’, ainda vem incluído um smartphone Samsung.

Há também mais “mimos” de segmentos superiores na lista de opcionais, como câmara de marcha-atrás, modos ‘Drive Profile’ com selecção e um detector de fadiga do condutor.

Por ser uma actualização ponderada e não um modelo totalmente novo, o Ibiza acaba inevitavelmente afastado da “Liga dos Campeões” dos utilitários, numa altura em que vários adversários - incluindo o seu primo Skoda Fabia - entram em novas gerações. Ainda assim, para quem valoriza preço e tecnologia acima de emoções ao volante, continua a haver muito de que gostar aqui.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário