Saltar para o conteúdo

Mercedes-Benz EQE: primeiro contacto em Portugal, o “mini-EQS” elétrico

Carro elétrico Mercedes-Benz EQE cinzento, visto de frente e lado direito, em ambiente minimalista interior.

A gama EQ da Mercedes-Benz continua a alargar-se e já tivemos oportunidade de «sentir o pulso», em Portugal, ao mais recente elemento: o EQE, que pode ser encarado como uma espécie de Classe E totalmente elétrico.

Ainda assim, a comparação mais lógica acaba por ser com o seu «irmão» maior, o EQS - modelo que eu próprio já tinha conduzido num fim de semana, num percurso entre Lisboa e o Alentejo.

À primeira vista, a receita estética é muito semelhante, com a diferença de o EQE ser mais compacto. A grande questão é perceber se, ao volante, a experiência acompanha essa proximidade: será este um “mini-EQS” mais acessível e com um toque mais dinâmico? É isso que se esclarece a seguir.

Dimensões mais contidas

Tal como acontece no EQS, este é o segundo automóvel da Mercedes-Benz a utilizar a plataforma EVA2, desenvolvida de raiz para veículos 100% elétricos da marca de Estugarda.

A produção destinada à maioria dos mercados é feita na fábrica de Bremen, na Alemanha. A exceção é a China, onde os exemplares comercializados localmente são, como é habitual, produzidos no próprio país.

No capítulo do design, o perfil e a linguagem visual seguem de perto o que já vimos no EQS, com muitos elementos comuns. No entanto, ao vivo torna-se evidente que este EQE apresenta dimensões mais moderadas.

E os números confirmam-no sem margem para dúvidas: a distância entre eixos é de 3132 mm, menos 90 mm do que no EQS, e o comprimento total (4,946 m) aproxima-se bastante do do CLS.

Interior «copiado» quase a papel químico

Se por fora a familiaridade é imediata, por dentro o cenário repete-se: o habitáculo parece ter sido «copiado» quase a papel químico do «irmão» EQS. E isso é, claramente, uma boa notícia, já que se trata de um dos interiores mais impressionantes que vi (e experimentei) nos últimos tempos.

Para lá da qualidade dos materiais, o destaque visual vai para o conhecido Hyperscreen: um «super painel» com 1,41 m de largura que integra três ecrãs distintos - o central, o do condutor e um terceiro dedicado ao passageiro da frente.

Ainda assim, o Hyperscreen não é de série: está disponível apenas como opcional. De origem, o Mercedes-Benz EQE vem equipado com um ecrã central tipo tablet de 12,8” e com um painel de instrumentos digital de 12,3”.

Mas há mais opcionais…

Como seria de esperar, a lista de extras não termina no interior. Entre os elementos disponíveis está o eixo traseiro direcional, proposto em duas configurações: uma com rotação de 4,5º e outra com rotação de 10º.

Nas unidades que conduzi neste primeiro (e muito curto) contacto em estradas nacionais, estava montada a solução de 4,5º - e o efeito sente-se imediatamente.

É um argumento forte para facilitar manobras e, em muitos momentos, chega mesmo a fazer-nos esquecer que estamos ao volante de um automóvel de grandes dimensões.

E há ainda o tema do conforto e da tranquilidade a bordo. A base está na suspensão: em todas as versões, o EQE inclui de série a suspensão pneumática Airmatic, com amortecimento regulável progressivo, que absorve de forma notável as imperfeições do piso.

Silêncio…

Este é o ambiente dominante no interior do EQE. Em andamento, tanto o ruído de rolamento como o aerodinâmico ficam muito bem «camuflados» e raramente entram no habitáculo - e nem em velocidades de autoestrada chegam a ser um incómodo.

Este registo encaixa na perfeição na abordagem mais confortável do modelo, independentemente do modo escolhido entre os três disponíveis: Eco, Comfort e Sport.

Progressividade é palavra de ordem

Antes de entrar em detalhes sobre dinâmica, é importante falar das motorizações. Neste primeiro contacto em Portugal, conduzi a versão 350+, equipada com um motor elétrico traseiro com 215 kW (292 cv) e 565 Nm.

Com estes valores, o EQE 350+ atinge os 210 km/h e cumpre o 0 aos 100 km/h em 6,4s. Em estrada, a sensação pode parecer ainda mais rápida, embora este EQE raramente ofereça aquele «punch» típico de muitos 100% elétricos.

Aqui, tal como no EQS, a entrega de potência surge de forma muito progressiva. Na minha perspetiva, isso combina muito bem com o carácter deste elétrico, cuja grande virtude está no conforto.

Não é desportivo, longe disso…

Não é fácil defender que este EQE seja mais desportivo do que o EQS, como se chegou a antecipar. O que é certo é que é mais curto e mais leve - e isso traduz-se numa perceção de maior agilidade.

Essa sensação torna-se mais evidente no modo Sport, que acrescenta peso à direção e revela uma resposta mais direta do que seria de esperar. Ainda assim, a comunicação ao condutor não é particularmente rica…

Também é claro o que o modo Sport faz ao controlo da carroçaria: os movimentos ficam bem mais contidos do que, por exemplo, no modo Comfort.

Apesar de tudo isto, o EQE não incentiva uma condução mais empenhada. E, curiosamente, foi em autoestrada que se mostrou mais confortável, graças ao seu foco no conforto (acústico e de rolamento) e às suas qualidades de estradista.

Autonomia e carregamentos

A Mercedes-Benz anuncia uma autonomia máxima de até 654 km para este EQE 350+ e, neste primeiro contacto, ficou claro que conseguir cerca de 550 km reais a partir da bateria de 90,6 kWh é relativamente simples.

Como é natural, esse valor desce para perto dos 475 km quando a utilização é exclusivamente em autoestrada, com ar condicionado ligado e a uma velocidade por volta dos 120 km/h. Nestas condições, é possível observar consumos na ordem dos 19 kWh/100 km.

Quando chega a hora de carregar, este EQE suporta potências até 170 kW em corrente contínua. Em corrente alternada, suporta de série até 11 kW - ficando os 22 kW como opcional. Em teoria, isto permite recuperar 80% da carga em apenas 32 minutos.

Ainda assim, importa referir que, enquanto marcas como a Porsche, a Hyundai ou a Kia já estão a adotar arquiteturas de 800 V nos seus elétricos mais recentes, a Mercedes-Benz manteve-se nos 400 V.

Por outro lado, compensa parte dessa opção com um sistema de gestão térmica que aquece ou arrefece as baterias com o automóvel em movimento, antes de chegar ao posto.

Ou seja, esta solução ajuda a garantir que as baterias chegam à estação de carregamento rápido na temperatura ideal, facilitando potências mais elevadas mais cedo e mantendo-as de forma mais estável.

E os preços?

Nesta fase, o Mercedes-Benz EQE é proposto em duas versões: EQE 350+ com preços desde 73 800 euros e AMG EQE 43 4MATIC com preços desde 105 650 euros.

Mais tarde, no verão, a oferta do EQE em Portugal será reforçada com mais três variantes: EQE 350, EQE 500 4MATIC e AMG EQE 53 4MATIC+.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário