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Volkswagen Golf R Estate: carrinha rápida com um interior frustrante

Carro Volkswagen azul a circular numa estrada sinuosa ao pôr do sol em zona campestre.

Esse Golf R parece um bocado… comprido.

Pois, não estás a ver mal. Este é o Volkswagen Golf R Estate: junta a rapidez e a vontade de andar que apetece com a funcionalidade confortável e algo aborrecida que, na prática, faz falta. É, literalmente, o melhor de dois mundos.

E numa era dominada pelos SUV, custa perceber porque é que mais gente não escolhe uma carrinha deste género. Até porque opções não faltam: tens a Cupra Leon Estate (a gémea não totalmente idêntica do Golf R) e a Mercedes-AMG CLA35 carrinha coupé como rivais diretas, além de alternativas como o Peugeot 508 projetado pela Peugeot Sport e a Škoda Octavia vRS, em patamares de preço acima e abaixo.

A razão, ao que parece, é simples: muitos compradores atuais querem ir sentados mais alto. O mercado respondeu, claro, com versões R do T-Roc, Tiguan e Touareg. Se estás a pensar numa carrinha, parabéns por ires contra a corrente.

Obrigado! Então vá, qual é o argumento da VW?

Certo: o Golf R Estate usa o mesmo motor turbo a gasolina de 2,0 litros do Golf R compacto. Traduzindo em números, são 316 cv e 310 libras-pé de binário disponíveis a partir das 2,100rpm (cerca de 420 Nm). Dos 0-62mph demora 4.9 segundos (dois décimos mais lento do que o compacto), e a velocidade máxima fica limitada a 155mph (aprox. 249 km/h).

A não ser que escolhas o Pacote R Performance, que eleva o limite para 168mph (aprox. 270 km/h) e acrescenta dois modos de condução extra: Especial (para pista) e Derrapagem (para… derrapar, obviamente). Isso custa £2,160 por cima de um preço de entrada já bem picante: £44,535.

A tração integral 4MOTION é de série, com um controlo seletivo do binário capaz de enviar força para o eixo traseiro (ou até para cada uma das rodas traseiras) conforme necessário. A caixa é uma automática de dupla embraiagem com sete velocidades, com patilhas no volante para aquelas raras alturas em que consegues largar a família e ir até à estrada de serra mais próxima só para… brincadeiras.

…por favor não voltes a dizer “brincadeiras” assim, nunca mais.

Desculpa, escapou-me. Oficialmente, a carrinha anuncia 35.8 milhas por galão (apenas ligeiramente pior do que o compacto), mas no nosso tempo com o carro conseguimos uns impressionantes 40 milhas por galão em tiradas longas de autoestrada. Conta com 30 milhas por galão no resto das utilizações - menos se, enfim, fores mesmo a fundo.

Percebido. E a parte prática?

Face ao compacto, a distância entre eixos da carrinha cresce 50mm e o carro passa a ter mais de um pé adicional no comprimento total (mais de 30 cm). O resultado é um pouco mais de espaço para pernas atrás e muito mais bagageira: a VW aponta para 611 litros com os bancos levantados, ou 1,642 litros com tudo rebatido. É um salto útil quando comparado com os 374 litros do compartimento de carga do compacto.

Convenceste-me. E ao volante, como é?

No essencial, excelente. No dia a dia é mesmo, mesmo fácil de conduzir, com maneiras adultas em cidade e potência mais do que suficiente para ganhar ritmo em vias rápidas. E o emblema R não vem à custa do conforto de quem vai dentro - sobretudo se adicionares os amortecedores adaptativos opcionais por £840. Valem o dinheiro pelo que fazem à suspensão: macia quando andas tranquilo, mais firme quando decides apertar.

Eu quero isso.

Então prepara-te. A nossa grande preocupação era que o maior “pé” da carrinha apagasse a diversão típica do compacto. Não apaga. Coloca no modo Corrida e tudo fica mais incisivo, transformando uma carrinha de rotina escolar num brinquedo para estradas secundárias.

E bolas, diverte. Hoje em dia, 316 cv já não parecem muito - ainda por cima num carro deste tamanho. Mas encosta o pé e ela dispara; com mais velocidade, já estarias a agarrar-te ao volante com força. Assumir as mudanças nas patilhas mantém-te ocupado e ligado à condução e, na estrada certa, alternar entre segunda e terceira dá-te grandes sensações sem saíres do lado “aceitável” do limite. Pena é que a banda sonora do quatro cilindros turbo não esteja à altura do momento.

Em curva, existem propostas mais ágeis no mercado - isso é um facto. Ainda assim, a soma dos sistemas da Volkswagen (vectorização seletiva do binário, diferencial eletrónico, mapa do servo-freio dependente da velocidade e a rede de segurança da tração integral) entrega um comportamento neutro, progressivo e muito assente. E isso importa, porque torna o desempenho fácil de explorar: nada de sustos, apenas aquela aceleração do batimento que sabe bem.

Não é um carro “brincalhão”, mas é voluntarioso. E mesmo não estando no campeonato das carrinhas verdadeiramente extremas, vais gostar mais do que ela faz do que te preocupar com o que não faz.

Ótimo. Então… e essa “falha fatal” de que falava o título?

Suspiro. O interior. É… desesperante. Não pela qualidade - aí está tudo certo - mas pela ergonomia, que te pode levar à loucura. Porque praticamente tudo (à exceção dos quatro piscas, por imposição legal) vive no ecrã tátil ou em superfícies hápticas sensíveis ao toque. É espantoso que uma solução tão frustrante tenha passado por tantas validações dentro da VW.

Vamos por partes. O ecrã tátil demora a arrancar; se precisares de introduzir um destino na navegação, tens de esperar que “acorde”. Ligar o telefone é uma dor de cabeça e, depois de ligado, o carro obriga-te a manter o Bluetooth ativo sempre que entras, mesmo que não queiras. E as definições voltam ao padrão ao ligar o carro, o que te empurra para o ritual de desativar a (altamente irritante) assistência de manutenção na faixa e ir à procura do modo Conforto sempre que paras.

E não fica por aí. Os controlos da climatização estão enfiados num menu próprio, com exceção do ajuste de temperatura num painel de plástico por baixo que - imagina - não ilumina no escuro. Boa sorte nas manhãs frias de inverno para quem sai cedo. E quanto às funções do volante… quanto menos se disser, melhor.

Fim do desabafo. Só podemos esperar que, a certa altura, passes da fase do “aguentar” para a do “habituar” e deixes de ligar a isso. Mas nós não ficámos com o carro tempo suficiente para lá chegar, por isso ninguém sabe quando (ou se) vais fazer as pazes com o sistema. Talvez nunca.

Confesso que agora sinto isto um bocado anticlimático.

Atenção: em quase tudo o resto, o Golf R Estate é brilhante e acerta num ponto ideal entre uso diário e capacidade dinâmica a sério. É apenas frustrante ver tudo isto tão prejudicado pela forma como a tecnologia foi integrada. Vá lá, VW: resolvam isso.

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