Washington (AP) – Uma nova geração de vacina da gripe ficou, esta quinta‑feira, mais próxima de chegar ao mercado dos Estados Unidos, depois de conselheiros federais de saúde terem recomendado a aprovação da primeira vacina contra a gripe produzida com a mesma tecnologia de mRNA que foi decisiva para travar a pandemia de COVID-19.
Avaliação da FDA à vacina da gripe mRNA mFlusiva da Moderna
A Food and Drug Administration (FDA) está a analisar a nova vacina da Moderna, baptizada de mFlusiva, com vista à sua utilização por norte‑americanos mais velhos antes da época de gripe de inverno.
A Moderna pediu a aprovação completa para a utilização da vacina em pessoas com idades entre os 50 e os 64 anos, além de uma autorização para uso em pessoas com 65 ou mais anos, enquanto decorrem testes adicionais.
O comité consultivo independente da FDA avaliou os estudos apresentados pela Moderna e votou por unanimidade que, para ambos os grupos etários, os benefícios aparentam superar quaisquer riscos. A FDA terá em conta esta recomendação e deverá tomar uma decisão final até ao início de Agosto.
Porque é que a tecnologia de mRNA pode mudar a vacinação contra a gripe
Todos os anos, dezenas de milhares de norte‑americanos morrem devido à gripe, e os adultos mais velhos estão entre os grupos mais vulneráveis. Nos EUA já existem vários tipos de vacinas contra a gripe disponíveis, incluindo três vacinas especificamente recomendadas para pessoas com 65 ou mais anos.
Ainda assim, as vacinas produzidas com a tecnologia de mRNA - distinguida com um Prémio Nobel - podem ser fabricadas mais rapidamente do que outras. Segundo especialistas, isso poderá ser uma vantagem se o vírus da gripe, conhecido pela sua capacidade de mudar, sofrer mutações que obriguem a preparar, de forma súbita, novas doses ajustadas.
"Ter esta tecnologia disponível coloca-nos numa posição melhor para estarmos preparados para estirpes emergentes no futuro", afirmou a médica Flor Munoz‑Rivas, do Hospital Pediátrico do Texas, uma das conselheiras da FDA.
Resultados dos estudos: eficácia e resposta imunitária
Num estudo com 40.000 pessoas com 50 ou mais anos, a vacina de mRNA da Moderna reduziu os casos de gripe em cerca de 27% quando comparada com os casos registados entre participantes que receberam outra marca de vacina usada rotineiramente.
Num estudo mais pequeno realizado com pessoas com 65 ou mais anos, a vacina da Moderna também produziu uma resposta imunitária protectora forte quando comparada com uma vacina contra a gripe de dose elevada já recomendada para esse grupo etário.
Os dados que mostram reacções imunitárias robustas "foram muito convincentes", disse a conselheira da FDA Anna Durbin, da Universidade Johns Hopkins, acrescentando que "a vacina parece muito promissora".
A médica Rituparna Das, da Moderna, disse aos membros do painel que a capacidade da empresa para fabricar rapidamente vacinas de mRNA que correspondam de perto às estirpes mais recentes de gripe poderá evitar milhares de hospitalizações em adultos mais velhos nos EUA.
Correspondência das estirpes e próximos passos de investigação
Em geral, os casos graves de gripe nos Estados Unidos aumentam nos anos em que a vacina disponível não corresponde de forma suficientemente próxima ao vírus que está a circular.
Responsáveis da Moderna sublinharam que, actualmente, as estirpes seleccionadas para as vacinas de cada outono são definidas vários meses antes - ao contrário do que acontece com a actualização anual da composição das vacinas contra a COVID-19, que é feita mais perto da época e é, na sua maioria, baseada em mRNA. Essa antecedência, referiram, pode resultar num desfasamento se o vírus da gripe sofrer mutações depois de a “receita” estar definida.
Durante a reunião, o revisor de vacinas da FDA Timothy Brennan indicou que a agência estaria aberta a aprovar a vacina para adultos mais velhos antes da próxima época de gripe, apesar de ser necessária mais informação sobre a sua utilização em idosos frágeis ou em pessoas com o sistema imunitário debilitado.
Se for aprovada, a Moderna planeia o estudo seguinte obrigatório com 400.000 pessoas com 65 ou mais anos: metade receberá a vacina de mRNA e a outra metade uma das vacinas actualmente destinadas especificamente a seniores. Está previsto repetir o estudo ao longo de duas épocas de gripe.
Os dados da Moderna não identificaram problemas de segurança relevantes, embora a vacina tenha provocado algumas reacções temporárias, incluindo dor no local da injecção, febre, dor de cabeça, cansaço e dores no corpo.
Estas reacções finais são frequentes em diversas vacinas, mas surgiram com alguma maior frequência do que nas vacinas contra a gripe actualmente usadas. A FDA afirmou que isto é típico das vacinas de mRNA.
Essas reacções temporárias podem ser um sinal de que "o seu sistema imunitário está a responder", explicou Hayley Gans, pediatra da Medicina de Stanford e conselheira da FDA, realçando que será importante transmitir isso às pessoas vacinadas.
A Moderna também está a estudar a vacina em adultos mais jovens e planeia, para este outono, um estudo separado em jovens dos 9 aos 17 anos.
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