O convite em 1982
Por volta de 1982, o Nuno Gomes Oliveira - então a dar os primeiros passos na luta pela ecologia, que eu tinha conhecido num debate sobre ambiente no Teatro do Campo Alegre (o antigo, improvisado e artesanal) - telefonou-me. Convidou-me para me encontrar com ele numa quinta em Avintes, porque queria que eu conversasse com ele e com a Dr.ª Ilda Figueiredo, candidata à Câmara de Gaia, a propósito de um tema que lhes causava inquietação. Aceitei e fui.
A quinta em Avintes e o vale do Rio Febros
A quinta estava ao abandono, com 2 hectares, no vale do Rio Febros, que a atravessava carregado de detritos. Explicaram-me que, ao recuperar aquele espaço, seria possível criar ali uma espécie de parque temático, com a inclusão de um moinho granítico que, depois de reconstruído, funcionaria como atracção educativa, entre outras ideias.
A conversa foi entusiasmante. E a verdade é que, em 1983, daquela velha quinta - entretanto adquirida pela Câmara e destinada a Horto Municipal - nasceu o Parque Biológico de Gaia, concretizando aspirações ecológicas que tinham começado a ganhar forma nos anos 70.
Parque Biológico de Gaia: um projecto com objectivos singulares
Desde o início, não se tratava de um parque qualquer, logo pelos seus objectivos: dar a conhecer a Natureza sem se assumir como reserva natural; apresentar a fauna sem se transformar num Jardim Zoológico; salvaguardar património sem ser um ecomuseu; e divulgar a flora selvagem sem se reduzir a Jardim Botânico.
O Parque foi crescendo até atingir 35 ha, afirmou-se como o primeiro Centro de Educação Ambiental do país e tornou-se referência, seguido por dezenas de instituições que, de algum modo, lhe continuaram o caminho. Creio poder afirmar que, sem esquecer o contributo do Nuno, este projecto exemplar se deve à determinação e à visão de futuro da acção política da Dr.ª Ilda Figueiredo. É por isso que, neste momento de recordações e homenagens, deixo aqui a minha saudação.
O autor escreve segundo a antiga ortografia.
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