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Renault, Volkswagen e Stellantis defendem selo “Made in Europe” no Parlamento Europeu

Carro elétrico moderno, cor prata, em exposição com carregador ligado e símbolo da União Europeia ao fundo.

A Renault, a Volkswagen e a Stellantis juntaram-se numa iniciativa conjunta e remeteram uma carta ao Parlamento Europeu, na qual assumem apoio à criação do selo “Made in Europe”, com o propósito de salvaguardar a indústria automóvel do continente.

Na missiva, a que o Financial Times teve acesso, os três grupos enquadram a proposta como essencial para manter a oferta de veículos elétricos competitiva e sustentada por produção local: “Queremos oferecer automóveis limpos, acessíveis e tecnologicamente de vanguarda à classe média europeia. E queremos garantir que a Europa continue a ser a potência mundial da indústria automóvel”.

Requisitos de baterias: o ponto que consideram impossível

Apesar do apoio ao selo “Made in Europe”, os construtores deixam um aviso claro a Bruxelas: um elemento da proposta, tal como está, é visto como impraticável no curto prazo e poderá acabar por penalizar precisamente as marcas europeias.

O foco da divergência está nas regras aplicáveis à produção de baterias. A Comissão Europeia indicou que, já a partir de 2028, pelo menos três componentes principais da bateria terão de ter origem na União Europeia, incluindo obrigatoriamente as células. Três anos depois, o patamar previsto torna-se ainda mais exigente, passando para cinco componentes principais.

Renault, Volkswagen e Stellantis consideram esta meta irrealista. Argumentam que a Europa mantém uma dependência estrutural significativa da Ásia no refinamento e na cadeia de abastecimento de matérias-primas para baterias, o que, na prática, tornaria impossível cumprir o calendário proposto.

Flexibilidade

Para que a nova regulamentação não se transforme numa “restrição adicional imposta aos fabricantes europeus”, em vez de funcionar como instrumento de estímulo, o trio propõe que a obrigação seja adiada para depois de 2030.

Até esse momento, defendem que as empresas devem poder optar por quais os componentes da bateria - por exemplo, módulos ou cátodos - que terão origem europeia.

Em paralelo, pedem a revisão dos critérios de elegibilidade ao selo. A versão atualmente discutida estabelece que 85% da produção de cada fabricante tenha origem europeia, um limiar que, segundo a indústria, é excessivamente apertado.

Como alternativa, propõem baixar essa fasquia para 70%, permitindo que os restantes 30% da produção possam envolver parceiros industriais externos. Na perspetiva do setor, esta alteração daria mais margem operacional e contribuiria para proteger a competitividade das linhas de montagem na Europa.

Os três signatários acrescentam ainda que o apuramento destes 70% deve ter como referência apenas os 27 Estados-membros da União Europeia, incluindo também a Islândia, o Listenstaine e a Noruega, por integrarem o Espaço Económico Europeu.

Esse detalhe já motivou críticas de outros fabricantes, como a Honda, a Toyota e a JLR, que manifestaram preocupação com a carta por deixar de fora componentes produzidos no Reino Unido, no Japão e na Turquia.

Supercréditos de CO₂

No que diz respeito aos “supercréditos” de CO₂, Stellantis, Volkswagen e Renault defendem que estes sejam aplicáveis a todos os automóveis elétricos, com bónus para os modelos de menor dimensão, e não apenas aos pequenos veículos elétricos produzidos na UE.

O que é um carro europeu?

Mesmo discordando dos prazos, os construtores pedem critérios estritos para determinar o que deve ser considerado, de facto, um carro europeu. Defendem que o selo só pode ser atribuído a veículos sujeitos, na Europa, a processos industriais pesados e relevantes, como estampagem de painéis, soldadura, pintura e montagem final.

A intenção é impedir que marcas estrangeiras - em particular novos concorrentes chineses - tragam veículos quase concluídos (SKD, ou semi-desmontado) e realizem apenas a montagem final em território europeu.

Por fim, Stellantis, Volkswagen e Renault sublinham que fabricar na Europa implica custos de energia e de mão-de-obra, bem como exigências regulamentares, muito superiores aos de outros blocos económicos. Por isso, entendem que o selo “Made in Europe” deve servir para reconhecer e compensar esse esforço, ajudando a manter os automóveis elétricos ao alcance da classe média europeia.

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