O losango enorme na frente não engana: isto só pode ser um Renault.
E é mesmo. Trata-se do novo Renault Megane, já na quarta geração de um modelo que nos acompanha há 20 anos. Sim, também nos faz sentir mais velhos.
Desde 1995, venderam-se bem mais de seis milhões de unidades, e o primeiro Megane chegou a ser, durante vários anos, o automóvel mais vendido da Europa. Ainda assim, a maior parte desse sucesso ficou concentrada nas duas primeiras gerações; o modelo mais recente, por sua vez, nunca conseguiu a mesma popularidade.
Para inverter essa tendência, o Megane Mk4 cresce em dimensões e aposta mais do que nunca na tecnologia. Parte da mesma base técnica que serve de fundação ao Espace (monovolume) e ao Talisman (berlina). No Reino Unido, já está à venda com preços a começar nas 16 600 £.
Estilo e tecnologia do Renault Megane Mk4
Face ao que o antecedeu, o desenho está bastante mais apelativo.
O Megane vai buscar muita da inspiração estética ao bem conseguido Talisman, sobretudo no desenho das luzes LED dianteiras e traseiras. Além disso, os dois conjuntos de luzes mantêm-se sempre ligados, para que o Megane seja facilmente identificável mesmo durante o dia. Pelo menos a estes olhos, o resultado é muito positivo e está a anos-luz do ar apagado do modelo anterior.
A par do estilo, também a tecnologia “desceu” de patamar. Para acompanhar os rivais, passa a existir uma gama completa de sistemas de segurança ativa: prevenção de colisões, manutenção na faixa e afins. Há ainda estacionamento automático, mostradores TFT, visor projetado a cores, modos de condução ajustáveis e um grande ecrã tátil para comandar tudo.
No lançamento, a oferta inclui uns impressionantes dez conjuntos motor/transmissão - entre eles uma versão GT de 202 cv - e, mais à frente, deverá chegar um diesel híbrido. O que não está nos planos para breve é uma carroçaria coupé, cabriolet ou uma variante de três portas. O Megane passa a ser vendido apenas como hatchback de cinco portas ou como carrinha, com a Renault a argumentar que os compradores de pequenos coupés e cabriolets migraram em massa para os SUV mais “na moda”.
Interior e qualidade percebida
Por dentro, a sensação é de um produto mais cuidado do que qualquer Megane anterior. Há até bancos com função de massagem.
Na configuração mais equipada, o ecrã tátil vertical de 8,7 polegadas é tão bom quanto os melhores do segmento: conjuga gráficos fáceis de interpretar com algumas funcionalidades mais “de brincadeira”, como uma aplicação que envolve os passageiros em jogos do tipo “Vejo, vejo”. A sério.
A montagem e os acabamentos aproximam-se mais do que nunca dos padrões do grupo VW. Ainda assim, apesar de os materiais imediatamente à mão serem bastante agradáveis, a estrutura base do habitáculo continua a recorrer a plásticos com um toque mais barato. Não é um drama, mas continua a existir distância para os melhores da categoria.
Ao volante e motores Diesel
Na estrada, o Megane aposta num conforto suave e numa compostura com aquele toque tipicamente francês.
Nas estradas portuguesas onde tivemos o primeiro contacto com este novo Megane, nunca se mostrou perturbado; já em pisos britânicos mais degradados, o desafio é maior. A baixas velocidades, pode revelar alguma trepidação quando o asfalto está muito irregular, mas com o aumento do ritmo torna-se mais filtrado. No geral, é um automóvel fácil e descansado de conduzir.
O que ele não é, pelo menos nesta fase, é particularmente divertido ou recompensador - sobretudo quando comparado com a agilidade de um Ford Focus, Mazda 3 ou SEAT Leon. Tem boa aderência e equilíbrio, mas não existe um “craque escondido” nas versões menos potentes. Ainda assim, acreditamos que a intervenção da Renault Sport conseguirá revelar um bom compacto desportivo.
Também vale a pena sublinhar a forma discreta como os sistemas de assistência atuam, sem a parafernália de bips e avisos sonoros que se encontra noutros modelos. Por exemplo, o painel de instrumentos TFT apresenta um pequeno aviso de distância que indica quantos segundos o separam do carro da frente, em vez de estar constantemente a piscar ou a soar sempre que se aproxima demais.
Experimentámos dois motores a gasóleo. O 1,5 litros dCi 110 de 108 cv é surpreendentemente silencioso em andamento, mas acaba por fazer o Megane - agora maior do que nunca - parecer um pouco curto de fôlego. Para ultrapassar com segurança, convém planear.
Já o 1.6 dCi 130 de 128 cv encaixa muito melhor: tem mais força e resposta, e mantém um nível de refinamento apreciável desde que não se estique muito além das 4 000 rpm. O ideal é passar caixa cedo, procurando ficar mais perto dos consumos anunciados de 70,6 mpg (cerca de 4,0 l/100 km) do que do seu 0–100 km/h em dez segundos.
Renault Sport e lugar entre os rivais
Sim, está prevista uma versão Renault Sport - mas só em 2018.
Os engenheiros da Renault garantem que irá manter o carácter mais “cru” que ainda se nota no Megane 275 Cup-S, o que aponta para uma caixa manual de série e, como é inevitável hoje em dia, patilhas no volante como opção. Ainda bem.
Mesmo que, nas versões atuais, não seja o hatchback mais divertido, percebe-se que existe um chassis competente por baixo do Megane. E, com uma suspensão mais afinada para o prazer de condução em vez do conforto, o novo RS tem tudo para continuar no topo da primeira divisão dos compactos desportivos.
Quanto às versões “normais”, os Megane cheios de equipamento que conduzimos deixam uma boa impressão: nada do que traz é particularmente original, mas o conjunto está bem amarrado e a qualidade subiu de forma evidente.
O problema é que o Megane compete num segmento superlotado. Se juntarmos os SUV ao baralho, há perto de 30 rivais diretos. Não chega para um lugar no pódio; embora o Focus e o Golf já tenham alguns anos, continuam a ser as referências a bater em diversão e qualidade, respetivamente.
Ainda assim, o visual mais inteligente e a forte dose de tecnologia ajudam o Megane a destacar-se. Para muitos, isso será argumento suficiente para aceitar o que perde para alguns concorrentes noutros pontos.
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