Mas que Trek é este?
Chama-se Toyota Corolla Trek e, no fundo, é uma espécie de Audi Allroad em ponto pequeno, só que com motorização híbrida. A Toyota pode muito bem ser um dos construtores mais obcecados por SUV que existem - tinha 14 modelos diferentes à venda em todo o mundo (à data da última contagem) - mas, felizmente, não abandonou o nicho das carrinhas com ar mais robusto, que agrada um pouco mais a pessoas como nós.
Em poucas palavras, é um Corolla com um toque mais aventureiro. Embora, pensando bem, não serão todos os carros - tirando Veyrons guardados em vácuo - “aventureiros” por definição? Enfim.
O que é o Toyota Corolla Trek?
Então o que é que ele oferece, na prática?
A receita é a esperada: mais protecções e mais “postura”. Por fora há o habitual conjunto de plásticos pretos nas cavas e nas embaladeiras, uma subida de 20 mm na altura ao solo e alguma protecção inferior, para poderes sair ligeiramente do caminho sem o mesmo receio que terias num Corolla Touring Sports normal - isto é, a carrinha Corolla.
Não existe opção de tracção integral e, como é óbvio, o “tratamento Trek” não está disponível na carroçaria hatchback.
Exterior e interior: as diferenças mais importantes
É só isso?
Não. E, mais importante ainda, as alterações mais bem-vindas acontecem no habitáculo. Recebes um tapete de mala em borracha, resistente a cães e bicicletas, para que atirar lá para dentro coisas sujas e molhadas deixe de ser um frete.
Além disso, o Trek inclui aquilo a que a Toyota chama “exclusive interior”.
Nós preferimos descrevê-lo como “uns tecidos de bancos muito bem escolhidos em tons de cinzento e castanho, com apontamentos de madeira genuinamente elegantes à volta das saídas de ventilação e nas pegas das portas”. É um sítio mais interessante para se estar do que num Corolla standard, com uma certa aura de “Volvo japonês” no desenho. Sobretudo depois de ligares o telemóvel e deixares a interface do teu telefone substituir os gráficos do sistema de infoentretenimento da Toyota.
Híbrido ao quadrado: motorizações e transmissão
Fala-me do ‘poder’.
É um Toyota moderno, portanto tens duas opções: um híbrido ou um híbrido. O Corolla começou por ser lançado com um 1,2 litros turbo a gasolina, mas a procura foi tão reduzida que foi descontinuado cedo, deixando-te apenas com as escolhas 1.8 de 122 cv ou 2.0 de 184 cv, ambas num conjunto gasolina-eléctrico.
Em qualquer dos casos, a potência vai para as rodas dianteiras através de uma caixa automática CVT.
Eu quero o rápido, certo?
Bem, quando conduzi pela primeira vez o Corolla Touring Sports em 2019, escrevi: “a versão 1.8 é mesmo só para poupar dinheiro (ou CO2); não há qualquer recompensa em puxar por ela, apenas a frustração de não haver ‘garra’ na forma como entrega a potência”.
Talvez nesse dia eu tivesse calçado as sapatilhas “rápidas”. Senta-te no interior subitamente zen do Trek e a palavra ‘garra’ desaparece do teu dicionário. Assim, a versão 1.8 - apesar de mais modesta - sabe perfeitamente bem, com a ressalva de eu não ter levado cães, bicicletas ou crianças para somar peso.
Sim, o arranque do zero é verdadeiramente lento, mas não é assim que o vais conduzir na maior parte do tempo. E quando pedes potência extra para uma ultrapassagem ou para te enfiares numa via de aceleração, afinal ela é mais do que suficiente.
E, se fores minimamente como eu, podes ficar estranhamente viciado em tentar manter o carro em modo EV o máximo de tempo possível. Este não é um híbrido plug-in - portanto, não há uma autonomia eléctrica “a sério” de que se fale - mas se fores muito suave no acelerador dá para avançar curtas distâncias na cidade com pouco mais do que um zumbido eléctrico. É um tipo de diversão novo.
A sério?
Há uma satisfação silenciosa em deslizar quase sem ruído, sem dúvida, mas para o conseguir é preciso uma calma e uma concentração ao nível de uma corrida do ovo na colher. Se exigires mais ao conjunto, a CVT traz o seu comportamento habitual de “nadar contra a corrente”, como se o motor estivesse a lutar contra o próprio andamento da transmissão.
Mas numa carrinha sensata, com apontamentos de madeira, esse é um bom lembrete para ganhares juízo e a conduzires com a serenidade que ela praticamente te pede.
Ainda assim, a mecânica de base é claramente mais empenhada do que quase todos os carros que este Corolla segue. Este é, seguramente, o Corolla mais certeiro desde o AE86 de tracção traseira. Sim: é uma fasquia muito baixa que foi ultrapassada - e isto tem relevância zero aqui -, mas é um óptimo sinal para o dia em que (esperemos) a Toyota, com o seu revitalizado departamento Gazoo Racing, retire a sensatez toda e instale um motor absurdamente turbo e, quem sabe, a tracção integral de inspiração rali do GR Yaris.
Espaço para crescer na gama
Há potencial aqui…
Há, e se for concretizado, este Trek pode servir muito bem como o outro “extremo” mais confortável da gama. Ficarias com dois Corollas genuinamente interessantes, com alguns ainda bastante aborrecidos enfiados pelo meio.
É improvável que o Trek convença muita gente nova a comprar um Toyota, mas custando cerca de £1.000 a mais do que o Touring Sports mais barato - e trazendo um enorme pacote de tecnologia a acompanhar o interior agora mais cool - acaba por parecer uma escolha simples no configurador, se já tens o coração num Corolla.
7/10
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