Ah, o S-Max. A ideia da Ford para um monovolume com sex appeal...
Se calhar não estão assim tão longe da verdade. Os monovolumes são, por definição, carros para quem já aumentou a família uma ou duas vezes - daí irem carregados de miúdos. Só que, na maioria dos modelos deste tipo, o desenho aborrecido e em forma de caixa parece denunciar que o condutor já desistiu de vez de se divertir.
Com linhas mais baixas e escorreitas, o S-Max sugere precisamente o contrário: ainda há, digamos, alguma vida ao volante.
Design e plataforma do Ford S-Max
Então porque é que estamos a falar dele agora?
Porque este é um modelo completamente novo.
E porque é que parece tanto com o antigo?
A silhueta mantém-se semelhante porque a missão do S-Max continua a ser a mesma. Aliás, muitas vezes é sinal de um bom automóvel quando a marca não precisa de o reinventar por completo a cada geração.
Ainda assim, visto de perto, percebe-se que o estilo ganhou profundidade: a frente foi redesenhada, o capot tem uma linha mais marcada (em vez daquele nariz em forma de pá) e há mais cuidado nos pormenores. Além disso, a base é inédita - a mesma do novo Mondeo.
Condução e motores do Ford S-Max
Como é que ele se comporta na estrada?
O S-Max é um bom carro. Tal como acontece com o Mondeo, este afinou ligeiramente o foco: há mais requinte e uma qualidade de rolamento suave e confortável, ainda que isso retire um pouco de protagonismo ao envolvimento do condutor.
Mesmo assim, continua a ser agradável de conduzir - e melhor do que quase todos os SUV que se tornaram o automóvel familiar grande “por defeito”. Há até uma versão com 240 cv derivada do motor do Focus ST. Só que aqui esse conjunto soa menos entusiasmante do que num desportivo compacto, vem associado a uma caixa automática de seis velocidades pouco convincente, luta para disfarçar o peso e mostra tendências para beber demais.
O melhor é optar pelas variantes de 180 cv ou 210 cv do 2.0 diesel. Nós conduzimos a de 180 cv e há binário suficiente para lidar com a massa (nada pequena) do S-Max. Pode ser combinado com uma caixa manual precisa ou com uma automática de dupla embraiagem bem conseguida. E ainda é possível acrescentar tracção integral - ideal para quem quer um carrão de viagens à neve.
Sem neve, a versão de tracção dianteira porta-se bem em curva. As reacções são progressivas e o adornar da carroçaria está bem controlado, embora a direcção esteja longe de ser particularmente afiada. Ainda assim, a Ford vai disponibilizar um sistema de direcção activa inteligente que torna o S-Max mais directo na maior parte das velocidades, mas abranda as respostas a ritmos de auto-estrada para reforçar a estabilidade.
Tecnologia, interior e equipamento
Sofisticado. Há mais tecnologia nova?
A Ford aproveita também o S-Max para estrear outro truque: o limitador inteligente de velocidade. O condutor define uma velocidade máxima e, a partir daí, o sistema lê sinais de trânsito e dados de navegação; sempre que o carro entra numa zona com limite inferior, reduz automaticamente até esse valor.
Quando o limite volta a subir, basta carregar mais no acelerador para recuperar velocidade. E, se for preciso ir mais depressa por instantes, é só carregar o acelerador a fundo. "Acabaram-se as multas por excesso de velocidade?", diz a Ford. Ao início, a sensação é estranha, mas assim que se ganha confiança, percebe-se que o sistema cumpre e é útil quando os limites estão sempre a mudar. E, se se enganar, há sempre um botão para cancelar.
Sendo um monovolume, há muito espaço?
Quando foi a última vez que viu um monovolume com sete adultos lá dentro? Com a linha de tejadilho descendente, o S-Max é, na prática, um 5+2. E isso não é problema: cinco ocupantes têm, cada um, o seu banco individual ajustável, e a bagageira é enorme.
Em viagens ocasionais com mais gente, surgem mais um ou dois lugares a partir do piso da bagageira. Os bancos rebatem-se individualmente com ajuda de molas, accionados por cinco pequenos botões tipo gatilho na mala. No conjunto, é um espaço extremamente versátil.
É um sítio agradável para se estar?
Na maioria dos aspectos, o interior do S-Max está muito bem montado e vem bem equipado. Por exemplo, todas as versões incluem um grande ecrã a cores ao centro do painel, pelo que custa apenas 450 € acrescentar o sistema de navegação. No geral, tudo parece sólido e bem acabado. Curiosamente, a única peça que se destaca pela fragilidade do plástico é a placa de comandos do sistema de som Sony “premium”. Mas, em termos de som, é excelente.
Ford S-Max ou Discovery Sport?
É exactamente essa a comparação certa. O S-Max é mais rápido, mais económico e mais versátil, mas acaba por ser uma escolha fora do óbvio num mundo que anda obcecado por SUV.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário