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Câmara de Lisboa baixa limites de velocidade e quer domingos e feriados sem carros na Avenida da Liberdade

Carro elétrico desportivo verde metálico com design futurista exposto em showroom moderno.

A Câmara de Lisboa deu ontem luz verde a uma proposta que prevê reduzir os limites de velocidade na cidade e impedir a circulação automóvel aos domingos e feriados na Avenida da Liberdade, bem como noutros pontos da capital.

O documento foi apresentado pelo Livre, ao abrigo da iniciativa “Contra a guerra, pelo clima: proposta pela redução da dependência dos combustíveis fósseis na cidade de Lisboa”.

A votação acabou por passar apesar dos votos contra de todos os vereadores dos Novos Tempos (a coligação PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), da abstenção dos dois vereadores do PCP e com oito votos a favor - cinco do PS, um do Livre e um do BE.

No que toca aos limites de velocidade, a iniciativa compromete o executivo municipal a “reduzir em 10 km/h a velocidade máxima de circulação permitida para: 30 km/h nas vias de 3.º, 4.º e 5.º nível da rede viária, para 40 km/h nas vias de 2.º nível e para 70 km/h nas vias de 1.º nível”.

Domingos e feriados sem carros

Entre as medidas previstas - e aquela que mais controvérsia tem gerado - está a reativação do programa “A Rua é Sua”. Criado em 2019, este programa determinava o encerramento da Avenida da Liberdade ao trânsito automóvel no último domingo de cada mês, mas a proposta do Livre pretende ir mais longe, defendendo a “eliminação do trânsito automóvel na Avenida da Liberdade em todos os domingos e feriados “.

Para lá da Avenida da Liberdade, a intenção é alargar esta restrição a todas as freguesias, aplicando-a a “uma artéria central (ou mais) com comércio e serviços locais, para que todos os fregueses de toda a cidade possam experimentar fazer as suas deslocações de proximidade a pé de forma segura e confortável sem necessitar do automóvel próprio”.

Táxis elétricos e mais transportes públicos

O texto aprovado aponta ainda para a promoção de consulta e participação pública, com vista a tornar permanentes as transformações do espaço público em várias freguesias, com o objetivo de aumentar as zonas pedonais.

Quanto à mobilidade coletiva, a proposta do Livre aposta em reforçar o recurso aos transportes públicos, na sua “tendencial gratuitidade” e no incentivo ao uso de formas de mobilidade suave.

Nesse âmbito, está previsto expandir a rede ciclável e a rede de parques de estacionamento para bicicletas, bem como aumentar o alcance da rede de bicicletas partilhadas Gira.

Relativamente aos táxis, é defendida a criação de um programa de eletrificação da frota.

A proposta inclui ainda medidas ligadas à sustentabilidade dos edifícios e, também, ao incentivo ao teletrabalho no município.

Moedas reage

Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, considerou que a aprovação destas propostas pela oposição é um sinal de “soberba”.

“Foi uma proposta feita pelos vereadores da oposição. Eu votei contra, todos os vereadores dos Novos Tempos votaram contra, e penso que é uma proposta que mostra a soberba e que, de certa forma, a própria oposição não está a perceber aquilo que as pessoas querem em Lisboa, que é poder decidir, é poder falar com elas”, disse Moedas à margem da conferência “O Passado, o Presente e o Futuro das Cidades”.

Sobre o fecho ao trânsito automóvel aos domingos na Avenida da Liberdade, o autarca acrescentou: “Já tive de manhã todas as pessoas da Avenida da Liberdade a perguntar o que vai acontecer, porque vamos fechar a Avenida da Liberdade em dias que têm o comércio aberto. Tudo isto é grave, porque é estar a fazer contra as pessoas. Temos de caminhar para uma cidade mais sustentável, que estamos a fazer em muitos aspetos”.

Fonte: Diário de Notícias

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